A noite havia se arrastado num silêncio opressor. A mansão estava em penumbra, e apenas a luz fraca do escritório escapava por debaixo da porta pesada. Isadora caminhava pelo corredor, o prato quente nas mãos, as palavras presas na garganta. Ela parou em frente à porta, hesitou por um segundo, depois girou a maçaneta. Dante estava de costas, encarando o mapa sobre a mesa. Linhas vermelhas, anotações à mão. Um plano de guerra. Ele vestia apenas uma calça escura, com as ataduras frescas envolvendo sua costela ferida. A pele marcada por hematomas. O cheiro de vinho e pólvora ainda pairava no ar. — Trouxe comida — ela anunciou, num tom calmo. Ele não respondeu de imediato. Apenas virou lentamente, os olhos escuros pousando nela com um cansaço que beirava o colapso. — Não tô com fome. —

