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Lando Paris
O som da boate está alto demais, os corpos se mexem loucamente no ritmo da música me fazendo sentir tonto só de olhar. Me viro para o bar que estou sentado e peço mais uma dose de tequila. O barman já me conhece de outras noites e sei que está segurando aquele sorriso debochado dele que mostra que não se esqueceu da nossa aposta.
- Cinquenta libras Paris - diz enquanto enche o copo em cima do balcão.
Reviro os olhos enfiando minha mão na minha calça jeans, de onde tiro minha carteira e logo depois pego o dinheiro do ruivo na minha frente. Há dois meses que eu estive aqui, apostei com ele que aquela seria a última vez que eu frequentaria esse lugar, e até que eu consegui cumprir a aposta, mas ficar dois meses sem ir em uma boate é sinônimo de suicídio.
- Culpa daquela filha da p**a - digo com a boca enchendo de saliva para a xingar ainda mais. Entrego o dinheiro para o ruivo e ele me entrega a minha bebida.
- Aquela loira? - ele pergunta curioso enquanto guarda o dinheiro na jaqueta de couro.
- Ela mesmo. - Bebo um gole da tequila. - Acredita que ela foi capaz de me trair? Trair cara! Depois os homens que não prestam hum?
Duas mulheres ao meu lado me olham torto como se eu estivesse dizendo besteiras.
- O que foi? Vão me dizer que são santinhas? Suas vadias! - grito para elas que não me dão ouvidos e caminham para longe dali.
Provavelmente estou mais grosseiro que o normal, mas quem se importa? Minha vida tá uma p***a de merda do c*****o e vou reclamar o quanto quiser, com quem eu quiser. Até mesmo com quem eu nunca vi na vida. E se tudo der certo, vou f***r uma mulher tão bem, que Bradley vai se arrepender de ter terminado comigo.
- Está pegando pesado cara - o ruivo me diz enquanto serve um casal ao meu lado.
- Quem te perguntou? - digo à ele - só me serve e cala a boca. - Viro o resto da tequila que desce rasgando a minha garganta, e me viro para o casalzinho do meu outro lado.
A garota tem o cabelo preto, e seu namorado também. As mãos dele estão na cintura dela, que tem o rosto enfiado no pescoço do garoto. A cena me faz embrulhar o estômago, e sinto vontade de bater nos dois por me fazer sentir nojo.
- Ela vai te trair seu babaca! - exclamo para o corno que me olha - vai trair com seu melhor amigo, e você vai chorar feito um bebezinho.
- Como é cara? - o rapaz se levanta do seu banco, afastando sua namorada do seu corpo para se aproximar á mim. - Quer que eu quebre a sua cara de bêbado? - soca a própria mão o que confesso me deixa meio tenso, mas não com medo, isso nunca.
- Então bate seu o****o! - o insulto podendo sentir seu soco em meu rosto antes da hora. Ele tem mais músculos que eu já vi em uma pessoa, e um braço seu dá três dos meus. Talvez eu nem saia vivo dessa.
- Oh, oh - o barman murmura se inclinando no balcão para ficar entre o homem e eu. - Nada de brigas aqui - diz para a muralha na minha frente que está com a mão pronta para me socar. Ele olha para o ruivo e depois para mim, antes de aliviar e desfazer os dedos presos dentro da mão.
A namorada o segura pelo braço para o tirar dali, e enquanto se afasta seu olhar raivoso continua direcionado para mim, o que me faz voltar a olhar o barman que agora é meu superherói.
- Valeu - digo sendo o mais rápido possível, mesmo ele merecendo mais cinquenta libras por salvar a minha vida.
- Não arrume encrenca seu bêbado - reclama rindo e se afasta para atender outros clientes.
Reviro os olhos pensando no quê ainda estou fazendo aqui, já que em menos de trinta minutos quase briguei com a boate inteira, e provavelmente eu estaria arrebentado agora se alguém me batesse. Não estou em uma ótima condição para brigar com alguém.
