Bruno Eu tô sentado no sofá do apê, a mesa ainda com os pratos do jantar que a gente nem terminou de tirar. A sala tá escura, só a luz fraca da luminária de canto, e o silêncio pesa mais que tudo. Valentina tá do outro lado do sofá, pernas dobradas, braços em volta dos joelhos, olhando pro chão como se tivesse algo ali que só ela vê. Eu tento me aproximar. Deslizo devagar, estendo a mão pra tocar o braço dela. Ela se encolhe de leve. Não é repulsa, mas é distância. Ela não quer meu toque agora. Eu sinto um frio na espinha. — Amor… fala comigo. Ela levanta o olhar. Olhos vermelhos, inchados de tanto segurar choro. Sorri triste. — Tô aqui, Bruno. Tô falando... Mas não tá. A voz dela é baixa, seca, como se tivesse levantado uma parede invisível. Eu tento de novo, chego mais perto. — Eu

