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A TENTAÇÃO DO DONO DO MORRO- APAIXONADO PELA DANÇARINA

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Sinopse

Paola aprendeu cedo que o mundo não tem piedade de quem nasceu sem escolha.

Desde os quatorze anos, carrega nas costas o peso de sustentar a mãe e o irmão mais novo, enquanto tenta sobreviver ao inferno dentro da própria casa. Com um padrasto viciado, violento e capaz de vender a própria enteada para quitar dívidas, ela vê sua liberdade ser arrancada quando é obrigada a trabalhar em um bordel. Cada noite é uma batalha. Cada amanhecer, uma nova humilhação. E, mesmo assim, ela continua lutando... porque Dante, seu irmão de apenas quatro anos, é a única luz que ainda a impede de desistir.

Do outro lado da cidade, Kevin, conhecido como Sombra, governa o morro com mãos de ferro. A morte do pai e da irmã transformou um garoto em um homem frio, impiedoso e temido por todos. Dizem que ele não sente nada. Que seu coração morreu junto com a família. A única coisa que ainda importa para ele é proteger a mãe e manter o morro de pé.

Dois mundos completamente diferentes.

Duas almas marcadas pela dor.

Um encontro improvável dentro de um bordel que mudará o destino dos dois para sempre.

Mas quando o desejo nasce onde só deveria existir ódio, segredos vêm à tona, inimigos se aproximam e escolhas passam a custar vidas.

Até onde uma mulher é capaz de suportar para salvar quem ama?

E até onde um homem conhecido por não ter coração será capaz de ir quando descobrir que existe alguém por quem vale a pena perder tudo?

Porque algumas histórias de amor não começam com um beijo.

Elas começam no inferno.

