Isabela O sol nasceu, mas a luz não entrou. Não na casa. Não em mim. A cama estava fria entre nós. Eu virei para o lado oposto, mas podia sentir a presença de Caio como um peso invisível sobre o meu peito. Ele não disse uma palavra. Apenas respirava, fundo, como quem luta contra monstros que ninguém mais vê. Eu também. A imagem de Gabriel sangrando, caído no chão, cravava garras na minha cabeça. O som do tiro, o cheiro metálico do sangue no ar, o desespero… tudo ainda estava comigo, como uma cicatriz que não teve tempo de cicatrizar. E Caio. Com os olhos vidrados, as mãos tremendo, e aquela frase que ainda me assombrava: "Se ele morrer, você morre junto." Aquilo não era uma ameaça. Era uma confissão. Uma confissão doentia de amor. Levantei devagar, os pés frios tocando o chão de m

