Apesar de inicialmente Lorena não ter gostado de Bruna, depois de um tempo sem conseguir se livrar da garota que literalmente grudou na ruiva, Lorena passou a ver a ex repórter com outros olhos. Bruna contou a ela sua história...
- Eu tinha recém me formado e já comecei a trabalhar em um dos jornais mais respeitados da cidade onde morava. Não demorou e comecei a receber algumas propostas de emprego em jornais de fora. Era a minha chance, estava prestes a aceitar um emprego em São Paulo, sou do interior do Paraná, isso para mim já era uma grande Vitória. Até que recebi um direct do jornal local daqui, o NB Notícias. É claro que aceitei, era a realização de um sonho. Mas foi pura ilusão. Na minha cidade pequena, eu estava sempre na mídia, e isso foi essencial para o meu crescimento profissional. Eu investigava, montava a matéria, corria atrás de matéria, tinha uma pequena participação em um programa, trazendo as notícias, ia para a rua fazer reportagens, Eu amava aquilo. Mas quando cheguei aqui, me queriam apenas para os bastidores. Eu não tinha mais os holofotes em mim. Mas tudo bem, eu pensava, são só etapas, não posso chegar agora e já querer ficar na janela, né... então fui fazendo meu trabalho sempre muito bem, me dedicando muito. Um dia, a pauta era sobre corrupção. Haviam sido presos alguns policiais e políticos envolvidos com o tráfico. Era só para eu fazer a parte escrita sobre a cobertura que um outro colega faria. Mas passei a me interessar muito no caso, vendo que haviam muitas coisas ocultas ali, principalmete quando eu citei em alguns trechos, colocando minha visão, e meu chefe me pediu para retirar esse trecho. E ao questioná-lo sobre o que havia de errado, ele apenas me respondeu grosseiramente que eu não era paga para dar minha opinião pessoal, e que a ordem que me havia sido dada era para que eu colocasse em texto a matéria do meu colega. Me senti um nada com isso. Voltei para minha sala, arrumei a matéria, deixei como ele queria e comecei a me perguntar o por que disso. E esse foi meu grande erro. Comecei a investigar mais a fundo sobre o assunto e descobri ligações surpreendentes. Fiz uma matéria completa sobre isso, montei um verdadeiro dossiê, que levavam a crer que havia uma forte ligação entre Brasília e uma facção. Eu não tinha provas suficientes para tal acusação, mas tinha muitos fatos que poderiam abrir uma investigação mais a fundo sobre o caso. Mostrei essa matéria ao meu chefe e esse então me esculachou, disse que minha matéria não tinha nenhum fundamento, e que ele não me pediu para fazer isso. Que se eu não parasse de agir por conta própria me colocaria na rua. Fiquei muito triste e com raiva pela situação, e no mesmo dia, fui em outro jornal, me apresentei e fui muito bem recebida. Pedi emprego lá e me contrataram. Pedi demissão do outro jornal e meu chefe ficou louco, se recusou a me dar referências e até me ameaçou, jogou meu notebook de trabalho, que era fornecido pela empresa no chão, quebrando e dizendo que eu não poderia usar matéria nem investigação nenhuma que fiz enquanto estive ali, ou ele iria me processar e acabar comigo. Como não sou boba, já havia criado várias cópias da matéria, que estavam bem seguras. Sai de lá de cabeça erguida, pois não aguentava mais tanta censura e manipulação. No outro jornal me deram carta branca e eu pude voltar a fazer o que eu gostava. Iniciei matérias e reportagens sobre os casos de corrupção, criei pautas, fui as ruas e comecei a dar muito palco para o assunto, que na maioria dos veículos de comunicação vinham sendo abafados. Não demorou para começar a perseguição contra nós. Mas por sorte, minha chefe tinha os mesmos ideais que eu, e lutamos juntas bravamente pelo nosso direito a liberdade de expressão. E quando perdemos, quando conseguiram temporariamente nos calar, o nome do jornal crescia muito entre a população e nas redes sociais, por consequência, claro, meu nome também estava no auge. E foi nessa época que mostrei a minha então chefe minha matéria censurada pelo outro jornal. Ela ficou doida com o tanto de informações importantes que haviam ali, mas nós não podíamos simplesmente jogar isso na mídia, já tínhamos total conhecimento que estávamos mexendo em um vespeiro, e que isso era muito perigoso. Foi aí que tive a ideia de levar isso a um chefe de polícia que era meu conhecido e que eu sabia da índole. Mostrei tudo a ele, que ficou perplexo. Ele queria levar a matéria até o superior dele, para que assim, fosse oficialmente aberta uma investigação sobre o caso. Eu aceitei, mas pedi para minha identidade ser mantida em segredo, pois eu sabia do perigo que corria mexendo com isso. Eu confiava nele. Algum tempo passou e não vi mais ninguém falando sobre o assunto, tentei ligar para ele várias vezes, mas sem sucesso. Alguns dias depois soube que