Novas amizades

1052 Palavras
Ao investigar sobre a vida do novo morador da comunidade, Lorena não encontrou nada que pudesse ser suspeito, porém, ao ligar para os contatos de referência que Anderson deixou, não foi atendida em nenhum, e constatou que um dos números, inclusive, não mais existia. A Ruiva então ligou para um de seus contatos de confiança da polícia e lhe pediu para levantar informações sobre aqueles números, como em nome de quem havia sido cadastrado. Porém, seu contato não poderia lhe ajudar dessa vez. Havia sofrido um acidente e estava hospitalizado. Lorena então continuou investigando como podia, e continuou a ligar para os números, até que um deles atendeu... - Alô, quem fala? - É o Bruno. - Olá, Bruno. Sou Ana, trabalho no setor de relações humanas de uma empresa, e estou com um Curriculum em mãos. Preciso checar algumas informações do candidato, você tem um minuto para falar comigo? - Ah sim, claro! (Bruno, que era um dos policiais que fazia parte da operação de infiltração, já sabia de quem se tratava, e o que tinha que falar já havia sido ensaiado várias vezes). - Bom, o nome é Anderson Ribeiro. Aqui diz que foi seu funcionário durante nove anos... confirma essa informação ou não sabe de quem se trata? - Sim, confirmo. Inclusive foi um dos meus melhores funcionários. Um ótimo rapaz, trabalhador e esforçado. - Que ótimo! Mas, por que ele saiu de sua empresa? - Eu acabei me individando demais e a empresa infelizmente faliu. Acabei fechando e dispensando os funcionários. - Sinto muito... sua empresa fica onde mesmo? O policial passou a Lorena todas as informações que ela queria saber, exatamente como havia combinado com Anderson, e de uma forma que não restou nenhuma suspeita da moça. Então ela decidiu que deixaria o rapaz refazer sua vida na comunidade em paz, já que não havia nada contra ele. Alguns dias depois, Lorena teve de viajar a Brasília, onde deveria passar alguns dias devido a reuniões importantes que aconteceriam. Em seu tempo livre, foi convidada por alguns colegas a participar de um evento que estava acontecendo na cidade. Como estava entediada e sabia que estreitar os laços com as pessoas dali lhe abririam muitas portas, resolveu aproveitar a oportunidade para conhecer melhor seus colegas de trabalho, com quem tinha muito pouco contato. Ela foi com o pai e mais quatro pessoas. O evento era meio chato, coisa de rico mesmo, sem graça e sem muitos atrativos. Lorena não gostava muito dessas coisas. Mas, era apenas um evento beneficente, porém, o que o tornava grandioso era que estavam presentes os maiores nomes da sociedade, inclusive o senhor presidente da República e sua família. Esse, ao notar a presença da ruiva, pareceu um tanto quanto incomodado, e isso lhe intrigava, pois ela nunca havia tido uma conversa diretamente com ele, essa podia ser sua chance, porém, percebeu que ele parecia não gostar dela, então permaneceu em seu canto, interagindo apenas com aqueles que lhe aceitavam. Ainda havia muita indiferença com Lorena nesse meio, muitos não a aceitavam e se sentiam incomodados com sua presença. Ela sabia disso, mas não se importava mais. Ela conseguiu o que precisava, se tornou um deles e fez por merecer a cadeira que ocupa, e tem lutado para honrar os votos que recebeu da comunidade, mesmo tendo que fazer tudo que o chefe manda. E além disso, ela não precisava mais suportar aquelas pessoas por tanto tempo, era só de vez enquando, agora que não precisa mais residir em Brasília. Um tempo após o discurso do presidente, Lorena notou que ele havia sumido de lá, e ao comentar com uma colega sobre não tê-lo mais visto, essa então lhe falou que viu ele saindo em direção ao estacionamento com a esposa e os filhos e que deveriam estar indo embora. Lorena achou estranho uma pessoa ir embora tão cedo de um evento desses, sem nem ao menos comer, para compensar o valor tão alto da entrada, que ela achava absurdamente cara, porém, sabia que não havia nada de estranho nisso, pois ele era o presidente e certamente nunca ficava até o fim em evento nenhum. Depois do jantar, a ruiva saiu dar uma volta pelo Jardim, pois já estava cheia daqueles papos chatos de políticos, mesmo sabendo que também é uma. Em seu breve passeio solitário, ela conheceu uma jovem que lhe cumprimentou e veio lhe dizer que a admirava muito. Lorena ficou surpresa com aquilo, mas agradeceu, meio sem jeito, achando, no fundo, que era apenas mais uma puxa saco querendo algum benefício. A jovem então se apresentou... - Me chamo Bruna. Era uma das repórteres mais bem remuneradas e reconhecidas dessa cidade. - E não é mais? - Não. Fui demitida, tive a imagem manchada por algum desses vermes corruptos, e nunca mais consegui emprego nesse ramo. Tive que abandonar a carreira e o sonho. - Sinto muito... Lorena ficou meio sem jeito, pois ela também fazia parte e provavelmente estava inclusa no "vermes corruptos", mesmo sem ter nada haver com o que houve com a moça. - Pois não sinta. Agora sou uma detetive particular. No início entrei nessa para acabar com eles, mas agora, depois de muita coisa r**m que aconteceu em minha vida, percebo que é perda de tempo se meter nisso. Eles se destruirão sozinhos algum dia. Ainda acredito na lei do retorno. - Que ótimo! Fico feliz por você... Preciso ir ao banheiro, você sabe onde é? Lorena não precisava ir ao banheiro, só estava se sentindo desconfortável com a conversa. Então a moça disse: - Sei sim. Te levo lá. - Ah, não precisa. Não quero atrapalhar. Só me explicar que eu acho... - Não vai atrapalhar, pelo contrário, não vejo a hora de poder ir embora disso aqui. Só estou aqui para representar a empresa a qual presto serviços, que é uma das doadoras de uma quantia alta para o evento. Lorena concentiu fazendo um gesto com a cabeça e as duas andaram pelos corredores até o banheiro. A garota não parava de falar, era como se tivesse engolido um papagaio e Lorena não aguentava mais o desconforto que sentia. Ela sabia que a culpa não era da moça, mas estar nesse meio também não era uma escolha que a Ruiva faria, caso tivesse outras opções.
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