3-HENRIQUE

1037 Palavras
Uma sexta à noite, três meses após Henrique sair de casa. Pronto! Agora estamos oficialmente separados! Ha! Como se isso fosse significar algo, porque Laura já declarou na mesma semana que sai de casa, um relacionamento novo. Hoje apenas assinamos os papéis... Minha mãe me convidou para jantar com ela e minha irmã hoje, então estou indo pra lá, e depois vou para um barzinho com o pessoal da delegacia. Minha separação correu rápido lá, e o pessoal tem me ajudado a voltar à vida de solteiro. Chego em frente a casa de minha mãe, uma casa muito conhecida por mim, vivemos ali desde que me conheço por gente, sei de cada rachadura nas paredes. Ali fomos e ainda somos muito felizes. Meu pai morreu há alguns anos em um acidente de trânsito, um motorista bêbado o atingiu na pista contrária, bom, meu velho morreu no local, o motorista foi encontrado a uns três quilômetros a frente dormindo dentro do carro. Minha mãe sofreu muito, mas fez seu melhor por mim e minha irmã. E o seu melhor foi o melhor do mais puro amor, carinho e ensinamentos. Nunca passou a mão pela nossa cabeça, mas nunca levantou a mão para nos ensinar. Eu desconheço outra forma de amar. —Mãe? Isabella? Chamo as duas enquanto entro. —Oi, estamos na cozinha. Isabella grita. —Não sei pra que gritar tão alto Bella, seu irmão não é surdo! —Mas já está velho, mãe. —Não estou velho, sou só dez anos mais velho que você, dona Isabella. Mas isso não é culpa minha, eu estava feliz até você chegar e roubar todos os meus carrinhos. —Mas você ficou ainda mais feliz depois que eu nasci. —Isso eu não discordo, você é meu tormento, mas eu amo você. Digo e dou um beijo na cabeça dela e da mamãe. —Coloque a mesa, vamos jantar já. Minha mãe fala pra mim, sai de casa a cinco anos, mas essa sempre foi minha casa. Aqui não preciso pedir licença pra entrar, e ajudo como se morasse aqui todos os dias. Minha mãe queria que eu fizesse isso quando me separei, mas quis seguir minha vida. Coloco a mesa e ajudo a trazer a travessa de arroz de forno pra cá. —Então meu filho, vai ficar aqui hoje? —Até às 22:00 horas, depois vou encontrar meus colegas em um barzinho. —Eu também vou. Diz Bella entrando na conversa. —Não vai. —Vou sim, Cadu me convidou. Isabella fez dezoito anos a duas semanas. —Como assim, te convidou. —Oi Bella, vamos a um barzinho hoje, tá afim de ir comigo? Seu irmão vai estar lá. Ela fala tentando imitar a voz de Cadu. Reviro os olhos. —Isabella, Isabella. —Nem comece Henrique. Eu fiz dezoito e agora posso sair. —Fazer dezoito não significa criar juízo. —Mãe. —Mamãe tem razão. —Claro, até porque, Henrique quando fez dezoito continuou fazendo besteira. E o tiro saiu pela culatra. Suspiro. —Mas aprendi com meus erros. —E Bella também vai aprender, eu sei que você só quer o bem dela, eu e seu pai também queríamos o seu bem, mas nem por isso te privamos dos erros. E além disso, você estará lá. Isabella vai e VOLTA com você. Ela diz "volta" bem alto e olhando pra Isabella, pra ela entender o recado. —Tudo bem. —Certo então. Vamos lá maninha. Seguimos o jantar e depois limpamos tudo. Isabella vai se arrumar e eu fico assistindo com mamãe. —Sabe filho, eu fico feliz em ver você seguindo sua vida. Sei que você não está completo mais um dia estará. —Mas eu sou feliz. Só acho que o amor não é pra mim! Ela dá uma risada. —Menino bobo! Eu não fui a única na vida de seu pai, ele não foi o único em minha vida. Você não perdeu nada deixando Laura partir. Quando o seu amor chegar, esteja pronto. —Obrigada mãe, mesmo não acreditando mais no amor, eu agradeço... —Não desanime na primeira tentativa. Eu tenho muito orgulho do homem que você é. Abraço e dou um beijo nela. —Tô pronta. Bella aparece e grita. —Você não tinha algo mais curto não? —Acredite irmão, eu tenho. Mas vim com esse, se quiser eu troco. Respiro fundo. Será uma longa noite. Nos despedimos de mamãe e vamos ao barzinho. —Você não acha Cadu muito velho pra você? —Não, eu não acho que existe idade para o amor. —Não me venha você também falar de amor. —Sim. Amor, Laura foi muito i****a em perder você, mas um dia ela vai ver isso. E torço pra você ja ter encontrado uma mulher muito mais linda que ela. —Não estamos falando de você? —Sim, mas eu prefiro falar de você. —Ah, é claro. Mas voltando o assunto para você, por que Cadu? —Por que não ele? —Por que ele é praticamente meu irmão? —Se você o considera assim, ótimo. Mas eu não acho, sempre o vi como um amigo, e bom ele é bonito. Franzo a testa. —Ok. Só se cuide. Eu conheço Cadu, ele é muito galinha. Ela solta uma risada. —Rick, estamos conversando, talvez a gente fique, talvez não. Mas nada sério. —Sei. Decido não falar mais nada. É difícil pensar que minha irmãzinha cresceu. Chegando ao barzinho, cumprimentamos todos, Cadu e Bella sentam perto um do outro, me sento ao lado dele, aproveito quando Bella se distrai e falo pra ele. —Sabe Carlos Eduardo. Te conheço desde sempre, você seria a pessoa chamada se algum dia eu precisasse esconder um corpo. Agora você está próximo demais de minha amada irmã. Quero apenas te dar um aviso. Amo você, como um irmão, mas não a machuque. Eu sei esconder um corpo. Ele dá uma gargalhada na minha cara, chamando a atenção de Isabella. —Meu irmão. Eu jamais faria isso, mas adorei o discurso. —Que discurso? Pergunta Bella. —Nada não linda, seu irmão contando piada. Apenas encaro os dois tomando minha kombucha. Será uma longa noite...
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