#Natalie
Eu estava deitada em uma cama de hospital doida para sair o mais rápido daqui. Meu corpo ainda estava muito dolorido, tinha fios ligados monitorando minha evolução médica e segundo o médico eu tinha dito muita sorte por a bala não ter atingido nenhum órgão vital. -É bom lhe ver acordada.
-A delegada Aguilar entrou no quarto e eu me acomodei melhor na cama.
- As coisas fugiram do controle, senhora. -Me apressei em falar, mas ela apenas pediu com a mão que eu me calasse.
- As coisas realmente saíram do controle, mas talvez tenha sido melhor assim. - A encarei cética, afinal eu tinha levado dois tiros. -Não, é claro que não estou falando isso por causa dos seus tiros. -Ela logo se corrigiu. - Mas tudo isso serviu para acelerar as coisas. Hoje contamos para a senhorita Pugliese sobre a investigação e mesmo que ela não tenha aceitado muito bem, ela ainda não falou nada com o pai, o que significa que ela está levando as informações em consideração. -A delegada entregou a arma de Nath para ela. -Peguei sua arma no meio da confusão para ela não desconfiar de nada. -Obrigada. -Peguei a arma e verifiquei se estava tudo em ordem com ela.
-A Priscilla já sabe de tudo? -A ter que ponto ela sabia a verdade? Será que ela sabia que eu ela policial e estava me testando. O medo me atingiu em cheio e a delegada percebeu, pois logo complementou. -Não contei sobre você. Mas é uma coisa que não vai conseguir esconder por muito tempo. Você vai continuar na cola dela, até porque não sei se sabe, mas ela fez questão de pagar por todo o seu tratamento aqui e também fiquei sabendo pelo médico que você não vai poder ficar em casa sozinha, ainda precisa de cuidados mesmo depois que tiver alta e não é difícil imaginar quem vai se oferecer para cuidar de você.
Eu me sentiria uma pessoa pior se realmente meus sentimentos não fossem verdadeiros. Nunca ninguém tinha mexido tanto comigo. Levei tiros para protegê-lo e esperava que isso fosse levado em consideração no momento da verdade. - O que ela sabe? -Aquela informação era muito importante para eu traçar uma abordagem de como contar para ela toda a verdade sobre mim. -O básico. Que o pai dela e o amigo estão envolvidos com uma organização de tráfico de mulheres e crianças. É claro, que ela não aceitou e precisamos mostrar algumas provas. O agente Tamas Morelli será o responsável pela segurança dela enquanto você não se recuperar. -Quem é esse? Ele sabe que estou infiltrada?
-Foi ele quem nós forneceu informações pessoais sobre a Priscilla Pugliese e família. Eram amigos de infância, mas por motivos óbvios ele não poderia ser a nossa pessoa de confiança investigando a senhorita Pugliese. E sim, agora ele sabe sobre você e espero que trabalham juntos nisso, pois não queremos civis feridos. A delegada foi embora e por conta dos remédios acabei adormecendo. Acordei com algumas vozes. Priscilla e Bárbara conversavam em meio a risadas e nem perceberam que eu tinha acordado e estava as observando. Elas pareciam ter se dado realmente bem, o que é até irônico, pois a Bárbara nunca gostou da Gabi, assim como Thaís, então os encontros de casais foram deixando de acontecer aos poucos.
-Oi, meninas. -Falei e Priscilla logo veio até mim. -O que estavam tramando? Não acho que eu e a Thaís vamos querer vocês tão unidas. -Brinquei. -Isso não importa. Nós é que mandamos nas relações. -Bárbara entrou na brincadeira e todas rimos.
-Como está se sentindo? -Pri perguntou e eu a observei melhor. Parecia que ela não dormia a dias e seus olhos estavam vermelhos como se tivesse chorado muito.
