No apartamento funcional e minimalista, o som dos dedos ágeis correndo pelas teclas disputava com o ruído do passar de folhas de papel, enquanto o retumbar de passos agitados fazia fundo.
_Já achou? - o mais alto perguntou perturbado
_Ainda não - Felipe respondeu, ainda concentrado no computador
Mais alguns minutos se passaram, Felipe consultando Samuel vez ou outra por informações novas
_Não tem mais nada? - Felipe se virou para o agente de óculos
_Não, eu já falei tudo o que tem nos relatórios - o rapaz informou, mexendo nos referidos papéis
Com um suspiro Felipe voltou a trabalhar em seu computador, de minuto em minutos Lucas questionando ansioso, enquanto andava de um lado para o outro
_Então? - o rapaz voltou a perguntar, sendo ignorado pelos companheiros – algum avanço ou não? - insistiu e Felipe bufou
_Não, Lucas, elas sumiram do mapa, você entende isso? - o agente já perdera a paciência - não dá, não estou conseguindo acha-las
_Como foi na consulta dos hotéis? - Samuel pediu curioso
_Nada, não achei nada, nenhum registro de entrada que bata com a descrição delas
_Então o que? Esperamos elas assaltarem algum lugar? - Samuel suspirou
_Não mesmo – Lucas reclamou - vocês vêm?
Lucas perguntou já saindo e os outros o seguiram, entrando no carro
_Para onde? - Lucas perguntou assim que ligou o veículo
_O que? Achei que você já tinha um local em mente – Samuel exclamou
_Não, mas tenho certeza que o Felipe vai pensar em um destino – Lucas riu, socando Felipe de brincadeira, que suspirou
_Nós ainda não vimos a joalheria que elas assaltaram antes, talvez possamos começar por lá - ele sugeriu
Assim os agentes dirigiram-se para a joalheria do centro. A porta de vidro foi aberta para dar-lhes passagem e os homens aproximaram-se do balcão, chamando a atenção de uma funcionária.
_Boa tarde – ela sorriu
_Boa tarde, soubemos do assalto que houve ontem, podemos fazer algumas perguntas sobre? - Felipe assumiu, mostrando o distintivo para garantir
_Eu vou chamar a gerente, só um minuto – a funcionária pediu, nervosa
Em pouco tempo a funcionária apareceu com a gerente
_É sobre o roubo de ontem? - a mulher perguntou - já pegaram as criminosas? Como é?
_Não, senhora, as criminosas ainda estão soltas, mas somos responsáveis pelo caso delas e queremos saber se podemos fazer algumas perguntas e ter acesso à gravação de segurança do dia? - Felipe pediu
_Claro, podem, mas elas quebraram as câmeras como podem ver – a gerente acenou para os aparelhos quebrados
_Ainda assim, elas podem ter pego algo em vídeo antes de serem quebradas – Felipe explicou, virando para Samuel – o que acha?
_Eu vou assistir os vídeos e se tiver algo eu te aviso – o rapaz de óculos respondeu, se dirigindo ao computador da loja
_Eu vou ver se as câmeras da loja da frente conseguiram captar algo – Felipe informou aos outros dois
_Vai lá, a gente cuida do resto por aqui – Lucas tranquilizou
E assim ocorreu, Felipe se afastou e Lucas começou a fazer as perguntas. Em cerca de meia hora, os três se encontravam na frente do carro
_Conseguiram algo? - Felipe perguntou
_Nada que já não soubéssemos – Lucas deu de ombros, chateado
_Eu vi as filmagens, mas não notei nada demais que possa ajudar a localiza-las – Samuel respondeu – e como foi lá?
_Elas foram bem cuidadosas, mas consegui a placa do carro que elas usaram
_Então vamos, temos que localizar esse carro – Lucas chamou, apressado
_Calma, eu trouxe meu notebook – Felipe afirmou, entrando no carro e puxando o computador
_Lembre-se de não colocar nada no sistema, não sabemos até onde o acesso que elas criaram já foi fechado – Samuel lembrou
_Certo – com mais um momento de digitação, Felipe guardou seu computador – o Vitor vai colocar alguns agentes a procura do carro, mas provavelmente elas já trocaram a placa
_E agora? Ficamos aqui esperando? - Lucas perguntou
_Na verdade, tenho certeza de que elas usaram a avenida principal saindo do hotel D’Veras - Samuel lembrou – e lá tem câmeras de trânsito
_Então podemos ver a direção que tomaram, talvez possamos descobrir onde estão - Lucas concluiu – vamos, precisamos dessas gravações
Mais uma vez, os três saíram em busca de informações que os levem até as criminosas
_Elas simplesmente somem na avenida – Lucas reclamou frustrado, assistindo aos vídeos
_Isso é difícil de entender, mas do ponto em que somem, esse é o perímetro possível que precisamos verificar – Samuel mostrou
Felipe concordou estudando a área, enquanto Lucas ainda via as gravações e agradecia ao profissional responsável
_Não há hotéis para esse lado – Felipe observou confuso – elas devem conhecer alguém lá
Felipe sentiu seu celular vibrar e o abriu, lendo a mensagem e suspirando
_O que houve? - Samuel questionou preocupado
_Eles encontraram as peças do carro em um desmanche clandestino e a carcaça abandonada em um ponto da avenida principal
_Então elas deixaram o carro para trás? - Lucas resmungou impaciente com tantas idas e vindas sem chegar a lugar nenhum
_Provavelmente tinham outro carro esperando no caminho – Felipe sugeriu
_Ou pegaram um táxi - Samuel chamou, voltando para as gravações - eu notei um quando assistimos da primeira vez, achei estranho porque ele aparece na primeira filmagem na via de ida e depois essa outra câmera o captura voltando pelo retorno
Os outros dois agentes assistiram aos vídeos, focados no explicado por Samuel, buscando entender como isso era estranho o bastante para chamar a atenção do colega.
