Um enorme quadro de provas estava preenchido na sala de reunião trancada, um grande mapa da cidade tomava o quadro quase por completo e sobre ele pistas e anotações de todo o decorrer do caso das três criminosas conhecidas por CBM.
_Então? O que conseguiram? – Lucas perguntou, observando os colegas marcando o quadro
_Elas parecem estar circulando só por essa região - Samuel apontou para a maior região marcada, que estava preenchida pelos ocorridos
_Sim, então separamos esses três perímetros onde elas ainda não estiveram como locais prováveis, também marcamos os hotéis, pousadas e locais onde elas possam se esconder em cada área - Felipe continuou
_Aqui – Samuel entregou um mapa para Lucas – vamos nos dividir para verificar cada uma, você fica com a do Sul
_Vocês não podem passar isso para o meu celular, não? - Lucas pediu, pegando o mapa meio duvidoso, e Felipe suspirou
_Eu imaginei que pediria isso, então já estou sincronizando o GPS do seu carro com o mapa virtual que preparamos – Felipe informou
_Ótimo, então vamos – Lucas chamou, já saindo
_Equipamento – Samuel lembrou Lucas, que já se adiantava para a saída do prédio e Felipe revirou os olhos, puxando o companheiro impaciente
_Por que ele sempre esquece? - Samuel falou com Felipe, seus armários sendo os mais próximos
_Não sei, talvez ele ache que é imune às balas – o agente brincou
Longe dali, em uma pousada afastada, Bárbara estava deitada com preguiça quando Megan entrou
_Estou entediada – a ruiva se jogou na cama e Bárbara resmungou
_Vamos, Babi, eu quero fazer algo – Megan cutucou a amiga e foi recebida por um chute fraco
_Não me importa - Bárbara murmurou sem v*****e de falar - peça para a Cris te entreter
_A Cris está com raiva de mim porque mexi nas coisas dela
_Vou repetir, não me importa - Bárbara resmungou, puxando o travesseiro mais perto – agora me deixe dormir antes que eu também fique com raiva de você
_Babi – Megan continuou chamando, puxando a amiga pela perna – vamos, Babi
_Megan! - Bárbara gritou de repente, esgotada, e assustou a ruiva – me deixa em paz!
As duas se perderam em um jogo de encarar intenso, a loira com raiva e a ruiva chateada, até que Bárbara desistiu e suspirou indignada
_O Hiago entrou em contato comigo – Babi informou, sentando e esfregando os olhos – ele está vindo para São Paulo, então marquei um encontro com ele
_O Hiago mesmo? Já faz uns seis meses que não nos encontramos com ele – a ruiva se animou
_Sim, por isso vamos vê-lo, mas antes ele pediu uma ajuda com um produto, despois eu conto o resto e saímos, só me deixa dormir mais um pouco - Bárbara quase implorou
_Tudo bem – Megan suspirou - você só dorme!
A ruiva se retirou resignada, permitindo que Babi deitasse contente de volta na terra dos sonhos
“Acabei de chegar, ligo se encontrar qualquer coisa”
Samuel enviou a mensagem e olhou em volta, decidindo verificar o hotel mais próximo primeiro.
_Bom dia, você pode me dizer se três mulheres deram entrada aqui antes de ontem? - Samuel pediu para o recepcionista
_Eu não posso dar informações sobre os hóspedes para qualquer um – o rapaz respondeu
_Tudo bem, eu trabalho para um departamento da polícia - Samuel mostrou o distintivo
_Eu vou chamar o gerente, só um momento – o rapaz se retirou e o agente mediu o hotel com os olhos por qualquer sinal das criminosas
_Desculpe, mas parece que o gerente saiu – o recepcionista voltou
_Tudo bem, eu só quero saber se essas mulheres deram entrada aqui antes de ontem à tarde – Samuel mostrou a foto das criminosas
_Foi m*l, eu não trabalho aqui à tarde, você deveria perguntar ao Matheus, o turno dele começa às duas da tarde
_Certo, eu volto mais tarde então - Samuel suspirou
As buscas continuavam e na pousada, as mulheres já se preparavam para cumprir seu favor ao amigo de longa data
_É uma estatueta? - Cristina perguntou novamente
_Sim, uma estatueta de colecionador, eu já mostrei a foto - Bárbara respondeu, revirando os olhos
_Essa coisa f**a vale 10.000? - Cristina voltou a questionar, ainda surpresa
_Sim, eu já expliquei, só existem duas dessas e uma está fora do país - Babi suspirou – vamos logo
As duas entraram no carro preto, encontrando Megan já esperando com o celular na mão
_Sérgio Sampaio – a ruiva leu – não é o dono daquela franquia de supermercados? Vamos invadir a casa dele?
_Não sei, não me importa - Bárbara ligou o carro – caramba, da próxima vez que o Hiago ligar, chamo vocês e coloco no viva-voz
Foi no meio de mais conversas que as três chegaram à residência Sampaio, uma grande casa dentro de um condomínio rico, que não foi difícil para as ladras habilidosas invadir.
_A essa hora, o Sérgio deve estar no trabalho e a mulher deve estar saindo para levar os filhos para a escola - Bárbara informou e logo elas viram a mulher elegantes sair com as crianças, como o esperado
_Então só ficou na casa as duas empregadas – Cristina completou
_Acho que conseguimos entrar e sair sem alertar nenhuma delas – Megan sugeriu
Assim, as três entraram e puderam vagar de forma surpreendentemente fácil na grande casa, sem encontrar ninguém
_Como esses ricos confiam tanto na segurança do condomínio? - Cristina riu, encontrando a estatueta junto de outras em uma estante protegida por um vidro – trancado
Cristina observou a fechadura no vidro e pegou uma decoração de ferro ao lado, acertando a fechadura com força, como o esperado, o vidro não aguentou e quebrou em um estrondo.