-Com um pouco de dor no ombro, mas nada demais. Você é que não parece nada bem. -São apenas preocupações. Não quero lhe trazer problemas. Você precisa se recuperar. -Pri fala acariciando meus cabelos e logo seus lábios tocaram os meus. -Vou sair para que possam se beijar em paz. -Ouvi a fala de Bárbara entre risadas. -Ela é uma fofa. -Pri comentou. - Já quero um encontro de casais quando ela loucura acabar e depois de você aceitar o meu pedido de namoro, é claro. Eu sabia a barra que a Priscilla estava passando e a admirava mais por ainda assim tentar me fazer sorrir. -Eu aposto que vai se arrepender quando ver aquelas duas unidas lhe perturbando. E sobre o seu pedido. Eu espero que ainda pense assim quando tudo isso acabar. -Você não vai escapar de mim. -Pri me dá outro beijo. Agora quem nós atrapalhou foi o médico.
-Vejo que está bem melhor senhorita Smith. -O homem jovem e loiro comenta e eu concordo olhando para a Priscilla que segura em minha mão. -Sua recuperação é realmente impressionante, está no alto da sua boa forma física. Era claro que eu estava, meu trabalho exigia muito do meu corpo e mente, eu sempre busquei manter hábitos saudáveis, mas não iria responder isso na frente de Priscilla, afinal ela achava que eu era apenas uma corretora de imóveis e não uma policial que corre atrás de bandidos. -Quando vou poder sair daqui? -Seu quadro clínico está ótimo, apesar da cirurgia ter sido difícil, o período de observação mostrou que nada foi realmente afetado como imgamimos no início. Acredito que entre dois ou três dias você vai poder ir para casa, mas de maneira nenhum poderá ficar sozinha. -Mas eu moro sozinha, doutor. - Comentei.
-Então nesse caso é melhor que fique mais tempo aqui. -Ele anotava algo na prancheta. -Isso não será um problema. Ela vai para a minha casa. Se for preciso contrato uma enfermeira. -Pri fala e o médico acena concordando. -Você não precisa se incomodar. Eu não quero dar trabalho. -Falei depois que o médico terminou de me avaliar e saiu. - Não será incômodo nenhum. Vou aproveitar esses dias para organizar alguns problemas e assim poder me dedicar a cuidar de você. #Priscilla Por mais que eu quisesse me trancar em uma realidade paralela com a Nath, eu tinha que enfrentar os pesadelos que estava vivendo. Já tinha deixado vários recados para o meu pai e Rodrigo que insistiam em não me atenderem. Tamas estava sendo como uma sombra para mim. Pelo menos no meio disso tudo a Nath estava se recuperando bem e logo teria alta. -Sua namorada vai ficar na sua casa quando sair do hospital ? - Tamas puxou assunto e eu confirmei. -Sim, ela não tem família na cidade e não pode ficar sozinha. -Já pensou no que vai fazer em relação ao seu pai e o Rodrigo? -Eu não faço a menor ideia de como agir. Eles não me respondem. E tudo isso ainda é bem surreal para mim. -Confessei. -Você não pode contar sobre a investigação para eles, a delegada deixou isso bem claro, ou vai ser acusada de colaborar com criminosos. -Tamas parou o carro no estacionamento da empresa. -Criminosos? - Eu não iria contar nada. Não por pensar que aquilo tudo fosse verdade, mas por achar o comportamento deles ultimamente bem estranho.
Mesmo com amigos eu nunca fui de me abrir ao ponto deles saberem tudo sobre mim. A verdade é que uma pessoa nunca é cem por cento um livro aberto, e porque eu seria diferente. Não gostava de ser enganada e se uma desconfiança surgia eu ia até o fim para descobrir tudo. -Eu te conheço, Pri. Eu sempre soube que você nunca se envolveria em algo do tipo. Você sempre quis ajudar as pessoas que eram menos favorecidas, lembro de inúmeras brigas que se meteu no colégio por defender os bolsistas e qualquer um que sofria bullying. -Melhor deixar as suas observações para lá, Tamas. Eu ainda estou chateada de você não ter me contado toda a verdade quando lhe procurei. -Eu não podia lhe contar. Você acreditou por causa das provas que a delegada lhe mostrou. Nunca iria acreditar se eu apenas lhe contasse tudo. Você precisava está preparada para isso. Querendo ou não aquele atentado foi importante para você entender o tamanho da encrenca que se meteu. Tudo o que Tamas falava era verdade, eu não teria acreditado. E o fato de eu estar na empresa agora era para tirar toda aquela história a limpo. Ouvir do próprio Rodrigo que aquilo tinha uma explicação. Já que eu não poderia confrontar o meu pai pessoalmente, pois ele estava viajando sabe Deus para onde agora. -Eu prefiro que você fique me esperando aqui. Tenho muita coisa para resolver no escritório. Tudo bem? -Falei na entrada e Tamas concordou. Afinal o que poderia acontecer comigo ali dentro se ele estava na porta. Assim que entrei perguntei há Laura se Rodrigo estava na empresa, e como agora era de costume ele não estava. Deixei que passasse um tempo até que a minha secretária conseguisse organizar tudo para que eu saísse no helicóptero e fui atrás da pessoa que poderia me dar respostas. E me daria de qualquer maneira.
