📓 NARRADO POR MAXIMILIANO O despertador nem tinha tocado. Abri os olhos com aquele tipo de vigília que não é sono, é instinto. A luz filtrava pelas cortinas pesadas do hotel, um dourado pálido, fraco, igual à calmaria antes do caos. Jamile ainda dormia do meu lado. O corpo dela se encaixava no lençol como se o tecido tivesse sido moldado pra guardar o formato. Os cabelos caíam pelo travesseiro, bagunçados, e um fio de batom manchava o canto da boca vestígio do ontem que ainda queimava no ar. Olhei por um tempo. Longo o bastante pra entender por que o inferno se tornava tentador quando ela respirava daquele jeito. Mas o barulho discreto do celular vibrando sobre o aparador me arrancou da cena. Peguei o aparelho, o nome na tela piscava em letras frias: Valverde. > “Antes de vo

