Fase 2: A Revelação Amarga

1059 Palavras

Valentina Eu tô sentada na beira da cama do meu pai, no quarto escuro que cheira a remédio e desinfetante barato. A UTI móvel faz um barulho baixo ao lado, o respirador subindo e descendo como se fosse um monstro respirando por ele. Meu pai, o Centauro, tá deitado, corpo magro coberto por lençol fino, olhos abertos, fixos no teto. Ele não fala mais direito, mas a voz rouca ainda sai, baixa, lenta, cheia de veneno. — Grávida… — ele diz, sílabas arrastadas, como se doesse falar. Eu sinto o estômago revirar. Eu não queria contar. Mas o enfermeiro deixou escapar ontem, achando que ele ia ficar feliz. Feliz. Como se felicidade ainda existisse nessa casa. — Sim, pai. Grávida. Ele vira a cabeça devagar, olhar que corta. Olhar que ainda manda, mesmo preso nessa cama. — Aborta. A palavra cai

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