Isabela As horas no escuro pareciam dias. Os ponteiros do relógio, antes meus companheiros na contagem do tempo, agora eram apenas ecos distantes de uma realidade que já não me pertencia. A escuridão me envolvia como um manto sufocante, e o silêncio era interrompido apenas pelo som irregular da minha própria respiração, que se misturava ao bater frenético do meu coração. E os dias… pareciam uma eternidade de silêncio, medo e incerteza. Cada amanhecer – se é que havia amanhecer naquele lugar – era recebido com um misto de apreensão e desesperança. A luz que se infiltrava pelas frestas da porta, ao invés de trazer conforto, apenas servia para me lembrar da vida que eu tinha do lado de fora, uma vida que agora parecia tão distante quanto um sonho. Não sabia se era manhã, tarde ou noite. O

