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Amanda
Eu não conseguia dormir a noite inteira. Revirando na cama, pensando... As coisas estavam tão confusas e era absurdo como eu estava inclinada a tentar e ver no que dava. Mas o medo... ele não me deixava.
Levantei da minha cama devagar e me estiquei para aumentar a temperatura do ar-condicionado. Estava frio que só uma p***a e eu estava com fome, então levante decidida a procurar alguma coisa para comer.
No entanto, imagine a minha surpresa - ou melhor, não surpresa -, quando percebi que eu tinha conseguido limpar meus armários. Bufei. Meu celular apitou na mesa e eu engoli um copo d'água antes de me sentar na cadeira e desbloqueá-lo.
O visor mostrava uma mensagem de número desconhecido, mas eu sabia quem era antes mesmo de abrir: VH.
Número desconhecido: Oi!
Eu: Quem é?
Ainda que eu soubesse que era ele, queria fazer um pouco de charme para não parecer desespero.
Número desconhecido: Seu homem. ;)
Número desconhecido: Não era para a senhora estar dormindo?
Dou um sorrisinho fraco, mordendo a pontinha dos meus lábios.
Eu: Não consigo dormir...
Número desconhecido: Humm... então você está pensando em mim, é?
Ri descrente. Eu travei por um segundo, o coração disparado. Queria parecer confiante, mas minhas mãos suavam frio.
Ele estava flertando comigo?
Eu: Não exatamente... estou pensando na oferta.
Número desconhecido: Espero que esteja pensando com carinho.
Eu: Não sei, é que essa ideia de união estável não me agrada muito.
Número desconhecido: Eu entendo. Mas Amanda, pense bem. Não é qualquer pessoa que pode fazer isso por você. Posso garantir sua segurança, seu futuro. Casa, dinheiro, faculdade... tudo pago.
Número desconhecido: E você não precisa casar comigo. Eu adoraria ter uma esposa tão gostosa quanto você, mas não! Eu dou meu jeito.
Eu: Tem chances de eu ser presa?
Número desconhecido: Por vir me dar na cadeia? O que é que estão colocando na sua água?
Rio. Que merda, porque estou achando ele tão engraçadinho?
Eu: E se eu aceitar... o que vai acontecer exatamente?
Número desconhecido: Você vem me visitar. Só nós dois, a gente faz um amorzinho gostoso. Eu fico feliz e deixo você muito feliz também ;)
Número desconhecido: Depois você vai receber tudo que precisa, viver tranquila, e ninguém vai te incomodar.
Eu mordo o lábio, sem saber se é medo ou excitação.
Eu: Tá... eu topo.
Demora algum tempo para ele voltar a digitar e eu encaro a tela com meu coração batendo rápido e com força. Acho que nunca fiquei tão nervosa.
Dois minutos depois, a tela se abre em uma ligação. Uma chamada de vídeo. Entro em pânico.
Ele está me ligando. Meu Deus!
Corro para o meu quarto e me jogo na cama, remexendo-me, puxando a roupa para cima para esconder o decote do babydoll minusculo. Deslizo o dedo e demora alguns segundos para conectar.
A tela se acende e lá está ele, com o rosto iluminado pelo celular, os olhos escuros e fixos em mim. Meu corpo inteiro arrepia.
Ele é lindo. Absurdamente lindo.
VH tem a pele morena, cabelo raspado e rosto liso. Os olhos dele são escuros e as sobrancelhas grossas davam força à expressão, enquanto o nariz reto e proporcional equilibrava a simetria quase perfeita. Os lábios, desenhados e cheios na medida certa, se curvavam em um sorriso largo e confiante, iluminando cada detalhe da fisionomia.
Ninguém do asfalto diria que VH é exatamente quem é.
— Oi... — consigo sussurrar, engolindo em seco.
Ele sorri de um jeito lento e minha respiração falha.
— Você está sozinha aí? — Pergunta, piscando.
— Hunrum. — Murmuro.
Ele está deitado sobre um travesseiro, o braço atrás da cabeça e me encara do outro lado da tela. Sinto-me quente, ainda que ele esteja do outro lado do telefone.
— E você?
Ele sorri.
— Tem poucas coisas que o dinheiro não compra. Então, é... eu tenho uma cela só pra mim. — Explica.
— Nossa que sorte!
— Não diria sorte. — Ele pisca, mas parece um pouco incomodado. — E você? está acordada a essa hora porque?
— Fome. — Confesso. — Mas já vou voltar a dormir.
— E comeu alguma coisa?
— Não precisa se preocupar com isso.
— Preciso, pô. Agora tu é minha e eu cuido do que é meu. — Vh diz, sério.
Um arrepio percorre minha espinha.
— Eu não sou sua, VH!
— Você concordou... — Dá um sorrisinho preguiçoso.
— Concordei com... — Desvio meus olhos, envergonhada. — Aquilo e não com um...
— Tu sabe que eu exijo exclusividade, não sabe, Morena?
— Eu... sei... — murmuro, o rosto queimando.
— Agora me fala, o que é que tu quer comer?
Eu franzo meu cenho.
— São três da manhã.
— Idai? Eu mando arrumarem pra tu. — Diz, lento. — Me fala.
— Mc Donald's? — Indago, um pouco receosa.
— Jaé. — Murmura. — Espera um pouquinho e não dorme, morena. Daqui a pouco te ligo de volta.
E desligou, na minha cara.
Fico olhando a tela alguns segundos, o coração ainda acelerado, sentindo o calor subir pelo meu corpo. Ele desligou como se nada tivesse acontecido, mas a presença dele, mesmo virtual, ainda parecia preencher o quarto.
— Maluco... — murmurou para mim mesma, segurando o celular com força, incapaz de soltar. — Maluco e perigoso... e eu estou caindo nessa.
E, por algum motivo que não consigo explicar, a ideia de que ele cuidaria de mim... mesmo daquele jeito intenso, possessivo e arrogante... me deixava estranhamente segura.
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