Capítulo 5
Oliver Narrando
— COMO ASSIM EU NÃO TENHO UMA SECRETÁRIA? — Eu gritei enquanto olhava para o celular, meu sangue fervendo, — O QUÃO INCOMPETENTES VOCÊS SÃO? ARRANJEM UMA NOVA LOGO!
— M-mas senhor... — a voz do outro lado dizia, parecendo não saber o que fazer, para onde ir, — é difícil contratar pessoas tão rapi-...
— EU NÃO LIGO! — Respondi, me sentando de forma brusca no sofá do quarto de hotel, — APENAS CONTRATEM UMA LOGO! OU NEM ISSO VOCÊS SABEM FAZER DIREITO?
O outro lado estava quieto, e isso apenas me irritou ainda mais, me fazendo derrubar tudo o que estava no criado mudo ao meu lado.
— Apenas me responda logo! Qual é o seu problema? — Me levantei, com isso começando a andar por aquela suíte, — eu estou esperando um: “sim, senhor, nós vamos achar uma secretária nova antes do senhor chegar aqui! Ou até mesmo isso é difícil para você?
— S-sim, senhor... nós encontraremos uma secretária antes do senhor chegar na Itália...
— Ótimo! OBRIGADO! — Eu simplesmente desliguei, minhas mãos foram parar na mesa que agora estava virada porque eu havia a jogado aos ares, e tudo o que era de vidro, agora estava no chão, em cacos assim como qualquer um que fossem dar uma notícia desagradável quando eu voltasse.
Isso tudo era inadmissível.
Como eu posso sair do MEU PAÍS, para me casar com a filha daquele DESGRAÇADO, e ainda por cima, descobrir que ela havia fugido?
Certeza que tudo isso era uma armação para me desestabilizar, mas eu não vou jogar esse jogo doentio, pelo menos, não o dele.
— Esse filhos da put@! ELES VÃO ME PAGAR! — Eu dizia enquanto olhava para o espelho, os meus olhos brilhando com raiva, rancor.
Meu rosto estava completamente contorcido por conta do ódio que eu sentia, minha pele toda vermelha por conta do quanto o meu sangue estava fervendo.
Quebrado.
O punho que atingiu aquele espelho, fez ele ficar completamente quebrado, e pequenos reflexos de mim mesmo poderiam ser vistos no chão, em cima daquele móvel de madeira maciça que se encontrava embaixo dele.
— MERDA! — Senti os meus dedos pulsarem, aquele líquido vermelho escorrer pela minha pele, — se controle! Quer virar um idiot@ como os que te cercam? — Minha outra mão estava em volta do meu pulso naquele momento, procurando qualquer coisa que pudesse estancar o sangue.
Eu tinha que respirar, pegar aquela toalha branca e colocar em cima do meu machucado.
— Isso, é só fazer isso... — apertei um pouco aquela toalha em meus dedos, já que os mesmos pareciam se encontrar em uma grande fonte carmim.
E assim que eu olhei para trás, e ver o estrago que eu havia feito, eu apenas suspirei.
— Eu vou ter que pagar por isso. — joguei os meus fios para trás, uma certa frustração e decepção se alastrando dentro do meu peito, — porr@, Oliver!
E após respirar por alguns minutos, me convencer que alguém arrumaria toda aquela bagunça para mim quando eu desse o devido dinheiro, as minhas malas começaram a ser feitas.
Feitas enquanto um pedaço de tecido limpos estava preso como uma tala na minha mão.
Aquilo era irritante, mas também era uma consequência.
E depois que tudo aquilo ficou pronto, que eu finalmente pude me deitar no único cômodo que não estava destruído – que era o cômodo onde se encontrava a cama -, meu antebraço cobriu os meus olhos.
Eu realmente não queria ter que lidar com tudo o que estaria me esperando na Itália.
Não com aquele bando de incompetentes, e se eles não tivesse arranjado qualquer uma até eu voltar, eu nem sei o que eu poderia fazer com o azarado que estivesse em minha frente.
E talvez, nem fosse bom eu saber, só de pensar que eu teria que contratar alguém para limpar aquele carpete caso eu matasse alguém...
Apenas isso, já era estressante o suficiente.
Mas enquanto montava cenários onde pessoas eram mortas em minha cabeça, em todas as pessoas que eu precisaria contactar e contratar depois disso... eu adormeci.
Adormeci apenas para acordar e ver que eu precisava muito levantar e correr para o aeroporto o mais rápido que eu pudesse.
Tudo foi feito às pressas, tanto que eu escutei buzinadas pelo caminho, e uns quase acidentes aconteceram antes de eu chegar bem no horário do meu vôo.
Então, junto com uma quase morte, também tivemos uma quase perda do meu avião.
Foram quase 9 horas de voo, e quando eu finalmente cheguei em solo italiano, tinha um dos meus funcionários me esperando junto de um carro.
E aquele carro me levou até a minha casa, apenas para eu tomar um simples banho e começar a ter uma aparência apresentável.
Tudo isso, para ir diretamente para a minha empresa, e para a fila de demissões que se seguiriam.
— Bom dia, senhor. — Vários funcionários me disseram em uníssono.
— Bom dia. — Respondi, sem alegria nenhuma presente em meu rosto, — já conseguiram uma secretária para mim?
— Sim, senhor. O nome dela é Angelina Lombardi, e ela já está na sua sala, — alguém me explicou, o meu olhar pairando por aqueles corpos que pareciam que iriam desabar com qualquer palavra minha.
— Ótimo. — Me limitei a dizer, — espero que essa seja mais competente do que as últimas que vocês me arranjaram.
E ao dizer aquilo, eu apenas fui em direção a minha sala, esperando achar uma mulher qualquer que estaria usando um óculos, um coque mais preso que o de uma freira, uma saia justa e um blazer sem graça.
Mas... não foi isso o que encontrei.
Eu encontrei uma mulher que estava usando uma calça de alfaiataria, um blazer que era claramente de qualidade, seus cabelos negros sendo destacado pelo tom cinzento daquele tecido.
E tudo parecia sob medida, já que delineava bem o formato do seu corpo.
— Bom dia, senhor Mancini. — Ela foi a primeira a dizer algo, com um sorriso completamente polido, ensaiado, — aceita um café?
— Claro. — Logo levei o café até a minha boca, meus olhos não conseguindo ser tirados dela, — Angelina Lombardi, certo?
— Oh? Já se lembra do meu nome? — Seu tom parecia uma mistura de surpresa e de zombaria, — não esperava isso do senhor.
— Eu sou cheio de surpresas, minha cara. — Eu soltei, um sorriso malicioso logo se formando em meu rosto.
Que expressão aquele rostinho bonito faria se... eu transformasse a vida dela em um inferno ?