Capítulo: O Julgamento O relógio marcava 14h03 quando o juiz finalmente entrou. O burburinho cessou, e o som do ar-condicionado velho tomou conta da sala. Sentei à mesa da acusação, a toga ajustada, os documentos organizados em ordem perfeita não por vaidade, mas pra esconder o tremor nas mãos. Respirei fundo. Do outro lado, o réu. Gustavo Moreira. Terno alinhado, cabelo penteado pra trás, o mesmo olhar de quem acha que ainda pode enganar o mundo. E eu… eu já tinha caído naquele olhar antes. Mas hoje era diferente. No fundo da sala, sentado em silêncio, estava Maximiliano. Camisa branca impecável, paletó aberto, pernas cruzadas. Ele não fazia nada só observava. Mas o olhar dele me cercava como uma muralha invisível. Cada vez que eu respirava fundo, sentia. Ele tava ali. — V