_Agora, o que é estranho de verdade é que aqui – Samuel aponta para um carro que seguia atrás do táxi no primeiro vídeo - esse carro preto está atrás dele na ida e aqui – o agente muda o vídeo para aquele filmado pela câmera do retorno – o carro preto passa e nenhum sinal do táxi, esperem mais um pouco, agora olhem o táxi de novo, viram?
_O taxista parou em um trecho da avenida – Felipe afirmou, entendendo
_Sim, mas o problema é que não tem nada ali, então porque ele parou? - Samuel apontou
_Para as criminosas – Lucas completou o pensamento dos três
_Eu vou tentar identificar o táxi - Felipe anunciou, puxando o computador para si
_Eu vou pedir ao Vitor a localização exata de onde a carcaça do carro foi encontrado, para termos absoluta certeza disso – Samuel avisou, puxando seu celular
_Tudo bem, então acho que vou esperar – Lucas brincou
_Você é sempre tão útil - Felipe ironizou
_Então eu vou comprar algo para comer, vocês sabem, coma enquanto eles trabalham – Lucas riu, saindo
_Qual o lugar exato? - Samuel pediu e Felipe verificou novamente o local – certo, então é esse mesmo, o Vitor pediu para avisar assim que tivermos algum avanço
_Tudo bem, parece que o carro está no nome de Francisco da Silva Leite – Felipe informou
_Precisa de ajuda?
_Sim, me ajuda a buscar o endereço dele – Felipe acenou para o computador do local e Samuel obedeceu
Alguns minutos e vários ‘Franciscos’ verificados depois, Lucas voltou com alguns lanches. As buscas continuaram e logo todos estavam satisfeitos e prontos para ir atrás de Francisco da Silva Leite.
_Vamos – Felipe chamou e os três agradeceram novamente os funcionários do local, antes de sair
Com o endereço em mãos, os agentes chegaram a uma casa comum, de aparência confortável, se apressando em tocar a campainha e sendo atendidos por uma mulher mais velha.
_Boa tarde, senhora – Samuel sorriu, notando estar prestes a escurecer – o senhor Francisco da Silva Leite mora aqui?
_Sim, é meu marido, ele está trabalhando – ela respondeu intrigada com os homens em sua porta – o que é?
_Nós trabalhamos para um departamento da polícia - Samuel estava respondendo, mas Felipe notou quando a mulher ficou nervosa com o porquê de policiais estarem atrás de seu marido
_Não se preocupe, senhora, só queremos conversar com ele – Felipe assumiu – ele é taxista, certo? - quando a mulher assentiu, Felipe agradeceu mentalmente que não tivessem errado a casa – achamos que seu marido possa ter levado algumas suspeitas como clientes, então queremos fazer algumas perguntas a ele – Felipe explicou e a mulher pareceu se acalmar
_Ele ainda está trabalhando, mas já deve chegar, querem esperar do lado de dentro? - ela convidou e eles concordaram agradecidos
_Eu me chamo Marina, vocês querem algo enquanto esperam?
Os rapazes negaram educadamente e assim como a mulher falou, não demorou muito para que Francisco chegasse, surpreendendo-se com os três homens em sua sala
_Boa noite, o senhor é o Francisco, certo? - Felipe cumprimentou, apertando sua mão - eu sou Felipe e esses são meus colegas Lucas e Samuel, nós trabalhamos para um departamento da polícia e acreditamos que o senhor tenha tido contato com algumas suspeitas que estamos buscando
Felipe passou a explicar toda a situação, Samuel o auxiliando sempre que via necessário, enquanto Lucas se continha para não alarmar o senhor, quando tudo que vinha à sua mente era informar a todos que estavam atrás das responsáveis pela chacina de ‘marazul’.
_Então, o senhor lembra de ter pego alguém na avenida naquele dia? - Felipe pediu
_Sim, eram três mulheres, como vocês disseram, eu também estranhei porque elas deixaram seu carro lá, elas disseram que estava quebrado e que já haviam ligado para o guincho, mas qualquer um esperaria o guincho chegar, fora que estavam carregando várias malas
_O senhor lembra de onde as deixou? - Lucas perguntou ansioso, sem paciência para enrolação
_Claro, elas me pediram para deixa-las em uma rua que um amigo viria busca-las – o homem foi até o móvel de madeira que tomava toda uma parede da sala e puxou um caderno, anotando algo – aqui o endereço
_O senhor não chegou a ver o amigo delas ou pelo menos o carro em que saíram? - Samuel perguntou, enquanto Lucas olhava o endereço impaciente
_Não, sinto muito, elas me mandaram ir assim que as deixei, eu avisei que aquela era uma rua perigosa, mas elas não pareceram se importar muito, então fui embora
_Certo, obrigado, nós precisamos ir agora – Felipe agradeceu – obrigado por nos receber, dona Marina – ele sorriu para a senhora que abriu a porta para eles
_Mas essa rua não tem nada! - Lucas reclamou assim que entraram no carro - é uma rua deserta, sem casas, comércios até o movimento de carros é pouco por lá
_O que torna o local perfeito para sumir – Felipe concordou, suspirando
_Bem, sabíamos que não seria um caso fácil quando começamos - Samuel pensou alto
_Então passamos o dia todo andando em círculos e não chegamos a lugar nenhum – Lucas bufou e o silêncio frustrado permeou o carro, enquanto os agentes afundavam em pensamentos pessoais