Abraço

1162 Palavras
Não passou despercebido aos olhos de Dante , que antes que Flor se recolhesse para o quarto que dormiria, Ela trancou a porta do quarto o qual Pedrinho dormia e apertou a chave em sua mão como se a segurança do menino dependesse daquilo, ele sabia que ela ainda não confiava nele, poderia ter até ficado chateado ou ofendido, mas pelo contrário, ele percebeu que ela estava protegendo o filho, Dante achou Flor uma mãe excelente e gostou disso nela. Flor escovou os dentes e se deitou, já havia tomado banho mais cedo, olhou as notificações do celular e viu que tinha várias mensagens da irmã. Não abriu nenhuma delas, no fundo Flor ficou agradecida por não precisar ficar juntamente com o sobrinho no mesmo espaço que Rosa, mas ela também tinha certeza que a irmã não a deixaria em paz. Flor estava cansada, ainda pela viagem, o dia também foi cansativo, ela pintou praticamente a casa inteira em uma única tarde, ela queria estar na casa de Dante Vitorino somente a trabalho. Teve pesadelos horríveis, sonhou com Rosa, com o pai e até com um homem o qual ela não viu o rosto, mas que sabia no sonho que era o pai de Pedrinho. Flor acordou assustada e suada, abriu a janela, recebeu a brisa fria que vinha do lado de fora, decidiu ir tomar água, ela tentou evitar descer e sair do quarto, tentou mesmo, mas estava com muita sede, ela desceu as escadas nas pontas dos pés, pedindo a Deus para que Dante Vitorino não acordasse. Ela colocou a água no copo, bebeu alguns goles e ouviu uma janela batendo, decidiu fechá-la, o vento era forte e fazia barulho. Quando Flor tocou na janela para fechar, sentiu um hálito quente em seu pescoço, ela paralisou Dante era como uma sombra andava sem que ninguém o percebesse. Ele aspirou o cheiro do perfume dela e também dos cabelos vermelhos nunca tinha visto um pescoço tão lindo quanto o de Flor. Flor se virou lentamente nas pontas dos pés, estava trêmula e o coração acelerado, ela tinha certeza que Dante era capaz de ouvir os batimentos do seu coração. Ela foi tomada pela imensidão do olhar de Dante, Flor sabia que o olhar dela carregava medo, muito medo, mas viu no olhar de Dante dor e sentimentos indecifrávei. Ela engoliu a seco, o olhar compenetrante dele. __ Me desculpe se te acordei, não tive a intenção. Dante permaneceu calado, ele não só tentou desvendar Flor, mas também a admirou, ela ficou ainda mais linda com as luzes reluzentes da lua batendo em seus cabelos através do reflexo da janela, Quem era aquela mulher que desde que ele bateu os olhos e sentiu o cheiro, pertubou a sua mente? Dante foi fechar a janela e acabou prensando Flor contra o seu próprio corpo, foi meio que irracional, ele queria sentir o cheiro perturbador dela, viu o exato momento que ela fechou os olhos em agonia, ele tocou no braço dela delicadamente para dizer que estava tudo bem, que não ia machucá-la, mas antes que o fizesse, Flor começou a se debater e a chorar. __ Não, por favor não, por Deus não. Ela não abria os olhos. __ Ei Flor. De repente foi como se um alerta tivesse ligado em Flor e ela chegou a pensar que o motivo de estar naquela casa, fosse porque sua irmã a tinha vendido para Dante ou entregado em alguma dúvida, Rosa sempre a ameaçava com Isso e que agora Dante a queria para si, porque ela era patrimônio dele. __ Pelo amor de Deus, não faça isso, eu imploro, não, não... Dante abraçou Flor na intenção de acalmá-la triste ilusão ela entrou em total desespero. __ Eu trabalho, eu juro que eu trabalho, eu pago, mas não me toque por favor, por favor, não me toque. Dante entendeu, Flor estava com medo de ser tocada sem a sua permissão. __Eu pareço um monstro por conta das cicatrizes, mas não sou, não sou um bárbaro, Não precisa ter medo de mim, não vou machucá-la, eu jamais machucaria uma mulher, mesmo quando uma mereceu, Eu Não machuquei e não machucaria você. Dante soltou Flor. Flor deslizou para o chão, ainda chorando, foi como se as lembranças tivesse vindo profundo, batendo forte nela, ela se lembrou do pai, se lembrou dos toques indesejados, do homem asqueroso, ela se lembrou dos gritos implorando para que ele não a tocasse, se lembrou de sua mãe a protegendo, de Rosa sorrindo do seu desespero e de Pedrinho colado ao corpo dela Como uma barreira de proteção infinita. Dante ficou extremamente incomodado ao ver Flor chorando, ele não gostou de vê-la daquela maneira. Ele se ajoelhou aos pés dela, sabia que não podia tocá-la, mas também não poderia deixar Flor, naquele estado, daquela forma a qual ela estava. Dante pensou que Pedrinho poderia acordar e ficar assustado achando que ele tinha tentado algo contra sua mãe, algumas crianças temiam Dante pelas cicatrizes e pela expressão m*l humorada, mas ele gostou de Pedrinho e não queria que o menino tivesse medo dele, até porque Pedrinho havia lhes oferecido sorrisos, que criança nenhuma jamais lhes ofereceu depois do acidente. __ eu juro para você que não vou machucar ela falou mas por Deus se acalme não quero que o menino que esteja lá em cima me tema. Por muito tempo Flor chegou a pensar que se o pai de fato quisesse abusar dela, ele teria conseguido, ela era frágil e não tinha força nenhuma para lutar contra aquele perverso, ela chegou a imaginar que era mesmo só para amendrotá-la e deixá-la com medo, o homem era um monstro. Flor olhou para Dante, não deveria acreditar nele, não deveria, mas ao invés disso se lançou nos braços dele e chorou ainda mais, o mundo tinha sido injusto demais com ela, Quem deveria protegê-la quase a machucou, e de repente se deparou com um homem jurando que não a machucaria, Dante ficou sem reação ele tinha medo de tocar em Flor e que ela se assustasse ainda mais, mas acabou cedendo, a abraçou em sinal de proteção, Mas também de respeito. Dante e Flor descobriram em um abraço que não sabia qual dos dois necessitava Mais de um abraço como aquele. Flor era abraçada por Pedrinho, com as mãos pequenas e bracinhos finos, ele entregava a ela em um abraço um amor incondicional. Já Dante era abraçado por Cândida, com cheiro de mãe e um abraço acolhedor. Mas o abraço deles foi diferente, tinha algo que eles não sabia explicar, mas ficaram ali abraçados. Flor com a sensação de segurança e Dante com a sensação de alívio, alívio porque há muito tempo uma mulher não lhes abraçava sem nojo e sem querer nada em troca. Dante amparava Flor enquanto ela chorava, Ele ouviu e percebeu, quando a respiração dela foi se acalmando, era possível ouvir somente os soluços baixos, ela dormia em seus braços ainda soluçando.
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