O CHAMADO DO CORAÇÃO O portão m*l fechou atrás de mim e eu já sentia o cheiro do passado café coado, sabão em barra e terra molhada. Era o cheiro da minha infância, do colo que me salvou e da vida que eu precisei deixar pra crescer. — Menina do céu... — a voz da minha avó veio antes do abraço. — Por que não avisou que vinha? Antes que eu respondesse, ela já me tinha entre os braços. O corpo pequeno, mas o abraço imenso. O coração dela batia rápido, quase do mesmo jeito que o meu. — Vó... eu tava morrendo de saudade daqui. — murmurei, sentindo o nó subir. Vô Agenor apareceu na porta, de chinelo e boné, o mesmo sorriso largo que sempre esconde a emoção. — Olha só quem voltou pro ninho... — disse, a voz embargada. — Já era hora, Jamile. Os olhos dele estavam marejados. Fingiu que

