DEIXA UM VOTO E UM COMENTÁRIO NO CAPÍTULO!!!
Amanda
Demora cerca de meia hora para alguém buzinar na frente da minha casa. Muitas vezes.
E eu demoro a entender que é realmente para mim. Troco o meu shorts com pressa para algo mais comportado e visto um casaco — já que mesmo com o calor infernal que faz de manhã no Rio, as noites estão se tornando cada vez mais frias — e corro para a porta. Abro-a em um solavanco, encontrando, do outro lado, um garoto montando em uma moto.
— Amanda? — Pergunta, curto.
Aceno com a cabeça. Ele me estende um pacote de papel pardo entre os dedos e uma sacola na outra.
— Trouxe lata, o Refil ia derramar. — Explica, mesmo que eu ainda não tenha ido até ele para buscar a encomenda.
Me aproximo devagar, meus dedos tremendo enquanto seguro o pacote devagar. A bolsa branca, quase transparente, é leve, mas o pacote de papel pardo é pesado e apoio-o em meu peito para que não caia.
— Obrigada. — Agradeço, ainda atordoada.
Ele acena com a cabeça, liga a moto e saí em disparada, descendo o morro. Quase engasgo na minha própria saliva quando fecho a porta e giro a chave na fechadura. Meu coração bate forte quando ponho tudo sobre a mesa da cozinha, ainda sem coragem de abrir.
Meu celular vibra em uma nova chamada. Retiro meu casaco e os shorts jeans, jogo-os na cadeira ao lado, ficando apenas com o meu baby-doll e me sento rapidamente para atender. Meu dedo desliza e a imagem carrega, revelando-o mais uma vez.
— Ligando para ver se a encomenda chegou completa. — Murmura, parecendo me analisar.
— Ainda não abri. — Murmuro, envergonhada. — Obrigada, isso é...
— Não precisa me agradecer, morena, como eu falei antes e falo de novo: Eu cuido do que é meu.
Quero retrucar e dizer que eu não sou dele, mas sei que é uma batalha inútil e perdida. Além disso, estou morta de fome e faz tempo que não como alguma coisa que não seja a comida r**m da faculdade — não que a comida seja realmente r**m, não é, mas de longe, não é tão boa quanto a comida que faço em casa.
Abro a embalagem e começo a desempacotar item por item. Ele está em silêncio, apoiado em um vaso de flores de plástico, me encarando. Em alguns minutos, tenho um Big Mac, uma batata de cheddar e Bacon, cerca de 6 nuggets e sachês de mostarda e ketchup. Pisco, surpresa.
— Não precisava mandar tudo isso. — Reclamo.
VH não me responde, apenas me observa. Tiro o picles do hambúguer, muno com ketchup e mostarda e dou uma mordida generosa. Me sinto exposta, vulnerável, mas não desligo.
Eu devia estar assustada. E estava. Mas estava começando a ficar estranhamente confortável com a sua "presença". E eu sei que não deveria, mas acho que preciso começar a me acostumar com o homem que vai tirar minha virgindade daqui um tempo.
Mordo minha bochecha. Céus, será que ele sabe que ainda sou virgem?
— Eu... — Começo a dizer, mas preciso ter coragem para continuar. — Não sei se você sabe, então, eu acho que deveria contar e...
Um segundo de silêncio. Meu coração parece estar batendo no meu ouvido.
— Eu.. não sei se...
— Desembucha! — Manda, sua voz arrastada.
— Você sabe que eu sou virgem?
O silêncio dele dura mais do que eu consigo suportar. Sinto meu estômago revirar, como se a comida tivesse virado pedra.
— Tá de s*******m, morena? — ele solta, a voz rouca, mas com uma nota de surpresa genuína.
— Não... não tô. — engulo seco. — Nunca... nunca estive com ninguém.
A câmera treme levemente quando ele muda de posição, como se estivesse tentando me enxergar melhor.
— Caralho... — VH murmura, quase para si mesmo, um sorrisinho lento se formando no canto da boca. — E tu vem me falar isso agora?
Meu rosto pega fogo.
— Achei que... você tinha que saber.
— p***a, acabei de descobrir... — Ele passa a língua pelos dentes, os olhos semicerrados. — E já te digo logo, morena... isso só me deixa ainda mais certo do que quero.
— VH... — protesto baixinho.
— Agora mesmo que cê é só minha. — Resmunga.
— Não...
Ele me interrompe.
— Agora é que não tem volta, morena. — Ele fala. — Cê me entrega uma bomba dessas e espera o quê? Que eu divida? Que eu deixe tu sair por aí como se não fosse nada?
Meu estômago se contrai, e remexo a batata, sem olhar para ele.
— Eu só achei que você tinha o direito de saber...
— Direito? — Ele ri, curto, sem humor. — Agora não é mais sobre direito. Agora é sobre fato. — Seus olhos se estreitam, a voz arrastada, firme. — Tu é minha. Sempre ia ser... mas agora eu não deixo nem dúvida. Quem olhar pra você, eu arranco o pescoço. Quem encostar, eu mato.
Um arrepio sobe pela minha espinha, me deixando sem ar.
— Não fala assim... — sussurro, mesmo sem convicção.
— Te assustei? — Pergunta, um sorrindo levemente.
Dou de ombros.
— Só quero que as coisas fiquem claras entre nós, só isso.
— Eu entendi. — Mordo a minha bochecha.
Termino de beber a minha coca-cola e confiro o horário. Quase quatro e preciso estar na faculdade as nove.
— Preciso acordar daqui a pouco. Vou ir dormir, Vh. — Murmuro, me levantando.
Deixo o celular ainda apoiado e começo a recolher a minha bagunça e deixar a casa limpa. Viro-me de costas para a câmera para jogar as embalagens na lixeira.
Ouço um assobio baixo vindo do celular.
— Que foi? — pergunto, me virando de leve, desconfiada.
— p***a, morena... — VH murmura, a voz rouca, arrastada. — Tu tem noção do que faz comigo? Desfilando de shortinho, se abaixando assim na minha frente... e eu preso aqui.
Meu rosto esquenta.
— Eu só tava juntando a bagunça. — Tento justificar, mordendo o lábio.
— Tu não tem noção do quanto é gostosa, morena... do quanto me deixa maluco só de andar por aí nesse shortinho.
Sinto meu rosto esquentar, as pernas quase bambas.
— VH... — protesto, sem forças.
— Bonita do caralho... — ele solta, a voz baixa, lenta, como se saboreasse as palavras.
Meu coração dispara, um nó se formando na garganta.
— Eu vou... ir dormir. Boa noite.
Ele sorri.
— Boa noite, sonha comigo! — Murmura, antes de desligar.
**
Quer acompanhar de perto, comentar as postagens ou trocar ideias sobre a história?✨ Me segue no i********:: @EVERESTF0 Adoro conversar com vocês por lá! 💬💖