O silêncio após o beijo é um muro entre nós. Dante está me evitando com precisão cirúrgica e quando forçado a falar, sua voz é de CEO para funcionária. A parede está de volta, e dessa vez mais alta. Devolvo seu casaco sem bilhete e ele some com ele.
Melissa me entrega um desenho: duas figuras em quadrados separados por uma linha grossa, entre elas, rabiscos como relâmpagos presos, ela não pergunta, ela diagnostica.
Percebo que Viktor sente a mudança, agora aparece mais, destilando o seu veneno.
— “Clara, querida, você parece cansada, já sentindo o peso da vida conjugal?” — Seu sorriso é um réptil.
— “Lembre-se, o estresse pode levar a acidentes, a falsos alarmes.” — A ameaça é clara.
Às 1h18, o primeiro som me acorda, um estalo metálico nos fundos da casa, fico gelada na cama, dois minutos depois, as luzes de emergência acendem, banhando o corredor de vermelho, e meu celular vibra: ALERTA: PERÍMETRO LESTE VIOLADO.
Falso alarme,com certeza é obra de Viktor.
Mas e se não for?
O protocolo manda ficar trancada, mas o protocolo é para a Sra. Lobo, não para mim. Visto uma calça às pressas e abro a porta. O corredor vermelho está vazio, passos pesados sobem as escadas. A equipe de Torres.
A porta de Dante se abre.
Ele sai, vestindo apenas calças de pijama escuras, e a camisa aberta mostrando o peito nu, cabelo despenteado, olhos afiados, completamente despertos, na mão, uma arma compacta. A visão é tão brutal, tão real, que me paralisa.
Ele me vê, seus olhos escaneiam meu corpo na porta, e algo neles se acende – fúria protetiva, instantânea, cruzamos o corredor.
— Você está bem? — a voz é um rosnado noturno.
— Sim, é ele.
— Quase certeza, entre e tranque. — Olha para as sombras.
— E você?
— Vou checar a Melissa e a Lara.
Há uma parceria reativada pelo perigo, apenas aceno e recuo e ele se vira.
É então que ouvimos um baque surdo, madeira contra madeira que vem do quarto dele, alguém está lá dentro.
Dante congela, nossos olhos se travam.
— Fique aqui, tranque e não abra para ninguém além de mim ou do Torres e parte como uma sombra,com a arma em punho.
Tranco a porta, fico de costas para ela, o sangue pulsando nos ouvidos, lá fora está um caos, os minutos se arrastam e o alarme para, as luzes principais acendem, fazendo doer os meus olhos..
Espero dez minutos mas ninguém bate.
A adrenalina baixa, e no seu lugar sobe uma fúria fria e límpida. Ele fez isso para nos lembrar, e eu aqui, trancada, inútil.
A raiva é um líquido quente e rompe tudo, então abro a porta.
O corredor iluminado está vazio, caminho até seu quarto, porta entreaberta revela a cama revirada. Onde ele está?
Volto para meu quarto, mas fico parada na porta, tremendo, a inquietação e a raiva num caldeirão. A casa está silenciosa e hostil.
É quando o vejo voltando, a arma sumiu, mas as marcas vermelhas em braços agora são visíveis – arranhões. O pijama ainda está aberto, seu rosto é uma máscara, mas os olhos estão fumegantes. Ele me vê e para.
Caminha em minha direção, cada passo é pesado, medido. A intensidade do olhar aumenta, parece que me vê nua até os ossos, através da fina camiseta, então para diante de mim. O cheiro dele me invade – suor, noite, metal e fúria.
— Eu disse para ficar trancada — a voz é um sussurro perigoso.
— E eu disse que não sou um enfeite — minha voz soa desafiadora, estável, um contraste com o coração desgovernado.
Ele me examina, do cabelo aos pés descalços, seu olhar para no decote da minha camiseta, no contorno dos meus s***s sob o tecido e sobe até meus olhos.
— E então? O que você é, Clara? — O desafio é pessoal, cru. É a faísca.
— Estou cansada — digo, e é a verdade mais pura dos últimos meses. — Cansada de ser uma peça, de alarmes falsos, de fingir que ontem foi um erro, nada disso está bem, Dante. Nada.
A máscara dele se quebra, a frieza vira algo primitivo, nossa raiva se encontra, se reconhece, se alimenta, mas ele não diz uma palavra.
Em dois passos, está em cima de mim. Suas mãos agarram meu rosto com posse feroz. Seus olhos queimam.
— Então pare de falar — rosna, a voz áspera de tudo não dito.
E me beija.
É um selo de guerra. Sua boca é dura, exigente, o gosto é raiva pura, uísque, sal. Um gemido preso escapa da minha garganta e é engolido por ele.
E eu explodo.
Toda a frustração, o medo, a fúria, se transformam em resposta física, violenta, necessária. Minhas mãos enterram-se no seu cabelo, puxando-o, o beijo de volta com a mesma fúria, mordendo seu lábio inferior, sentindo o gosto do meu poder. É um combate, uma capitulação mútua.
Dante geme, um som profundo e vitorioso enquanto suas mãos deixam meu rosto e descem pelo pescoço, ombros, e me agarram pela cintura. Em um só movimento, me levanta do chão, minhas pernas envolvem sua cintura, apertando.
O contato é perfeito, íntimo, animal. Sinto seu p*u me pressionar através do tecido fino. Uma onda de calor avassaladora varre meu corpo, me fazendo entregar completamente ao momento, restando apenas nós dois.
Dante não vai para a cama, me vira, empurrando-me contra a parede do corredor. O impacto me tira o ar, mas não me importo, só importa o peso do seu corpo esmagando o meu, sua boca devastando a minha, suas mãos grandes, fortes agarrando meus quadris, puxando-me mais, me fazendo sentir seu p*u pulsante insistentemente.
