Capítulo 5 Lorde

1172 Palavras
Vejo ela saindo e a vontade que eu tenho é de puxar ela pelos cabelos e fazer ela me encarar. Quem essa p***a pensa que é para falar assim comigo? Mesmo eu tentando apenas ajudar ela, p***a! Eu sei que ela está sofrendo por ter voltado hoje e provavelmente a mente dela deve estar perturbada por todas as lembranças. c*****o, só porque ela está m*l não significa que pode sair por aí descontando sua frustração nas pessoas. Penso comigo irritado. Quando viro para ir embora, Fumaça vem até mim. — Foi m*l aí, parceiro. Eu sei que, mesmo que eu me desculpe por ela, não é a mesma coisa. Mas eu só peço que tenha paciência. Os últimos meses foram mais complicados do que todos os outros, houve uma época em que ela até estava tentando sobreviver dia após dia, mas hoje ela desistiu de tudo, parceiro. Até mesmo quando ela está trabalhando como médica, que sempre foi seu sonho, ela não tem mais brilho no olhar. É triste pra caramba ver como ela está perdida dentro dela mesma. Por isso, achamos que era melhor trazê-la de volta para o Brasil. No entanto, ao observar como ela tem agido desde que pisou no morro, já nem sei se essa foi a melhor escolha. — Mesmo que ela esteja sofrendo, não pode sair por aí descontando suas frustrações nas pessoas. — Já puto, deixo ele sozinho e sigo para fora. Vou para o meu morro, onde ganho mais. Quando estou prestes a entrar no carro, vejo a mesma morena que sentou no meu colo agora pouco, se aproximando de mim. Ela passa as mãos pelo meu corpo. — E aí, gatinho, me deixa tirar o teu estresse? — Ela diz com cara de safada. Antes mesmo que eu consiga responder alguma coisa, ela beija minha boca. Consigo sentir o gosto de Halls, misturado com cerveja. Ela começa a me beijar, passando a mão pelo meu corpo. Em seguida, ela desliza a mão para baixo até chegar no meu p*u. Deixo ela me tocar, até que sinto pares de olhos queimando minha pele. Enquanto retribuo o beijo, procuro ver de onde vêm as olhadas. É quando eu ergo a cabeça que vem a surpresa. Maitê está me olhando da janela, e consigo ver o nojo estampado em seu rosto. Sei lá, isso mexeu comigo, acabo soltando a morena que estava comigo e saiu cantando pneu. Acelero o carro, deixando para trás a cena inesperada com Maitê. O som do motor se mistura com a música que ainda ecoa em meus ouvidos. Enquanto dirijo pelas ruas, tento afastar os pensamentos confusos que tomam conta da minha mente. A fala de Fumaça vem à minha mente e um bagulho estranho surge no peito. Será que a mina tentou se matar? O olhar dela de nojo, me encarando daquela janela, é como mais uma pancada no meio do meu estômago. — Mas que merda tá acontecendo comigo? — Falo bravo, batendo no volante do carro. Chego ao meu morro e vejo que tudo está na santa paz. Desço do carro, respirando fundo, tentando esquecer o olhar de desaprovação de Maitê. — Mas, que c*****o! Por que estou me importando com o que aquela diaba acha ou não? — Penso ainda mais irritado. Saio de meus pensamentos, quando chego em casa e encontrei minha irmã no sofá, envolta em lágrimas. — O que aconteceu? Por que está assim? — pergunto, preocupado. Ela levanta a cabeça, os olhos inundados de tristeza. — Não é nada… Só estou com saudades do papai e da mamãe. Me sinto tão sozinha — diz, entre soluços. Sento-me ao seu lado, abraçando-a com carinho. — Eu também sinto, pequena. Mas acredito que logo o coroa sai de lá. Me desculpe por não estar tão presente. — Enquanto abraço minha irmã, sinto a responsabilidade de ser mais presente em sua vida. As lágrimas dela são como um eco das minhas próprias tristezas e é difícil não me deixar envolver por esse sentimento de solidão que paira sobre nós, desde a partida de nossos pais. — Prometo que estarei mais por perto, pequena. Nós dois precisamos um do outro para enfrentar esses dias difíceis. — Digo, acariciando seus cabelos. Ela apenas assente, mas seus olhos refletem uma mistura de tristeza e gratidão. Nos dias que se seguiram, esforcei-me para ser mais presente na vida da minha irmã. A rotina no morro continuava intensa, mas sempre encontrava um tempo para estar ao seu lado, seja ajudando com os estudos ou apenas compartilhando momentos de descontração. No entanto, ao anoitecer, todas as noites eram iguais. Antes, era apenas uma insônia que me acertava, mas nada que um fininho não ajudasse. Agora, todas as noites, os olhos julgadores e de nojo daquela diaba loira pairavam sobre mim. Cada olhar dela era como uma faca afiada, cortando as camadas frágeis da minha paz noturna. Estou na minha sala quando o Sombra entra. — Perdeu a mão, c*****o? — Grito irritado. — Que isso, hein? A insônia tá te dominando. Já deu uma hoje pra ver se passa esse estresse? — Ele diz sem se importar. — Sabe, acho que eu já sei do que precisamos para relaxar. Vamos fazer um baile no sábado, o que acha? — Pergunto pro Sombra. — p***a, parceiro! Agora sim está falando a minha língua. — Diz todo animado. — Então, bora agilizar as paradas que já estamos atrasados. A preparação para o baile estava a todo vapor. Enquanto o sombra e eu cuidamos dos detalhes, a movimentação no morro aumentava, todos ansiosos para a festa. Sinto um calafrio quando vejo minha irmã se aproximar com aqueles olhinhos pidões dela. — Eu vou poder ir, né? — Ela pergunta, parecendo o gato de botas. — Por favorzinho, eu prometo me comportar. — Tá, tá, você vai. Mas se começar a passar vergonha, vou mandar os vapor te tirarem de lá, estamos entendidos, né? — Sim, sim, eu prometo. — Ela diz pulando em meu colo toda contente. — É… mais uma coisinha, você poderia me dar um dinheiro para comprar roupa e ir no salão? — Ela faz aquele biquinho irresistível. — Lógico, pequena, o que é meu é seu. Ela sai toda saltitante pela casa. Queria que minha irmã tivesse mais amigas, ela é sempre tão solitária. No dia seguinte… Cheguei na pista do baile, a atmosfera estava pesada de expectativa e animação. O som alto dominava o ambiente, as luzes piscavam e as pessoas dançavam ao ritmo envolvente do funk. Avistei a galera do morro, os parceiros, as minas, todos curtindo a festa. — Esse baile promete, hein! — Falei para o sombra, ao meu lado. — Com certeza, vamos aproveitar. Tá todo mundo ligado na parada. — Ele respondeu, animado. Enquanto a noite avançava, mergulhei na energia do baile, tentando deixar para trás as preocupações que me assombravam nos últimos dias. Mas como provavelmente ela não virá, eu estou de boa, vou curtir minha noite e ficar com minhas mina em paz.
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