Capítulo 78

2679 Palavras
ELLA. Eu entro no quarto e corro imediatamente para o closet pegar a seringa e enfio dentro do sutiã para fácil e rápido acesso. E finalmente desço para ir até ao quarto da mamma do Salvatore. Eu desço até ao andar dos seus quartos, e avalio esse lugar minuciosamente. Tal como no dia em que me cruzei com o Stefano, nenhum dos homens do Alexander estão aqui. Mais um ponto para mim. Eu olho para aquela porta do lado do quarto do Salvatore, onde vi a enfermeira entrar e caminho lentamente até lá. Encosto o meu ouvido na porta que claramente é a prova de som, e abro subtilmente a porta, para espreitar, e me deparar, com simplesmente um hospital, tecnicamente. Tem algumas máquinas aqui, material hospitalar, cama de hospital, e eu sorrio satisfeita confirmando a minha suspeita sobre o Salvatore, e por encontrar como me livrar de qualquer prova, inclusive essa seringa sem levantar suspeita nenhuma. Eu só precisarei ser rápida. Aquela enfermeira deve estar aqui e pode entrar aqui de volta a qualquer instante. Eu deixo a porta apenas alguns milímetros aberta, apenas para confirmar para mim, assim que eu sair desse quarto se eu posso entrar ou não. E vou até a porta dessa senhora, bater a porta. - Entre. - eu ouço a sua voz que automaticamente causa-me repulsa e eu entro, sentindo-me extremamente confortável, no meu habitat e satisfeita com o que vai acontecer aqui. - Feche a porta. - ela ordena assim que eu entro e eu o faço com prazer, virando-me para ela e encontrando o seu olhar perfurando-me. Ela olha-me dessa forma por um tempo tentando deixar-me desconfortável, o que não aconteceu, e simplesmente instigou ainda mais a minha raiva. - O que deixou o Alexander chateado? - ela questiona e eu dou de ombros. - Ele estava chateado? - eu questiono-a e a mesma fecha a cara. - Preparar os papéis do divórcio para você será algo extremamente fácil. - ela comenta, me observando e eu a encaro. - Tem satisfeito o Alexander? - eu não devia ter-me surpreendido, mas a sua questão inconveniente pegou-me desprevenida, e o meu rosto esquentou. Ela é a avó dele e eu uma desconhecida. - Quantas vezes ao dia? - ela continua, ainda com os seus olhos em mim, e o meu corpo entra em combustão. QUÊ? - E o que isso deveria a interessar? - eu questiono realmente enojada e ela encara-me de cima a baixo. - Tire a roupa. - ela ordena, e se vira para pegar o copo de água na sua mesa de cabeceira e eu não pensei duas vezes, eu retirei a seringa de dentro do meu sutiã, puxei ar para dentro dela. Quando eu alcanço a sua boca, e imobilizo-a por trás, escutando ela tentar gritar contra a palma da minha mão. Eu viro o seu rosto na direção do seu espelho, encontrando os seus olhos arregalados, me encarando e eu sorrio de raiva. - Tire a roupa? - eu questiono-a olhando para ela através do espelho. - É assim que avaliava as mulheres que vocês traficam? - eu a questiono p**a e o seu rosto fica vermelho. - Avaliar-me nua, para ver se o seu neto tocou em mim, não parece problemático para você, ou a sua cabeça está tão fodida, que desconhece moral? - eu a questiono sem limitar ou tentar controlar o nojo e a fúria que eu tenho dela. - Avaliar-me nua, para ver se o meu corpo é capaz ou apropriado para concepção de um bebê, não soa ridículo para você, Ginevra Riina? - eu questiono-a, e a senhora decidiu usar os seus truques velhos, como forçar uma cotovelada no meu estômago ou pisar a minha perna, como se eu não tivesse previsto algo assim. - Foi assim que ajudou o seu marido a cometer insanidades durante esse tempo