Saio da cadeira alta que estou de frente ao bar, e me seguro na madeira escura dele, por me sentir levemente tonto. Não pensei que tivesse bebido tanto para ficar tonto assim, foram 3 ou 4 copos de tequila apenas.
Sinto um corpo bater contra o meu peito assim que me viro de frente as pessoas que passam, o copo que a garota segura na mão voa em minha blusa, mas não me molha por está vazio, e cai aos meus pés se estilhaçando inteiro. Algumas pessoas olham para mim e a garota que está na minha frente com a feição de assustada.
- Não olha por onde anda não? - reclamo com ela. Mesmo sendo injusto ser grosso com uma moça qualquer, eu não consigo controlar, o álcool já está me controlando.
- De-desculpa - ela gagueja como quem tem medo de alguma coisa.
Uma garota que está atrás dela me fuzila com os olhos e se eu não tô ficando louco, posso dizer que ela quer me matar só vendo seu rosto nada feliz para mim.
Agora a culpa é minha também? Francamente.
- f**a-se - resmungo com todo meu rancor que está tão aflorado agora, e saio andando para fora da boate que eu não deveria ter entrado hoje.
A essa hora Bradley deve está dando para qualquer um, e eu continuo na merda, com as coisas só piorando para o meu lado. Se hoje não é o pior dia da minha vida, nem quero saber qual será, porquê um dia pior que hoje, será o meu fim.
Já fora da boate eu vou até o poste que tem na calçada, que por sorte - única sorte até agora-, está ligado, diferente dos demais da rua. Tem uma fila não tão grande na porta da boate, e olho por alguns instantes algumas mulheres que estão nela. Algumas mais bonitas que outras, mas nenhuma do estilo de quem aceita t*****r com um desconhecido. Provavelmente eu deva ir em um outro lugar que há esse tipo de garota, mas não quero pagar ninguém para t*****r comigo, quero que transem de verdade, não por estarem ganhando dinheiro.
Me encosto no poste e observo alguns carros passando na rua. Torço para que em um deles Bradley esteja com o amante dela, sofram um acidente e morram. Ou muito melhor que isso, que o amante fique tetraplégico, e isso faça com que Bradley volte para mim. Sim, essa idéia é melhor!
- Detesto lugares cheios - uma voz ao meu lado me assusta dos meios pensamentos nada convencionais. Olho para a pessoa, vendo a mesma garota que quebrou o copo em mim.
Franzo minha testa para ela que têm o olhar focado no outro lado da rua.
- Se detesta então o que está fazendo em uma boate? - debocho cruzando os meus braços sobre meu peito.
A garota usa um vestido rosa cheio de vários emojis de mensagem, e sapatilhas prateadas. Parece até uma criança do ensino fundamental vestida. Só faltou as trancinhas no cabelo.
- Minha amiga queria se divertir e me trouxe junto - explica com calma.
- Ela não poderia se divertir sozinha? - pergunto arrancando um sorriso dela, que confesso até ter a achado fofa agora.
- Eu a fiz a mesma pergunta - responde ainda com o olhar vidrado para a rua escura, como se estivesse conversando com alguém lá do outro lado, e não comigo junto dela.
- Por que não olha para mim? Tem medo? - Indelicado eu a pergunto, mas pouco me importo em ser grosseiro ou não, já fui m*l educado o suficiente hoje para não me importar mais.
Ela vira seu rosto para mim, e seus olhos miram a minha bochecha como se ela fosse bastante interessante para ela olhar.
- Não muda nada eu olhar para o seu rosto se eu sou cega. - Me revela, fazendo meu queixo cair surpreso. Imediatamente a frase mais estúpida que eu disse a alguém hoje vêm em minha mente:
Não olha por onde anda não?
Pior dia da minha vida, definitivamente.
- Me desculpa pelo o que eu disse, eu não sabia, eu- tento procura algum jeito de escapar dessa vergonha que sinto agora. O álcool até parece que sumiu, dando lugar ao Liam sóbrio e arrependido das merdas que fez essa noite.
