capítulo 7

1055 Palavras
Depois da longa conversa com o tio Ethan, decidi descer para comer alguma coisa, e acabei encontrando meus pais na sala, ambos conversando, me encostei na parede e fiquei ouvindo a conversa. __ você está preocupada com alguma coisa insolente? __ papai pergunta e a mulher revira os olhos, é um hábito comum nas mulheres da nossa famiglia. __ não se cansa desse apelido i****a? __ como deixar de chamá-la assim, se ainda continua sendo a mesma mulher que me apaixonei, vinte e três anos atrás. __ questiona beijando a ponta do seu nariz. __ estou preocupada com os nossos filhos, eles andam estranhos... como se tivessem nos escondendo algo.__ explica e sinto a bile subir, e a sensação do ar me faltar os pulmões começou a me dominar. Respiro fundo tentando me controlar e continuo ouvindo. __ são jovens, é claro que vão esconder coisas de nós, afinal somos os pais, não quero pensar na possibilidade das minhas filhas já beijarem na boca e dos meus filhos estarem envolvidos com alguma puttana. Reviro os olhos. __ eu fico preocupada, sinto que algo não está certo, minha intuição de mãe me alerta. __ mamma fala, é então que decido fingir que estou descendo o restante dos degraus. __ buona notte! __ cumprimento e eles sorriem, e não continuam o assunto. __ estava conversando com sua mãe, e ela ainda se incomoda com o apelido de insolente acredita filha? __ papai pergunta e sorrio. __ mãe, esse apelido já faz parte da signora. __ explico dando uma piscadela para o meu pai. __ você não tinha que estar tendo aulas de autodefesa com o Lorenzo? __ pergunta e fito os olhos verdes. __ já anoiteceu, e não, eu não vou aprender a lutar hoje, porque Lorenzo me dispensou para levar uma tal de Cássia para sair. __ Cássia? A filha do Moretti? __ ele pergunta e afirmo que sim. __ aquele rapaz... não faz nada certo, deveria estar cortejando a Maria Ísis e não essa tal Cássia. __ ela reclama e franzo o cenho achando tudo isso muito estranho. __ e por que ele deveria estar cortejando a Ísis? __ questiono curiosa e ela passa a mão no cabelo. __ sua mamma enfiou na cabeça que Lorenzo tem que namorar a Maria Ísis, acho que ela tá pegando o mesmo defeito do Ethan. __ papá explica. __ virou uma santa casamenteira agora? __ questiono e ela revira os olhos. __ pare de ser boba, eu só vejo as coisas com mais clareza do que o seu pai... aliás... Pietro você não disse que iria conversar com o Dom? __ pergunta e ele morde os lábios. __ eu acho que ouvi meu nome. __ a voz de Nic ecoa na sala e não pensei duas vezes antes de abraçá-lo. __ p***a! Que saudade! __ afirmo e recebo um beijo no rosto, mas me afasta logo em seguida. __ eu também senti sorella, você cresceu. __ comenta me avaliando e reviro os olhos. __ não pode falar disso, quando está maior do que eu... e todo cheio de tatuagens... o que aconteceu com você? __ questiono e os olhos azuis-claros me fitam e a expressão muda de calmo para tenso. __ tem coisas sorella que são melhor mantidas em segredo, gosto de como estou agora, é uma casca. __ casca? Para esconder o quê? __ pergunto e o rapaz sorri de lado. É claro que ele não vai me contar. __ filho, escritório, precisamos conversar sobre a sua ida para Sicília com o seu tio. __ claro, papá, vamos.__ diz e papai se levanta, deixando um selinho na mamma e outro no meu rosto. Me sento ao lado de Aurora Ferrari, enquanto observamos meu pai seguir com o meu irmão que mais parece ter tomado bomba. __ ele está enorme. __ é porque intensificou os treinos, ele não treina apenas com seu irmão... está lutando clandestinamente e o seu pai acabou de descobrir. __ é por isso que subiram não é? __ sim filha, o Nic acabou quebrando o braço no mês passado, Matteo ficou de olho nele, mas parece que ainda quer prosseguir nessa loucura. __ p***a! __ é, é realmente uma grande merda!__ diz e a encaro. __ o que houve com o "não xingue perto dos seus pais?" __ foi para p**a que pariu, vamos fingir que essas palavras nunca existiram e você não me escutou dizer nada disso ok? __ questiona e sorrimos. __ ok, a senhora venceu, mas vou retornar para o meu quarto, vim só buscar um lanche. __ não vai jantar? __ questiona. __ eu vou mãe, mais tarde, tenho que ligar para um amigo. __ explico e ela arqueia a sobrancelha numa expressão engraçada. __ amigo? Que amigo? __ um da universidade, ele foi legal comigo, na verdade foi o único, preciso subir, disse a ele que ligaria a noite. __ certo, depois me conte mais sobre esse amigo. Beijo seu rosto, preparo um sanduíche e subo para o meu quarto. Deixo o prato sobre a cômoda e procuro pelo meu celular. Lembro de ter deixado em cima da cama, mas devo ter esquecido em algum canto desse quarto, caminho para o banheiro e não o encontro, reviro as gavetas e nada, só pode estar no closet, sigo para o meu espaço pessoal e começo a procurar. Trinta minutos de procura e nada, nenhum sinal do meu telefone, volto para o quarto e minha primeira reação foi de espanto, ao olhar meu sanduíche mordido sobre o prato. Meus pés caminham por vontade própria até a janela, encontrando apenas o maldito salgueiro balançando suas folhas, suspiro irritada, porque claramente alguém entrou aqui, e comeu meu lanche, e então quando meus olhos se fixam na caixa no chão, sinto a bile subir imaginando o que diabos tem ali. Reúno minha coragem, que não é muita, e me agacho para abri-la, o choque me atinge fazendo a tampa escapar pelos meus dedos e meu corpo tombar para trás. Pisco atordoada, respirando com dificuldade, volto para a caixa e deixo que meus olhos examinem novamente o seu conteúdo. p***a! Uma serpente morta, enrolada por uma corrente prateada e entre as suas presas está lá o meu celular, e assim como rato o sangue da cobra, também serviu para banhar o lírio que a acompanha.
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