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1192 Palavras

A dor de Vitor já não era mais física. Era existencial. Agonizando no chão do quarto, ele arfava como um peixe fora d’água, os olhos arregalados e a garganta arranhando tentativas de clamar por piedade — piedade de Gael, seu sobrinho, aquele que ele viu crescer. Agora, porém, não havia mais traço do garoto frágil que um dia foi. Diante dele, estava uma fera. As garras de Gael se cravaram em seu peito mais uma vez, rasgando carne e osso com tamanha brutalidade que o lobo de Vitor, em desespero, tentava curar os danos, mas a regeneração não era rápida o suficiente. O ritmo das agressões superava em muito a capacidade do corpo de se restaurar. A dor era constante, crescente, paralisante. Vitor já não sabia se seu lobo estava calado de medo ou simplesmente morrendo junto com ele. Heron Conti

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