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Capitulo 01
Capitulo 01 Paola narrando  A primeira coisa que senti foi a mão dele agarrando meu cabelo. A dor fez meu couro cabeludo arder antes mesmo que eu abrisse os olhos.  — Levanta, sua vagabunda! — a voz grossa do William ecoou pelo quarto. — Isso não é hora de gente preguiçosa ficar dormindo.  Abri os olhos assustada, sendo praticamente arrancada do colchão fino onde eu tinha conseguido dormir por poucas horas. Meu corpo inteiro doía. Eu tinha chegado em casa às seis da manhã, depois de mais uma noite inteira trabalhando no bordel do Mineiro. Nem três horas de sono eu tive.  — Cadê o dinheiro que você recebeu ontem? — ele perguntou, apertando ainda mais meus cabelos.  Fechei os olhos com força.  — O Mineiro não pagou... falou que paga hoje.  A resposta m*l saiu da minha boca. William me lançou no chão como se eu não pesasse nada. Minha cabeça bateu no piso de cimento e uma pontada atravessou minha nuca.  — Mentirosa! — ele gritou. — Tá escondendo dinheiro de mim!  Engatinhei alguns centímetros para trás, tentando me afastar.  — Eu tô falando a verdade...  Ele veio até mim novamente. Achei que fosse me bater outra vez. Mas apenas apontou o dedo na minha cara.  — Você tem até o final do dia pra me entregar esse cäralho de dinheiro.  Meu coração acelerou.  — Se não aparecer com essa pörra... eu vou ter que quebrar um braço ou uma perna de alguém.  Então ele virou lentamente o rosto. Olhou para minha mãe. Depois para o meu irmão. Foi pior do que qualquer soco. Minha mãe abaixou a cabeça imediatamente. Dante continuou no colo dela, evitando olhar o que acontecia.  — Entendeu o recado vadiä?  Assenti sem conseguir responder. Ele cuspiu no chão, pegou a carteira velha dele e saiu batendo a porta tão forte que fez a casa inteira estremecer.  O silêncio que ficou depois parecia ainda pior. Passei a mão na cabeça, sentindo os fios doloridos. Respirei fundo. Foi então que percebi. Meu celular.  Olhei para a comoda velha. Depois embaixo da cama. Na mochila. Nada. Fechei os olhos.  — Desgraçado...  Nem precisava procurar mais. Ele tinha levado. De novo. Provavelmente já estava vendendo por qualquer cinquenta reais para comprar bebida ou pagar alguma dívida de droga.  Fiquei alguns segundos parada no chão. Às vezes eu me perguntava como ainda conseguia levantar todos os dias. A resposta era simples. Eu não levantava por mim. Se dependesse só de mim... Talvez eu já tivesse desistido fazia tempo.  Meu nome é Paola. Tenho vinte anos. E, durante muito tempo, achei que Deus tinha simplesmente esquecido que eu existia. Porque ninguém vive tanta desgraça seguida sem começar a acreditar nisso.  Nem sempre foi assim. Quando eu era pequena, éramos só eu e minha mãe. Éramos pobres. Muito pobres. Mas éramos felizes. Ela trabalhava como diarista. Chegava cansada, mas ainda fazia questão de brincar comigo. Cantava enquanto cozinhava. Inventava histórias. Me fazia acreditar que um dia nossa vida ia melhorar. Aquele verdadeiro ditado: "Faltava luxo, mas sobrava amor. "  Até que apareceu William. Na época ele era policial militar. Fardado. Educado. Falava bonito. Parecia um homem direito. Minha mãe, depois de tantos anos sozinha, acabou acreditando que finalmente tinha encontrado alguém que cuidaria da gente. Eu também acreditei. Como uma criança poderia imaginar o inferno que estava entrando dentro da própria casa? Ainda mais quando se sente falta de uma figura paterna.  No começo ele era gentil. Comprava presentes. Levava lanche. Tratava minha mãe como uma rainha. Depois do casamento... Tudo mudou. Vieram os gritos. Depois os empurrões. Depois os socos. Depois as ameaças. Quando eu tinha coragem de defender minha mãe, eu também apanhava. Ele dizia que mulher tinha que aprender no sofrimento.  Anos depois descobriram que ele era corrupto. Foi expulso da polícia. Perdeu a farda. Perdeu o distintivo. Mas nunca perdeu a violência. Hoje ele vive como um parasita. Não trabalha. Não procura emprego. Passa os dias bebendo, jogando e arrancando dinheiro de quem consegue. Principalmente de mim.  Minha mãe... Ela nunca mais foi a mesma. A depressão acabou consumindo tudo que existia dentro dela. Vi minha mãe tentar tirar a própria vida mais vezes do que consigo lembrar. Sempre diz a mesma frase.  — Eu só tinha uma obrigação nesse mundo. Cuidar de você e do Dante. E eu falhei.  Toda vez eu respondia que ela não tinha falhado. Quem falhou foi a vida. Quem falhou foi a justiça. Quem falhou foi todo mundo que fingia não ver o que acontecia naquela casa. Mas nenhuma palavra parecia convencer ela.  Minha cabeça ainda doía pelos puxões. Levantei devagar. Precisava tomar banho antes de sair novamente. Olhei o relógio pendurado na parede. Nove horas da manhã. Sorri sem humor. Quem chegou em casa às seis praticamente nem dormiu.  