Rebeca Vasconcellos Prado A panela no fogo borbulhava baixo, perfumando o ambiente com alho, cebola e um restinho de esperança. Alessandro estava atrás de mim, cortando os legumes com uma destreza que me dava calor. Não era pela faca. Era pelo homem. Ele de camiseta preta, calça de moletom, cabelo molhado do banho, e aquele olhar... Aquele maldito olhar de quem já prendeu dois monstros e ainda tem tempo de ser o meu herói de avental. — Acho que agora a gente vai ter um pouco de paz — falei baixo, misturando o molho na panela. Ele parou o corte. — Vai, sim. — disse, com a voz firme, como se estivesse selando um contrato. — Eles estão atrás das grades. E eu... tô aqui. Com você. Virei devagar. Nossos olhos se encontraram. E por um segundo, tudo parou. O cheiro do tempero. O baru