ele estava desaparecido, já na hora me veio a cabeça que tinha relação com a matéria. Procurei a esposa dele, nos encontramos e ela disse que temia que ele tivesse sido morto. Haviam pego seu filho pequeno, e ele saiu desesperado de casa prometendo a ele que salvaria o menino, depois disso, a criança voltou para casa, mas ele nunca mais deu notícias, e seus colegas de trabalho a aconselharam a manter isso em sigilo, pois eles pessoalmente investigariam o caso, mas se passou quase um mês e nada foi feito, nem noticiado o desaparecimento, ela temia por sua vida e de seu filho, por isso permaneceu em silêncio. Me senti muito m*l por ter envolvido ele nesse assunto. Alguns dias depois, seu corpo foi encontrado em um rio. Ele havia sido assassinado, e o laudo da Polícia concluiu que foi assalto seguido de morte. Mas eu e a esposa dele sabíamos que não era isso. Ajudei ela a ir embora com o filho para longe, onde ficariam seguros. Eu me sentia muito culpada pela situação. Aguardei até que a família dele estivesse bem longe e falei com minha chefe que iria me desvincular do jornal dela para não prejudicar e que, iria expor tudo que eu sabia nas redes sociais, como uma forma de me proteger também. Mas antes que pudesse fazer isso, saiu uma matéria feita pelo meu ex chefe que me odiava, onde em uma conversa com o senhor presidente, eles me detonaram, me taxando como louca, acabaram com minha reputação inventando muitas mentiras a meu respeito, fui processada pelo estado, pelo meu antigo chefe, e pelo chefe de polícia. Fui presa injustamente e fiquei por dois meses atrás das grades, sofrendo muitas ameaças, sem nunca ter cometido crime algum. Paguei um ano de serviço comunitário. Minha antiga chefe perdeu o jornal. Nunca mais consegui emprego aqui e virei uma piada. Foi aí que juntei o que tinha de dinheiro e sai do país, em busca de recomeçar. Tudo que passei me incentivou a explorar mais meu lado investigativo, e lá fora, estudei e me dediquei muito a isso. Tenho ganhado a vida como detetive particular. Persigo maridos e esposas infiéis, filhos rebeldes, amantes que ameaçam homens poderosos, e por aí vai... decidi deixar para trás tudo aquilo que passei, entendi que mexer com esse tipo de gente não me levaria a grandes reconhecimentos, mas sim a sete palmos da terra. Entendi o recado deles e deixei tudo no passado. Porém, meu ódio por essa gente nunca vai passar.
Lorena ficou perplexa com a história de Bruna, e o por que ela estaria lhe contando sobre isso, e ao questioná-la, ficou ainda mais surpresa...
- Eu sei que você faz parte disso. Mas não acho que você seja a vilã. Acompanhei sua história, sei de tudo que você passou. Acredito que você seja também uma vítima disso. Eu sei o quanto você é boa para quem te rodeia, sei das inúmeras vidas que você mudou na comunidade. Não estou te contando com nenhuma intenção oculta. Apenas por que realmente gosto de você, admiro sua força e sei de tudo que você viveu. Eu te acompanhava desde as lives de maquiagem. Não vejo trevas em você, pelo contrário, vejo uma grande luz. Só te contei para que você saiba que não está sozinha em meio às injustiças que os mais fortes fazem com os mais fracos. E que, se quisermos deixar tudo para trás e recomeçar, sempre haverá uma saída. Sei que você não é má. Desculpe pelas coisas ditas, eu só senti a necessidade de falar com você, não sei o por quê... só segui meu coração. Te admiro muito e torço muito pela sua libertação e felicidade.
Ao terminar de falar, Bruna se levantou e disse que precisava ir embora. Se despediu de Lorena com um abraço inesperado, a deixando completamente sem palavras e sem ação. A Ruiva ficou pensando em tudo que ouviu da garota. Cumpriu sua agenda em Brasília e voltou para sua casa, mas Bruna não saia de seus pensamentos. Começou então a investigar a veracidade das coisas que havia ouvido dela, e constatou que ela realmente havia falado a verdade. Investigou também sobre a morte do policial. Não haviam falhas em nada que a jovem lhe disse. Outro fato também que lhe chamou a atenção foi que, tudo começou logo após a queda de Thomas e da facção rival, onde Lorena foi presa e viveu seus piores dias.
Ela ficou intrigada demais com a história e o que poderia estar por trás de tudo, ou quem. Ficou doida para saber o que Bruna sabia de tão grave. Descobriu o contato de Bruna, a stalkeou em suas redes sociais. Passou horas com o w******p aberto, olhando para o contato da garota e pensando se deveria falar com ela, e o que deveria falar. Mas não criou coragem para isso. Parecia absurdo mexer com um assunto que estava morto. Mexer com mais pessoas poderosas. Sua vida estava boa assim, estava tranquila e sem confusões a tanto tempo, que começava a gostar dessa paz. Que motivos ela teria para estragar isso por algo que nem lhe dizia respeito?