Capítulo 4

1100 Palavras
Capítulo 4 Angelina Narrando Itália, doce Itália! Quando finalmente pisei os meus pés naquele país, eu respirei fundo, quase como se eu tivesse nascido novamente. Afinal, aquilo era literalmente uma nova vida, Eu poderia ter novas experiências naquele país, poderia falar com pessoas que eu nunca vi na minha vida – e que consequentemente também nem devem saber quem eu sou -, eram coisas demais para se explorar. E enquanto andava pelos lugares, eu fui procurar por um novo apartamento pra me instalar, já que nem tudo pode ser resolvido pelo meu irmão. Já que de acordo com ele, se ele escolhesse algo que eu não gostasse... eu amaldiçoaria a sua alma e a de suas futuras gerações. E bom... ele não estava completamente errado. Eu passei por alguns apartamentos que estavam disponíveis pela região, alguns eram grandes e nada confortáveis, outros não eram bem localizados, e grande parte deles, eram apenas lugares que eu não sabia como um ser humano conseguiria habitar. Isso até eu achar o meu pequeno e adorável apartamento. Paredes brancas, piso de madeira, uma janela gigantesca que dava para a varanda e claro, uma bela vista, uma que não tinha prédios tampando o céu, e nem apenas concreto na frente. — É esse! — eu disse com uma certa empolgação para o homem que estava me acompanhando quase o dia todo, — me diga que eu posso pegá-lo agora mesmo. — Eu não tenho objeções, — ele me disse com um sorriso, e apenas me guiou para o andar de baixo para lidarmos com as negociações, e com a papelada que eu teria que lidar. O processo foi bem rápido, então eu não tive muito o que reclamar, e a vizinhança parecia bem calma e alegre. E por mais que esse lugarzinho pequeno não fosse uma gigantesca casa na praia, já era até que um bom começo. Tanto que por um tempo, eu fiquei olhando para o teto daquele lugar, com aquele ventilador de teto que no momento estava girando e girando. A minha chegada havia sido exaustiva, eu tinha que admitir, porém não diria que a minha empolgação tinha ido embora. Não. Ela estava ainda mais forte. Uma que eu nunca havia sentido antes, talvez fosse a sensação de finalmente viver algo sem ninguém estar olhando, julgando. E então, após descansar um pouco naquela cama que nem lençóis possuía, eu fui às compras com o dinheiro que havia me restado. Consegui o básico para a casa nova, comida e até mesmo uma tinta para o meu cabelo. Preto havia sido a cor escolhida para Angelina Lombardi, e uma tesoura fez o resto do trabalho, me colocando uma franja em meu rosto. Eu até pensei em colocar um óculos para completar toda a transformação, mas foi uma ideia que foi descartada rapidamente, Eu não precisava seguir todos os filmes e nem livros à risca. E quando eu achei que finalmente conseguiria parar para comer alguma coisa decente, meu corpo cedeu, e tudo ficou escuro em minha frente. E na manhã seguinte, o sol e o canto dos pássaros me acordou, e por mais que eu estivesse com o melhor dos pensamentos positivos, eu ainda queria matar aquelas coisas pequenas e aladas. Nunca gostei de manhãs ensolaradas e cantantes, isso não mudaria agora. Mas pelo menos, eu tinha pão, meu querido presunto de Parma e um café que possuía grãos que não foram queimados na fornalha do inferno. — Não posso relaxar demais. — Eu acabei dizendo após tomar o meu café, olhando para as oportunidades de empregos que estavam próximas a mim. Tinham várias empresas por perto, e o trabalho de secretaria era algo que seria bom para mim no momento. Eu tinha todos os requisitos, e também, arrumar a vida de alguém e falar o que ela teria que fazer, não iria realmente ser um problema. Então liguei para vários lugares para agendar as entrevistas, e com isso vários e-mails também eram enviados. E um lugar em específico, me pediu uma entrevista quase que imediata, falando para eu aparecer no endereço que iriam me mandar em duas horas. — Como aquela empresa deve ser para isso ser tão urgente? — Me perguntei enquanto me arrumava, os olhos que eu via no espelho, estando cheios de dúvida. E por mais que eu estivesse segura que conseguiria lidar com tudo que viesse em minha frente, um pequeno grão de ansiedade, habitava em meu peito. E quando eu finalmente consegui chegar ao local, as perguntas na entrevista não me ajudaram nem um pouco. — Sabe lidar com pessoas temperamentais? — A entrevistadora me perguntava, quase como se tudo dependesse daquilo. — Sim, convivi com muitas. — Respondi com um sorriso social, polido. — Tem um raciocínio rápido? Sabe agir sob pressão? — Sim, é algo natural. — Respondi, tentando com isso não imaginar como seriam os meus dias após aquilo. — Como lida com grandes quantidades de trabalho? — Lido bem com grandes quantidades de trabalho. No fim, é tudo uma grande questão de organização. — Respondi com uma calma que não habitava em nenhum lugar do meu ser . — Ótimo. — Ela se limitou a dizer enquanto anotava, enquanto me analisava, — Senhorita Lombardi, creio que o seu perfil seja o que procuramos, — ela dizia enquanto olhava os papéis em sua frente, — consegue começar amanhã ? — Amanhã? Não é muito repentino? — Não evitei de dizer, e até mesmo me assustar um pouco com aquilo, — não é preciso uma seleção antes disso ? — Senhorita Lombardi, nós não possuímos muito tempo no momento. Três secretarias já foram demitidas, só nessa semana. — Ela disse com uma voz calma, firme, — se o senhor Mancini ficar mais um dia sem secretaria, alguém terá ... Ela se calou, e eu não sabia se aquilo era por não querer me assustar, ou só por sentir que seria punida caso continuasse . E provavelmente, eram ambas as opções . — Tudo bem, eu entendo. — Em uma tentativa de quebrar aquele clima pesado que havia se alastrado pela sala, eu acabei dizendo, — eu posso começar amanhã, que horas eu terei que chegar? — As 8 da manhã em ponto, e não esqueça do café, — ela me aconselhou, com isso escrevendo em um papel o nome da cafeteria e do pedido, — pegue isso antes de chegar aqui, está bem? Isso deixará a sua vida mais fácil . Eu peguei aquele papel, e respirei bem fundo . Quando os meus olhos se abrissem no dia seguinte, o meu dia começaria sem pausa alguma .
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