todo, como se você também não fosse uma mulher? - eu questiono-a, apertando-a em mim, e os seus olhos estão arregalados de surpresa. Eles observam-me assustados e questionando quem eu sou. E o receio nos seus olhos alimenta o meu ego e o meu desejo de vingança. - Foi assim que criou o seu filho para tratar outras mulheres, inclusive as que pariram os seus netos? - eu a questiono. - Avaliou cada uma delas? - eu a questiono enojada. Sem delongas eu enfio a seringa na sua veia jugular, no pescoço, empurrando o ar todo para dentro dela de uma só vez, e nem o seu grito abafado ou a força que fazia contra mim, impediu alguma coisa. Tal como não me impediu de fazer o mesmo novamente, apenas para obter o resultado mais rápido. Ar na veia, um truque extremamente fácil para sumir com alguém como ela. O choque nela foi bem mais rápido que imaginei, os seus olhos reviram e eu sorrio, deixando-a sentada na sua cama, ela quer gritar, mas não consegue. E a observo sofrer calmamente enquanto eu guardo a seringa no lugar em que estava. Me recordando em como o filho dela me deixou, tão silenciada quanto ela agora. Querendo gritar, porém, sem puder. A sua mão vai para o seu peito, e a sua falta de ar se torna nítida, tão nítida que ela desistiu de alcançar alguma coisa, para levar ambas mãos para o seu pescoço. E eu a observo pensando no quão seria bom cortar a sua cabeça e deixar bem na porta do Salvatore, com os olhos dela amedrontados apontados para ele. Será que alguém tão inescrupuloso sentirá culpa, por não ter protegido a mãe? Como eu não pude proteger o meu? Será que ele sentirá falta dela, e chorará por ela, ou ao menos ficará atordoado por não ter conseguido proteger a mãe, mesmo ela estando no quarto na frente do dele? Ele sentirá impotência? - Você... - ela balbucia num fio de voz e eu sorrio vendo morte no seu olhar. E eu sinto que não me vingo só por mim, e sim por todas as mães que ficaram sem filhas por causa dela, porque ela é a velha mais elegante e monstruosa que algum de vocês alguma vez pudessem imaginar. Ela tem uma lista vasta de crimes, horripilantes. Pena, não é algo que se deve sentir pela matriarca de uma organização mafiosa como La Cosa Nostra, e causar o luto dessa organização, é bem mais do que um orgulho para mim. - Ella. - eu pontuo sentindo-me confortável em falar para ela o que tanto os seus olhos querem saber. Ela está a uns segundos de dizer adeus. E nem reanimação funcionará com ela. - Ella Shell Bourne. - eu falo baixando-me na frente dela e os seus olhos arregalam-se ainda mais. Pois, não tem como nenhum m****o dessa família desconhecer esse sobrenome. - O seu filho matou o meu pai. - eu falo para ela que está passando da cor pálida para um tom de azul, devido à falta de oxigênio. - ... - ela tenta buscar ar, mas eu já bloqueei as suas artérias com ar, ela não tem escapatória. - E eu tirarei você dele. - eu falo para ela irônica. - Não como eu gostaria, mas acho que a bala que eu enfiei na cabeça dele, contribuirá para a tortura que ele merece. - eu falo e eu vejo o seu corpo convulsionar e eu sorrio. Uma lágrima verte pela sua pele meio azulada, quando ela dá o seu último suspiro. - ... - eu suspiro fundo, me levantando, relaxada, observando o seu cadáver. - i****a. - eu falo revirando os meus olhos, e caminho até ao seu banheiro. Pego um papel descartável para sumir com qualquer sinal da injeção, passo água e volto até ela, se fizerem uma autópsia, o vestígio até quando descobrirem que a nonna ficou sem ar, sem nenhum sinal de asfixiamento, terá sumido. Eu faço uma limpeza