Intrigado

1060 Palavras
Cândida mostrou a casa que seria o novo lar de Flor e Pedrinho, eles gostaram, era uma casa pequena, mas bonita e arejada, poderiam ser felizes ali se não fosse a teia de mentiras que estavam e nem sabiam quão grande poderia ser. __ Vou começar a limpar. __ Menina descanse, você já começa trabalhar amanhã e ainda se comprometeu a pintar a casa. A casa só faltava mesmo uma pintura, estava em perfeito estado. Era a casa mais próxima que tinha da mansão Vitorino, da varanda do quatro de Dante, era possível ter uma visão plena da janela de um dos quatros que Flor escolheu como dela por ser maior e também da pequena varanda da casinha. __ Nada disso Cândida, o senhor Vitorino disse que eu preciso de privacidade mas acho que ele é quem precisa e não vou e nem quero incomodar, fui incômodo por muito tempo em uma casa que minha mãe deixou para mim mas que nunca foi minha, nunca foi meu e agora... Flor percebeu que falava demais e ela não poderia cometer erro. __ Continue menina. __ Melhor não Cândida. Depois que almoçaram, Flor passou o restante da tarde pintando a casa, Pedrinho brincava como jamais havia brincado. Cândida se despediu de Flor, ela iria para sua casa na cidade. Flor pegou suas coisas e pensou que poderiam ficar na casinha, mesmo com o cheiro de tinta forte, ela se sentia intimidada pelo patrão, o olhar dele era como fogo sobre sua pele. Era noite, Flor organizava umas coisas enquanto Pedrinho assistia, Cândida tinha pedido a um dos colhedores que instalasse a televisão que estava em um dos quatro da mansão na casa de Flor, ela disse que que crianças gostavam de assitir e era verdade. Flor se assustou com as batidas na portas, eram leves mas ainda assim ela se assustou, fez sinal para Pedrinho se manter em silêncio, perguntou quem era. __ Sou eu Florence, Dante. Ela abriu. __ Flor, porque não cumpriu o combinado? Ela ficou confusa, mas achou que poderia ser a janta dele. __ Eu achei que começaria somente amanhã, me perdoe. __ Flor, o combinado foi que você ficaria na minha casa até tudo se organizar por aqui, vi que mexeu com tinta Durante toda a tarde, o cheiro está forte. __ Não está tão r**m. __ É a saúde do seu filho também que está em jogo. Dante pensou que era bom conversar com ela. __ Já jantaram? Flor ficou calada. __ Claro que não né, o que vocês comeriam se não fizeram compras e nem tem supermercado aqui por perto? apague as luzes Flor, vamos para casa. Flor não respondeu, apenas obedeceu, Pedrinho também já tinha reclamado de fome, mas não seria a primeira vez que dormiriam com o estômago roncando. Dante acompanhou Flor e Pedro, era um silêncio ensurdecedor. Ele os conduziu para a cozinha. __ Talvez o garoto tenha nascido mudo porque você é quase uma. Flor olhou para ele indignada. __ Eu estou brincando Flor, é só uma brincadeira de m*l gosto pra vê se você pelo menos decide conversar discutindo. Ele queria ouvir a voz dela, era doce. Pedrinho sorriu, não era uma criança de sorrir fácil. __ Podemos comer?... Flor perguntou. __ Pra quem não queria. Dante esquentou uma torta que tinha na geladeira, também tinha um suco, não costumava comer comidas pesadas durante a noite. __ Flor, porque saiu da cidade grande pra vim parar em um lugar como esse? Ele queria saber sobre ela e também quebrar o clima que tinha ficado, o silêncio. __ É complicado. Ele entendeu, ela não queria falar. Com a ajuda de Dante Flor deixou a cozinha organizada. __ Vem vou mostrar para você o quarto aonde vai ficar e o quarto do menino. __ Dormimos juntos. __A casa tem quarto suficiente para cada um dormir no seu. Flor e Pedro dormiam juntos em uma única cama para se protegerem. __Estamos acostumados dormir juntos. __Pedro já tá um menino grande né rapaz ? Dante bagunçou os cabelos de Pedrinho que sorriu novamente. __ Já já começa com namoradinha e aí você não vai ficar entre ele e a namorada né? Dante percebeu que Flor estava nervosa, ela apertava as mãos em sinal de buscar controle. __Fique tranquila Flor, você e o menino estão seguros aqui, não tem porque se preocupar. Dante estranhou, Flor e Pedrinho tinham apenas duas mochilas. __ Talvez seja o caso de Cândida procurar outra pessoa, parece que veio pra ficar por pouco tempo. Ela entendeu a indireta por conta que traziam poucas coisas. __ Não tínhamos muita coisa pra trazer. __ Amanhã você vai na cidade comprar o que vai precisar, receberá o ticket refeição e também o adiantamento do salário, pode comprar roupas. Ela se limitou em balançar a cabeça em concordância. Dante ficou se perguntando porque estava conversando tanto e perguntando tanto, porque ouvir a voz dela era bom e Isso o incomodou. Dante observou o cuidado de Flor com Pedro, achou que ela era uma mãe jovem mas ainda sim uma ótima mãe. __ Se sentir medo me chame meu amor, a sua Florzinha estará logo ao lado. O menino deu um beijo no rosto dela, ia dizer que a amava mas não poderia. Flor saiu do quarto. __ Precisa de mais alguma coisa? __ Não e você Flor? Ela balançou a cabeça em sinal de não. __ É sempre assim? Ela o olhou interrogativa. __ Responde sempre balançando a cabeça? __ Se não vai mais precisar de mim, vou me recolher e Dante, obrigada por me receber com Pedro. __ Não o deixaria né? __ Nunca, ele é Tudo que tenho. __ E sua irmã? __ Boa noite Dante. Ela saiu mas ele a parou. __ Espero que goste de ser acordada pelos galos. __ Se soubesse como éramos acordados, teria certeza que sim, que gostarei do canto dos galos. Ele ficou intrigado com a fala dela, até quis saber mais, mas ela deu boa noite e se retirou. Dante por muito tempo pensou que ninguém fosse capaz de abalar sua estrutura que ele achava inabalável, era um homem firme e até considerado frio, embora Cândida não concordasse, mas descobriu que Flor era capaz de abalar seu mundo inteiro tirando qualquer tipo de sanidade que ele tivesse. Mas ele não arriscaria, não enfrentaria a rejeição.
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