— Sim. Desculpe. — Ela hesitou observando de perto os olhos daquele homem.
Eles eram tão azuis que por um breve momento se perderam neles. Mas então ela voltou à realidade e se separou de Guilherme como se sua proximidade fosse de repente demais para sua estabilidade mental.
— Peço desculpa, não te reparei — disse antes de retomar a marcha e caminhar em direção à saída.
No caminho para casa, Aurora não conseguiu tirar esse olhar azulado de sua mente. Ela deitou a cabeça na janela do táxi pensando naquele homem bonito que a segurou em seus braços. Ele balançou a cabeça tentando pensar em outra coisa e se concentrou nas notícias que recebeu do médico.
Demorou menos de dez minutos para chegar à residência onde morava com sua irmã e cunhado.
Ela abriu a porta entrando na casa encontrando Oliveira e Inês na sala de jantar.
— Onde foi tão cedo? Estávamos esperando por você. — Sua irmã perguntou quando ela a viu.
— O resultado foi alcançado! — exclamou Aurora assumindo o papel que o médico lhe tinha dado.
Sua irmã olhou para ela, e um sorriso escorregou pelo rosto de Aurora enquanto ela mostrava o teste de fertilidade. Inês e Oliveira compartilharam um olhar rápido antes de se aproximarem da jovem abraçando-a com força.
— Obrigado, muito obrigado pelo que está a fazer por nós, ficarei em dívida para contigo.
— A sua oração foi feita pela metade, um soluço veio da garganta de Inês que tinha sido incapaz de conter as lágrimas de felicidade.
Aurora se separou de ambos e agarrou a mão um do outro, olhando para eles com carinho.
— Você me deu tudo, você é minha família e vê-los sofrer parte meu coração. Estou completamente certo de que este bebê terá os melhores pais do mundo. — Acariciou a barriga —Ambos merecem ser felizes...
Ela envolveu sua irmã em seus braços que continuavam chorando.
Seu corpo sentia algo estranho, havia uma diferença nele, e isso é que agora dentro dele cresceria o filho que sua irmã e cunhado tanto procuravam.
— Diga-me, o que o médico recomendou? — Inês perguntou, secando lágrimas com as costas das mãos.
A Aurora estava prestes a falar quando o telefone de Oliveira começou a tocar.
— Me de licença, tenho de ir a. — Saindo da sala de jantar para atender a chamada.
— Trabalho? — Aurora perguntou quando reparou como o cunhado tinha ficado tenso antes da chamada inesperada.
Inês bufou.
— Ele é um cliente importante, esse homem é tão meticuloso que qualquer erro poderia custar Oliveira ao trabalho.
Ela começou por dar uma olhada sorrateira em seu marido que parecia estressado.
— De qualquer forma, fala-me de tudo o que o médico te disse.
Aurora sorriu lembrando-se da felicidade que sentiu quando ouviu a médica dizer que estava grávida.
Por outro lado, Oliveira ouviu seu cliente reclamar sobre o projeto que dias antes lhe parecia perfeito e agora ele encontrou um defeito. Ele não entendia que estava doente se ele próprio tivesse escolhido o projeto da mansão.
Mas Guilherme era um homem difícil de agradar, ele nunca concordou com ninguém e eu pensei que eu estava sempre certo sobre tudo.
— Vou dar-lhe dois meses para terminar, se você não tiver pronto antes deste tempo, então vou cancelar o negócio — Guilherme falou terminando a chamada.
Oliveira suspirou.
Todos os dias ele se sentia mais pressionado, mas não podia recuar, pois não apenas seu trabalho, mas também uma grande soma de dinheiro estava em jogo. Ele aceitou esse negócio, embora soubesse que Guilherme não facilitaria para ele, e ele estava certo.
***
Três meses depois...
— Oh, ele está chutando! — Inês gritou tocando a barriga de sua irmã.
— Começou a torná-lo mais frequente — disse Aurora sentindo o bebê se mexer.
— O sentimento deve ser único, certo?
— É, eu não saberia como descrever o que eu realmente sinto animado — expressou Aurora e sua irmã sorriu — Você já decidiu que nome eles lhe darão?
— Umm, Oliveira e eu queremos que você escolha — Inês comentou fazendo um desenho de sorriso no rosto da jovem.
— Realmente? —. Bem, deixe-me dizer-lhe que eu procurei e nenhum chamou minha atenção ainda, mas eu vou encontrar um bom, eu prometo.
— Confiamos em você, certamente dará um nome simpático ao nosso bebé .— acariciou a barriga.
Aurora sorriu.
Eles descobriram que ela teria uma menina, isso encheu os pais do bebê em seu ventre de felicidade. A partir desse momento, começaram a se preparar para a chegada de sua menina, comprando roupas, brinquedos e tudo o necessário para garantir que nada estivesse faltando. Além disso, começaram a pensar na decoração do quarto do bebê, pintando as paredes em uma cor suave e escolhendo um berço e uma cômoda em tons de branco. Eles estavam animados para conhecer sua filha e vê-la crescer juntos como uma família.
— A que horas chegará Oliveira? — questionou Aurora.
— Talvez um pouco tarde, ele avisou-me que surgiu um problema no trabalho. — Inês comentou um pouco desapontado.
A irmã dele notou.
— Está bem? — atreveu-se a perguntar mesmo que ela não quisesse soar meticuloso.
— Sim, só estou cansada. — Ela desviou o olhar da irmã mais nova que estava a olhar para ela.
— Tem a certeza? — adicionou Aurora.
Inês suspirou profundamente.
— Oliveira não é o mesmo ultimamente, passa a maior parte do tempo no trabalho e chega tarde em casa. Podemos até ter uma conversa normal, ele está sempre cansado e isso esgota-me ...
— Olhou para o chão, escondendo as lágrimas que logo apareceram. — Eu não sei o que será do nosso casamento se isso continuar. Eu só quero que as coisas voltem ao que eram antes, quando rimos juntos e aproveitamos cada momento.
Aurora, entendeu a angústia que sua irmã estava experimentando. Ela se inclinou em direção a ela e secou suas lágrimas.