básica, mas nada intenso. Afinal, eu tinha de ter passado por aqui, a Chiben escutou-a chamar-me para cá. Eu alcanço o celular dela, e vou até ao banheiro usar o ar quente da água, para o descodificar usando as suas digitais. Verifico qualquer sinal de que o celular pudesse ser vigiado, mas como previ, não. - Uffa... - eu suspiro aliviada discando imediatamente o número do senhor Smith. Eu só espero que ele não esteja em nenhuma missão. Um, dois, no quase terceiro toque ele atende e a minha barriga congela. - Ella? - ele questiona imediatamente e eu sorrio sentindo o meu coração aliviado, porém extremamente acelerado, e calma por finalmente escutar a voz dele. - Como descobriu que era eu tão rápido? - eu o questiono e escuto o seu suspiro de alívio do outro lado da linha escutando a minha voz. - Porque mais a Ginevra Riina, ligaria para mim? Onde ela acharia o meu número? - ele questiona e eu sorrio. - E você estava a demorar para dar sinal de vida. - ele fala, e eu sinto ele se controlar para não me questionar o que eu tenho certeza que está com mais anseio de saber. - Eu preciso ser rápida. - eu deixo claro. - Como conseguiu acesso a esse celular, diga-me que está num lugar seguro com ele, os sinais da AirTag do Kaio indicam que você está dentro dessa maldita mansão? - ele questiona receoso. - Eu estou no quarto da Ginevra, e não se preocupe, ela está morta. - eu o asseguro. - Ella... - eu não o deixo terminar de expressar a sua surpresa, apenas continuo. - Eu preciso que o senhor confie em mim, e pare imediatamente com o que estiver a fazer. - eu falo. - Você está debaixo do mesmo teto que o Salvatore Riina, e o Alexander Riina sabe quem você é, você pretende que eu deixe que você simplesmente fique aí? - ele questiona fulo. - Você enfiou a merda de uma bala na cabeça do Salvatore, eu estou orgulhoso, mas você tem noção do perigo em que está? O que eles estão a fazer com você? Porque está aí? - ele não se segurou e eu inspiro fundo. - A minha mãe... a Clarisse. - eu me rectification sentindo o meu rosto queimar de raiva e vergonha por ela ser a pessoa quem me pariu. - Ella, ela desapareceu. - ele diz e eu sorrio, quem me dera se fim ao cabo esse fosse o caso. - Ela é esposa do homem que matou o meu pai e tem um filho com ele. - eu falo e silêncio surge. - Ela entregou a localização do meu pai para os Riina, ela estava a trabalhar para ele durante todo o tempo em que supostamente era casada com o meu pai, tio Smith. - eu falo segurando a vontade imensa de chorar e ele obviamente ficou sem nem saber o que dizer. - Eu não pretendo morrer, sem me vingar pelo meu pai e nem o senhor vai me impedir disso. - eu deixo claro. - Me deixe terminar o que eu comecei e não se meta com eles, apenas mantenha o Kaio, o James e a Heyoon longe disso. - eu falo. - Por favor... - eu suplico. - Você está louca se acha que eu ficarei aguardando a sua ligação sem fazer nada, Ella. - ele diz e eu suspiro fundo. - Se o senhor fizer alguma coisa, eles identificarão imediatamente e o senhor sabe disso, eu tenho certeza que não quer ser responsável pela minha morte. - eu jogo baixo. Mas a verdade é que eu não quero ser responsável pela morte de nenhum deles. - Ella... - ele tenta falar, mas eu corto-o. - Me prometa. - eu exijo e ouço a sua respiração pesada do outro lado da linha. - Não morra. - ele diz e eu inspiro, sorrindo aliviada. - Eu prometo. - eu falo. - Eu preciso desligar. - eu digo, porém, sem coragem ou vontade de o fazer. - Como está o James, de verdade? - eu questiono-o sem conseguir aguentar e abusando da minha