- Tá tudo bem - ela ri do meu desespero eu aposto -, ninguém é adivinha, ainda mais quando está bêbado e sua namorada o traiu.
- Como sabe disso? - me espanto com o que diz, e observo mais um sorriso se formar em seu rosto.
- Você gritou para a boate inteira ouvir, todos sabem que a Bradley é uma v***a que te traiu. - Diz simplesmente, como se fosse algo tão normal de se falar.
Me sinto momentaneamente envergonhado por ter compartilhado da minha i********e assim para quem quisesse ouvir, mas sei que o que foi feito não tem como desfazer. Infelizmente.
- Foi com meu melhor amigo, - murmuro meio incerto se abro ainda mais sobre a minha i********e, se bem que ela já sabe um terço do quê aconteceu, então contar o resto não vai mudar muita coisa - ela disse que me amava, prometeu que sempre ficaria comigo. Hoje nós completamos 1 ano de namoro, ela me traiu logo hoje!
- Seria menos r**m ela te trair outro dia sem ser hoje? - pergunta.
Penso que estou mesmo sendo i****a em dá importância ao dia, sendo que traição é muito mais que isso. Sendo que Bradley foi muito mais v***a do quê um inútil dia.
- Não - respondo percebendo o quão inteligente essa garota é. O que me impressiona, para uma cega ser tão inteligente deve ser um privilégio.
- E a vingança?
- Hum?
- A vingança, toda pessoa traída pensa em como se vingar. - Explica como quem já tem experiência com isso.
Observo ela, e me pergunto como deve saber sobre traição, ela é cega, como alguém que não enxerga pode saber que está sendo traído? É até engraçado pensar nisso, mesmo sendo uma situação bem trágica.
Me volto a pergunta que ela me fez, e além de beber e querer t*****r, eu não tenho nenhum outro plano de vingança.
- Na verdade eu só quero t*****r com alguém - miro meu olhar para fila que ainda tem em frente a boate, observando algumas garotas com os vestidos tão curtos que eu posso até saber as cores das calcinhas delas.
- E o quê ainda está fazendo aqui?
- Não tô afim de enrolação, quero t*****r agora - me explico e volto com meu rosto para olhá - lá.
A cega morde o lábio inferior em silêncio, como quem está pensando em algo. Leva os dedos com as unhas pintadas de esmalte cheio de brilho para os cabelos que estão sob seu rosto, e puxa as mechas para trás da cabeça.
- Bem...então, transa comigo. - Sugere, me fazendo quase cair do poste.
Transar com ela? Com uma cega? Ela provavelmente é virgem, e francamente não quero tirar a virgindade de ninguém hoje, ainda mais uma que não enxerga.
Mesmo com álcool no corpo, eu tenho consciência das coisas que faço.
- Não posso...
- E porquê não? - sua teste se enche de vincos confusos.
- Você não faz meu tipo - olho seu corpo, e admito que ele não é de se jogar fora, mas de qualquer maneira, eu jamais transei com uma cega, e não é agora que vou fazer isso.
Ela ri mostrando os dentes tão brancos, que parece até uma das garotas propaganda de creme dental.
- Você...
- América! - uma garota vêm até nós, e logo percebo que é a mesma que me matou com o olhar dentro da boate. Ela fica do lado da adolescente/criança, colocando uma mão em seu braço, e me olha como se eu fosse uma ameaça. Qual o problema dessa garota?
- Oi Malu - a cega diz nada feliz pelo tom de voz.
- O que faz aqui...com ele? - seus olhos me observam de cima a baixo.
- Só estava conversando, não foi você que disse para mim fazer amizades?
- Sim, mas não com um bêbado.
- Ei! - protesto tirando um sorriso da garota cega.
- Vamos embora - a amiga dela fala sem tirar os olhos de cima de mim, puxando - a para longe do meu corpo.
- Tchau - a garota diz antes de ser levada para o carro encostado na calçada.
Eu sorrio balançando a cabeça, pensando no quão louca foi essa noite.