— Dante… — sussurro entre um beijo e outro, um suspiro que é rendição.
— Cala a boca — ele rosna no meu pescoço, e seus dentes fecham-se no meu ombro, através do tecido. A dor é aguda, deliciosa, marcante.
É a senha. A ruptura final do controle.
Ele me carrega para dentro do quarto, escuto a porta se fechar com um baque enquanto sou jogada na cama, e Dante está sobre mim, seu peso é o fardo que anseio, seus lábios são duros, sua língua me invade, sua raiva tem o gosto do meu desespero enquanto suas mãos fortes arrancam minha camiseta. O som do tecido rasgando é o fim do mundo que conhecia.
Não há delicadeza, apenas fome, uma necessidade raivosa.
Ele despe-se, movimentos rápidos, impacientes. Seu corpo nu contra o meu é um choque de realidade, então, ele para, seus olhos, negros e possessivos, percorrem meu corpo tremendo sob ele. Há uma intenção nova, mais profunda, mais dominadora.
Ele não fala, apenas desce.
Seus beijos, que eram duros, se tornam uma exploração devassa. Descem pelo meu pescoço, meus s***s, onde sua boca e dentes me fazem arfar e gemer. Continua, enquanto acende uma trilha de fogo pelo meu ventre. E então, ele abre minhas pernas com suas mãos.
Não há preliminar. Não há adoração. Há tomada.
Sua boca encontra-me com uma pressão brutal, direta, e um grito rouco rasga minha garganta. Não é um toque de língua, é uma posse, Dante me consome com uma fúria concentrada, sua língua trabalha com uma precisão impiedosa no ponto mais sensível, enquanto um de seus dedos — grande, áspero — invade-me sem cerimônia.
É demais, é insuportável. E é exatamente o que preciso.
Meu corpo se contorce, tentando fugir da intensidade, mas suas mãos fortes em meus quadris me prendem. Dante não busca meu prazer; ele o exige. Ele o extrai de mim à força, com lambidas profundas e sugadas que me fazem ver branco. A tensão de semanas, o medo, a raiva contra ele, contra Viktor, contra o mundo — tudo se funde e é canalizado para aquele ponto de fogo entre minhas pernas.
— Ahhhhh, Dante! — Grito, não um nome, mas um juramento, uma maldição, uma oração.
Ele geme contra mim, o som vibrando em meu osso, e a sensação é o estopim. A onda quebra com a violência de um vidro estilhaçando. Meu corpo arqueia, rígido, convulsionando em um orgasmo que não é prazer puro, é catarse. É um pranto silencioso feito de espasmos e suor.
Ele não para, continua, implacável, bebendo cada tremor, prolongando a agonia-doce até eu ficar fraca, ofegante, esvaziada.
Só então ele sobe, seu rosto está molhado de mim, seus olhos queimam com um triunfo sombrio, há algo primitivo e satisfeito nesse olhar, Dante me marcou, me reivindicou de uma forma única.
Sem uma palavra, ele se posiciona entre minhas pernas ainda trêmulas, sinto a ponta do seu p*u, quente e impossivelmente sólida, pressionando minha entrada, seus olhos furam os meus.
— Você é minha,Clara— ele rosna, e não é uma pergunta, é um fato selado pelo meu gosto ainda em sua boca.
E em um movimento único, profundo, ele me invade, preenchendo o vazio que o clímax deixou. Um novo gemido, agora mais profundo, rouco de posse cumprida, sai de nós dois.
A invasão, cada centímetro seu me levando a loucura , Dante se move, frenético, implacável. É a continuação por outros meios, a guerra se travando no suor e no calor compartilhado, cada estocada é uma palavra não dita da nossa aliança perversa. Ele me vira, suas mãos firmes, e o ângulo muda, tornando-se ainda mais profundo, mais dominador. Eu me entrego, aceito, luto com meu corpo contra o dele, arranhando suas costas, puxando seu cabelo, igualando sua fúria com a minha.
Não há amor aqui, apenas verdade. Há necessidade, o reconhecimento brutal de que, neste pacto de sangue e dinheiro, nossos corpos também fizeram um tratado.
Quando o segundo clímax nos atinge, é simultâneo. O seu rugido abafado e o meu grito prolongado. É menos explosão e mais colapso. O colapso de todas as barreiras.
Dante desaba sobre mim, o peso esmagador e necessário. Por longos minutos, só há o som da nossa respiração ofegante tentando encontrar um ritmo, o cheiro acre de sexo e verdade.
Aos poucos, ele rola para o lado, mas não se afasta. Seu braço envolve minha cintura, puxando-me contra seu corpo suado, nossas pernas se enroscam enquanto sua pele se cola à minha.
Não falamos, o que há para dizer? O “erro” foi consumado, tornado inevitável. Não há fantasmas aqui agora. Só este quarto, esta cama, este suor compartilhado.
Viro a cabeça no travesseiro, ele está me olhando, não há arrependimento, apenas cansaço e uma claridade nova, uma aceitação. É uma posse tranquila, real.
Dante ergue a mão e toca meu lábio inchado com a ponta do polegar, um gesto surpreendentemente terno depois da violência.
Eu fecho os olhos, aninhando-me contra seu ombro. Seu braço me aperta contra si.
O contrato ainda existe, Viktor ainda está lá fora e a guerra continua.
Mas nesta cama, somos apenas um homem e uma mulher que atravessaram juntos para o outro lado do desespero. Se é um precipício, cairemos juntos.
E, pela primeira vez, o pensamento não me aterroriza.
Ele me puxa mais perto, o último pensamento, antes do sono, é que o silêncio agora não é de opressão.
É de paz. Uma paz conquistada a ferro, fogo, língua e carne.