sorte e tempo. - Internado. - ele diz e o meu coração sangra automaticamente. - Acordado? - eu o questiono com medo da resposta. - Ele está em coma, Ella, mas ele ficará bem, o médico afirmou. - que droga, que droga! Eu sabia que a Laisa estava mentindo! Eu sabia que aquele filho da mãe fez um estrago, com o James! Eu sabia. Eu não consigo conter-me, lágrimas vertem pelos meus olhos. O meu coração falha e eu fico extremamente arrepiada. - Saia daí, imediatamente. - ele manda, e eu suspiro fundo, buscando me controlar. - Se você não arranjar formas de contacto, eu voltarei com o plano, Ella. - ele diz, e eu inspiro fundo. - Não se preocupe. - eu falo para ele. - Cuide-se, eu amo você. - ele diz e eu assinto sentindo o meu peito apertar. - Eu também amo o senhor. - eu falo, e desligo o celular com as minhas mãos trêmulas. - ... - eu busco ar, e imediatamente limpo qualquer dado que ficou no celular, e sem ser boba e nem nada, eu mando tudo o que possivelmente pode estar aqui para ele. Eu quero destruir todos eles. Sumo com qualquer vestígio dentro do celular, de forma a que nem um backup funcione, limpo a parte externa do celular, e com um papel, eu volto a deixar o celular dela no seu devido lugar. O meu corpo agora está agitado... O James, está em coma. O Alexander o deixou em coma. Eu estou tão desconcertada, que apenas me certifiquei que ela já deu o pulo para junto da Laila no inferno. E simplesmente saí de lá, fechando a porta atrás de mim. Inspiro fundo, passeando o meu olhar por aqui e ninguém está. Apressada eu vou para o quarto de hospital secreto aqui e jogo a seringa no meio das outras já existentes no cesto de lixo, e saio de lá, e subo as escadas imediatamente. Com a minha calmaria virando turbulenta. - i****a do c*****o. - eu falo fechando a porta atrás de mim e caminho até ao banheiro, para lavar as minhas mãos, e sumir com qualquer vestígio restante daquela senhora de mim, enojada. Por quê? Por que motivo ele bateria o James até o deixar em coma? - Que razão ele tinha para isso? - eu questiono-me indignada lançando a merda do relógio no meu pulso na mesa dentro do closet. Coma. Ele deixou o meu melhor amigo em coma. O James está em coma por minha causa. Coma. Eu me tremo toda, indignada, com raiva, frustrada. - Bruto do c*****o. - eu falo saindo do quarto, eu preciso maneirar a minha raiva agora. Nem ele pode saber que eu sei do estado do James, afinal de contas, ele não é burro, e conseguirá juntar um mais um. E eu preciso prosseguir com o meu plano. - Vai ficar tudo bem... - eu falo comigo mesma descendo as escadas. - Calma, ele disse que o médico afirmou que ficaria tudo bem. - eu digo descendo as escadas quando me cruzo com o mordomo subindo. Eu espero que não esteja a ir para o quarto dela. - Senhorita Ella. - ele saúda e eu o ofereço o mínimo sorriso. - Ainda bem que o achei, eu preciso da sua ajuda para achar o ginásio. - eu falo, sentindo-me sufocada aqui, e extremamente entediada. - Você me acompanha? - eu o questiono, querendo que ele saia daqui imediatamente. - Claro, senhorita. - ele diz e eu assinto o seguindo. Ele acompanha-me até aqui. - Esse aqui é o ginásio. - ele apresenta abrindo a porta e eu assinto. - Muito obrigada. - eu o agradeço e ele assente. - Com a vossa licença. - ele diz e eu assinto e o deixo ir, enquanto eu caminho diretamente até a esteira, observando o quão tecnologicamente equipado é esse ginásio. Não melhor que o meu, mas serve. Eu subo na esteira e desconto a minha frustração em cima dela.
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