Depois da pequena viagem para outro heliporto, eu peguei um táxi e fui até a casa de Rodrigo, meus planos eram só sair de lá quando tivesse todas as minhas respostas. Como ele também não estava em casa, resolvi usar a minha chave reserva e entrei encontrando uma verdadeira bagunça na sala. Tinha várias coisas quebradas e algo me chamou atenção no chão, me aproximei e passei a mão pelo chão. Era sangue. Meu coração começou a bater acelerado e eu saí aflita pela casa gritando por Rodrigo, sem ter resposta alguma. No banheiro do quarto dele tinha vários vestígios de sangue também, sua cama estava bagunçada e tudo isso me deixava ainda mais preocupada. -Onde você se meteu, Rodrigo. -Eu andava de um lado a outro tentando ligar para ele. Até que ouvi um barulho na porta. -Pri. O que está fazendo aqui? -Rodrigo me perguntou surpreso e eu pude ver seu rosto enchado e talvez seu nariz tivesse sido quebrado, pois estava horrível. -Você não apareceu na empresa e fiquei preocupada. -Inventei essa desculpa na hora e Rodrigo pareceu engolir. -Eu tive alguns problemas. -Falou olhando para a bagunça na sua casa. -Isso eu percebi. O que está acontecendo? -Rodrigo não me encarou, estava aflito e eu tentava entender toda aquela bagunça que surgiu na minha vida esses dias. -Rodrigo, por favor, me diga o que está acontecendo. -Eu estava entrando em desespero pela verdade. -Eu só me meti em uma confusão, Priscilla. Não preciso que venha aqui como se fosse me oferecer a paz mundial.
-Do que você está falando? Eu estou aqui porque estou preocupada com você. Somos amigos e se está medido em algo sério quero lhe ajudar. -Rodrigo estava na defensiva.
-Me ajudar como? Me convidando para o seu casamento com aquela garota? Ou melhor esperando que eu aceite o convite para ser o padrinho? -Foi irônico.
- Você está ficando louco? Não muda de assunto, Rodrigo. Eu sei que tem algo grande acontecendo. Estou aqui lhe dando a chance de me contar, pois eu vou dar um jeito de descobrir. Ele andou com dificuldade até a cozinha e tomou um remédio. Parecia em conflito sobre me contar ou não. -Você não vai querer saber de toda essa confusão. Melhor que fique em seu mundinho. -Você acha que eu sou mulher de ficar em meu mundinho enquanto o mundo das pessoas que eu amo desmoronam? -Até o momento isso tem dado certo. -Rodrigo respondeu passando por me na porta da cozinha. -Você está sendo injusto comigo. -Falei ofendida e ele me encarou. -Priscilla você não precisa se preocupar com nada. Sua vida está garantida.
-E minha segurança está? Porque não foi essa sensação que tive quando um maluco me perseguiu e atirou acabando com o meu carro e ferrindo a Nath.
-Espera você foi atacada? Está bem? -Rodrigo se aproximou e passou a mão por meu corpo verificando se estava tudo bem comigo. -Sabe quem fez isso com você?
- Eu estou bem e a polícia está investigando. -Rodrigo se afastou e eu toquei em seu ombro. -Me conta o que está acontecendo.
-Eu…- Quando Rodrigo decidiu dizer algo ouvimos batidas na porta. -Se esconde. -Ele mandou parecendo nervoso. -Não vou me esconder. -Falei decidida e Rodrigo foi me empurrando para a cozinha. -Não saia daqui por nada. -Seu olhar era sério. Rodrigo pegou uma faca antes de sair da cozinha.