Aisha percebeu pelo olhar daquela mulher que ela não estava ali por acaso. Havia algo direto, afiado, quase violento naquele jeito de encará-la, como se o único objetivo fosse destruí-la ali mesmo. A sensação percorreu sua espinha com familiaridade. Ela já conhecia aquele tipo de hostilidade, embora não entendesse o motivo. Nunca tinham se visto antes, nunca trocaram uma palavra. Ainda assim, a mulher falava com rispidez, como se Aisha tivesse cometido um crime imperdoável apenas por existir. — Olá… desculpa não me levantar. Acho que você já deve saber que sou cega. Aisha fez questão de manter a voz suave, controlada, quase dócil. Cada palavra era calculada. A mulher à sua frente sorriu, mas não havia humor algum naquele gesto. Era desdém puro. — Sim, eu já sabia. Artem me avisou que ti

