Lua estava realmente sofrendo. Mas não era só pelas marcas roxas que ainda ardiam em sua pele, nem pela dor física que sentia cada vez que tentava se mover com mais rapidez. Não, a dor mais profunda e implacável vinha do coração, da consciência. Ela sabia que estava traindo a confiança de Filipe, o homem — o lobo — que, mesmo sem querer, tinha lhe dado abrigo, carinho e proteção. Ela o amava. Ou pelo menos acreditava que o amava, e isso tornava tudo ainda mais sufocante. Sabia, com absoluta certeza, que no momento em que desse o próximo passo — quando concretizasse o plano da sua família, quando ferisse aqueles lobos com quem agora convivia —, perderia Filipe para sempre. E ainda assim… Ela não podia voltar atrás. Ou, pelo menos, era isso que repetia para si mesma o dia todo, como um

