Meu coração ainda bate descompassado, mas abro a boca da serpente e retiro meu celular, o enrolo em uma toalha, em seguida pego álcool para desinfetar, só espero que essa p***a não tenha estragado meu telefone. Jogo a caixa no lixo e quando descer para jantar avisarei a Nana, minha ajudante, para se livrar disso. Não posso contar para o Lorenzo, e nem para ninguém, porque se o papai ficar ciente, as coisas vão se tornar piores.
Higienizo meu telefone e procuro pelo contato do Kaiden, mas foi deletado.
Que p***a, tá acontecendo aqui?
Verifico o registro de chamadas e está limpo, seja lá quem esteja por trás disso, não está interessado em esconder que dessa vez foi além.
__ filho da p**a, i****a! __ ralho, para quem quer que seja.
Olho para a caixa jogada no lixo e noto o que até então ainda não havia visto. Um bilhete, ótimo! Sigo até lá, e não faço cerimônia para abri-lo, apenas uma droga de uma frase.
" Da próxima vez, serão os olhos dele no lugar do celular "
Gemo de frustração, e reviro os olhos.
Me recuso a acreditar que seja quem estou pensando, porque é coincidência demais, os lírios, as correntes.
Por que ele estaria me aterrorizando desse jeito? O que fiz para ele além de amá-lo a medida que fomos nos conhecendo. E que p***a de direito ele acha que tem sobre mim? f**a-se se for ele ou não, é a minha vida, eu que mando nela. E irritada, ligo para Kaiden já que memorizei o número dele, no segundo toque ele me atende.
__ Bel? __ sua respiração estava ofegante, devia estar correndo ou transando, o segundo pensamento me fez ter um embrulho no estômago, ao cogitar estar atrapalhando.
__ oi Kai, está ocupado? Posso ligar outra hora se quiser.
__ não, eu estava correndo, acabei de chegar em casa... você está bem?
Ouço o tilintar da sua porta sendo aberta, no quarto dele há um apanhador de sonhos, ele acredita muito no mundo espiritual, antes de vir para a Itália ele me disse para alinhar os meus chakras.
Como diabos eu vou fazer isso?
__ estou.
__ que mentirosa, não está nada, estou sentindo as más energias em volta de você.
__ e está sentindo isso pelo telefone?__ pergunto e ouço a sua risada irônica.
__ está tão pesada que consigo sentir daqui.
__ certo, e se eu disser a você que tenho um tipo de stalker me mandando presentes malucos.
__ malucos de que tipo? __ questiona e suspiro massageando minha têmpora.
__ bichos mortos e lírios-brancos cobertos do sangue deles.
__ c*****o! Bel... e seu pai já descobriu?
__ não, porque ele não tem conhecimento do que está acontecendo, e meus irmãos só sabem do primeiro presente, o segundo acabei de jogar fora e apareceu enquanto eu procurava meu celular para ligar para você.
__ e o que tenho a ver com isso?
__ p***a! Eu não sei, meu celular sumiu e apareceu dentro da boca de uma cobra e ainda tinha uma porcaria de bilhete avisando que da próxima vez seriam os seus olhos ao invés do meu celular.
__ eu vou orar, e você precisa de um banho com água benta e tem que contar para o seu pai.
__ você não entende, se eu fizer isso ele vai me deixar presa aqui.
__ então você prefere viver um romance estilo Adeline e Zade? p***a! Então viva!
__ não! Não quero aquilo para mim.
__ mas é o que está parecendo, cuidado, o seu stalker pode não ser bonzinho como o Zade.
__ não seja i****a, Zade não era bonzinho nem de longe.
__ mas com a Addie ele era.
__ Kai, eu liguei buscando auxílio do meu único amigo e não uma confirmação de que um cara maluco vem me roubar da minha casa cheia de seguranças.
__ tantos seguranças e ele ainda continua deixando presentes? Não me parece nada seguro agora.
__ i****a.
__ eu sei que você me ama, e não devia esconder as coisas do seu pai, por mais que ele seja daquele jeito, é o único que pode livrá-la de um possível sequestro, ao contrário da Addie que tinha um pai de merda, você tem um que te ama e só quer protegê-la.
__ eu acho que sei quem é... __ deixo escapar e o som da sua porta sendo fechada bruscamente me assusta.
__ não vai me dizer que é o garoto problema que te visitava na pré- adolescência.
Kaiden é o meu melhor amigo desde o ensino médio e então partimos para a faculdade juntos, assim como eu, ele também tinha amor pelo direito, mas nós dois tínhamos ideias diferentes do amor, enquanto eu fingia que não sentia nada pela minha paixão platônica da infância, meu amigo fodia sem compromisso algum e sem envolver sentimentos também.
E é por confiar nele, que contei toda minha história sórdida de um amor que nunca iria dar certo e sobre ser herdeira de um dos homens mais poderosos da Itália.
__ não sei, porém, quem mais iria saber que eu gosto de lírios-brancos? São coincidências demais. __ afirmo.
__ eu estou falando Bel, avise os seus irmãos ou seu pai, ou chame um padre e mande benzer o seu casarão Parsons.
__ Kai! __ o repreendo e ele ouço sua risada.
__ desculpe, é que é uma situação muito fodida e eu costumo fazer piadas disso... mas mudando de assunto, quando volta?
__ eu não vou voltar, vou para Flórida.
__ Flórida? Que diabos vai fazer na Flórida?
__ morar lá, é longe daqui e posso arrumar um emprego na minha área sem problemas e meu pai não poderá me encher de seguranças.
__ não? __ sua pergunta foi irônica. __ Bel, seu papá conhece gente em todo canto, é claro que ele vai dar um jeito de protegê-la mesmo de longe.
__ não me importo, contanto que não me impeçam de fazer o que gosto.
__ e quando levar um cara para f***r? Não pretende manter o lacre para sempre, ou... __ questiona e um barulho alto ecoa do outro lado da linha e de repente a ligação ficou muda.
__Kai? Kai! Você está aí? __ chamo sentindo o corpo enrijecer, e a linha continua muda.
__ p***a! __ digo e meu nervosismo aumenta, e então uma mensagem brilha na tela vindo do seu número, mas assim que meus olhos leram, eu soube que não foi o meu amigo quem a escreveu.
" Eu avisei ma belle"