Entrei no banheiro. A água gelada caiu sobre meu corpo. As marcas roxas dos braços começavam a aparecer. Já nem ligava mais. Existiam dores que eram muito maiores que aquelas.  Quando saí enrolada na toalha, encontrei minha mãe parada na porta. Ela segurava Dante no colo. Os olhos inchados denunciavam que tinha chorado.  — Me desculpa, filha...  Aproximei-me dela.  — A culpa não é sua, mãe.  Ela abaixou a cabeça.  — É sim... eu fiz isso com você. — ela falava enquanto eu colocava a minha roupa.  Balancei negativamente.  — Não. Você nunca pode se responsabilizar pelos atos dos outros mãe. Vai ficar tudo bem, e uma hora a gente se livra desse nojento.- eu respondo colocando a blusa de moletom e fazendo um coque no cabelo.  Dante esticou os bracinhos na minha direção. Sorri pela primeira vez naquele dia. Um sorriso pequeno. Mas verdadeiro. Peguei meu irmão no colo, e ele imediatamente escondeu o rostinho no meu pescoço. Sentei na cadeira da cozinha enquanto ele descansava a cabeça sobre meu peito. Fechei os olhos por alguns segundos. Era incrível como aquele menino conseguia acalmar todas as tempestades que existiam dentro de mim. Dante era autista não verbal. Meu pequeno. Meu menino. O maior amor da minha vida. A pessoa mais pura que Deus colocou no meu caminho. Talvez fosse justamente por isso que William o odiava tanto. Ele dizia que minha mãe nem para fazer um filho direito servia. Chamava meu irmão de débil. De imprestável. De problemático. Mais de uma vez ouvi aquele monstro dizer que teria sido melhor se minha mãe tivesse abortado. Toda vez que escutava aquilo, sentia vontade de matá-lo. Mas eu não podia. Porque, se fosse presa... Quem cuidaria do Dante? — Já comeu, pequeno? — perguntei baixinho, acariciando seus cabelos. — Tomou seu gagau? Ele sorriu do jeitinho dele. Não precisava de palavras. Nunca precisou. Então levou a mão até meu rosto. Seus dedinhos percorreram minha pele devagar, parando exatamente sobre a cicatriz que começava na sobrancelha e descia até perto do olho. Fechei os olhos. Aquela cicatriz tinha quase dois anos. William arremessou uma garrafa de vidro durante uma discussão. Ela explodiu no meu rosto. Lembro do sangue escorrendo. Da minha mãe gritando. Da ambulância. Dos médicos dizendo que, por centímetros, eu não tinha perdido a visão. Naquele dia... Talvez Deus realmente tivesse decidido olhar para mim. Por causa daquela cicatriz, no bordel eu era obrigada a usar uma máscara. Nenhum cliente conhecia meu rosto. E não... Eu nunca tinha feito programa. Nunca tinha ido para a cama com homem nenhum. Continuava virgem. Mineiro dizia que eu era sua galinha dos ovos de ouro. Que uma garota bonita, misteriosa e virgem valia uma fortuna. Que estava apenas esperando aparecer o comprador certo. Sempre que ele dizia aquilo, meu estômago embrulhava. Eu não era uma funcionária. Não era uma pessoa. Era apenas uma mercadoria esperando ser vendida. — O leite acabou, minha filha... — minha mãe falou baixinho, quebrando meus pensamentos. — Dei só biscoito pra ele, mas leite mesmo ele não tomou. Olhei imediatamente para Dante. Ele adorava leite. Quando ficava sem, muitas vezes entrava em crise. E já era tão difícil... Sem terapias. Sem acompanhamento. Sem remédios. Sem dinheiro. O mínimo que eu conseguia garantir era um copo de leite. Levantei devagar. — Pode deixar, mãe. Sorri para tranquilizá-la. — Eu vou comprar. Entrei no quarto. Atrás de uma tábua solta da cama, escondia algumas notas amassadas. Dez reais. Vinte reais. Sempre tentava guardar um pouco. Porque sabia que William acabaria levando todo o resto. Contei o dinheiro. Suspirei aliviada. Dava para comprar o leite. Antes de sair, beijei a testa do Dante. — Já volto, pequeno. Ele abriu um sorriso silencioso. Mas, para mim, aquele sorriso dizia mais do que qualquer palavra. Saí de casa. O sol já queimava forte. Enquanto caminhava até a venda da esquina, observava as pessoas seguindo suas vidas normalmente. Homens indo para o trabalho. Crianças correndo pela calçada. Casais conversando. Todos pareciam viver em um mundo do qual eu nunca fiz parte. Às vezes eu me perguntava como era viver sem medo. Sem esconder dinheiro. Sem apanhar. Sem dormir imaginando se acordaria viva no dia seguinte. Parei por um instante. Ergui os olhos para o céu. Era estranho. O céu estava bonito demais para quem vivia no inferno. Respirei fundo. Fechei os olhos. E fiz a mesma pergunta que repetia quase todos os dias. — Meu Deus... Quando tudo isso vai acabar? Naquele momento... Eu ainda não fazia ideia de que minha vida estava prestes a mudar para sempre.

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