_Cris! - Bárbara e Megan apareceram de outro cômodo - era para entrar e sair sem fazer barulho – Megan reclamou
_E qual a graça nisso? - Cristina sorriu, acenando com a estatueta para as amigas – para que o Hiago quer esse troço f**o mesmo?
_Uma cliente dele, não importa, vamos! - Bárbara explicou e as três correram, ouvindo os passos apressados que deveriam pertencer às empregadas da casa
Enquanto isso, na pousada ao sul, Lucas estava reclamando irritado com os funcionários do local que não pareciam colaborar com sua busca
_Será que ninguém aqui pode responder uma única pergunta?! - o agente perguntou furioso, voltando até a recepção do local
_E as câmeras? Eu posso pelo menos ver as câmeras ou vou precisar buscar um mandado? - reclamou e a mulher suspirou
_Tudo bem, eu posso deixar que olhe as gravações, mas preciso estar por perto – ela permitiu, tentando evitar mais estresse
Quando não encontrou nada nos vídeos, Lucas saiu da pousada ainda mais frustrado
“Essas buscas tão parecendo outro círculo sem fim”
O agente enviou para os colegas, entrando em seu carro para continuar a verificar a região
“O que podemos fazer? É a nossa melhor jogada”
Lucas leu a mensagem do amigo de óculos e jogou o celular no outro banco, para se concentrar nas ruas. No Norte dali, Felipe não viu as mensagens, concentrando-se no caminho, um carro preto passou por ele e o agente achou que estava louco quando notou as três moças dentro do veículo.
Seguindo o carro da maneira mais discreta que encontrou, Felipe agradeceu que o capacete limitasse as chances delas o reconhecerem. O carro preto parou em uma rua deserta e Felipe parou mais atrás, descendo da moto para assistir quando um carro branco chegou.
_Garotas! - um homem alto e magro as cumprimentou
_Oi, Hiago – Megan sorriu, o abraçando
O homem seguiu abraçando as três e Felipe olhou a troca interessado, puxando o celular para fotografar
_Vocês estão sempre correndo, quase nunca encontro com vocês na mesma cidade – ele riu
A conversa continuou até que Megan se afastou, pegando algo no carro
_Aqui seu presente – ela o entregou a estatueta
_Não deu tempo de embrulhar, mas está em mãos - Babi brincou
_Obrigado – ele sorriu guardando no próprio carro e trazendo três maletas – aqui, também trouxe um presente
As três pegaram as maletas, abrindo para encontrar armas e munição
_Para ajudar no que quer que estejam querendo em São Paulo – Hiago explicou – e como são presentes, essas saem de graça
Felipe observou nervoso todo a troca em sua frente, percebendo a seriedade do que estava descobrindo, agora o agente tem conhecimento do rosto do fornecedor de equipamentos delas e provavelmente líder de algum comércio ilegal. Assim que o carro branco sumiu na estrada deserta, as mulheres voltaram para o seu próprio carro.
Bárbara parou antes de entrar, as outras duas ficando confusas assim como o agente, tentando entender o que ela estava fazendo, enquanto a loira mexia em algo no banco do carro. Logo Babi puxou a a**a agora carregada e atirou às cegas na direção do agente.
_d***a! - Felipe exclamou, se escondendo atrás da árvore mais próxima
_Pode sair, agente! – Babi gritou, encerrando com os tiros
_Um simples “eu sei que você está aí” seria suficiente – Felipe reclamou, se aproximando
_E qual a graça nisso? - Bárbara citou a amiga e sorriu, ainda apontando a a**a para o agente – de joelhos e com as mãos para cima
As outras duas saíram do carro, Cristina se encostando no veículo, enquanto Felipe obedecia
_Os seus amigos não vieram dessa vez? - a morena perguntou
Felipe sabia que estava em desvantagem, elas eram três e a loira ainda tinha a a**a em mãos, a calma delas o deixando ainda mais nervoso, depois do que tinha descoberto, elas não o deixariam vivo, não mesmo, e ele sabia disso.
_Eu estava procurando por vocês - Felipe improvisou
_Eu tenho certeza que sim – Cristina respondeu rindo e carregou outra a**a
_Esperem! Vocês não entenderam – o agente tentava inventar algo, nervoso – eu quero a ajuda de vocês
_O que? - Bárbara riu da falta de noção - não sei se você percebeu, mas não ajudamos policiais, nosso trabalho é mais como dificultar para vocês
_Eu tenho um acordo! - ele soltou, tentando não demonstrar o desespero que podia ou não estar o dominando no momento – eu tenho um acordo para vocês
_Um acordo? - Cristina perguntou interessada
_Não - Bárbara respondeu de imediato
_Eu tenho informações - Felipe tentou apressado
_Não, obrigada, já temos todas as informações que precisamos, você sabe, pegamos do seu sistema - Bárbara sorriu
_Se você não tem nada melhor – Cristina começou, destravando a a**a
_Esperem, sobre ‘marazul’! - Felipe soltou e se martirizou mentalmente, mas era seu último recurso
_O que tem ‘marazul’? - Bárbara perguntou interessada
_Eu e meu colega estamos investigando o caso de ‘marazul’ desde 2017, é uma investigação pessoal então não tem nada sobre ela no sistema, nenhuma das informações que conseguimos – Felipe respirou fundo, se acalmando quando notou que Bárbara estava considerando
_Não importa, não deve ter nada que já não conseguimos nas outras investigações, vamos só o m***r e ir embora – Cristina chamou
_Eu não sei, espere - Bárbara pediu e Cristina suspirou
_Vamos, Babi, se tivesse algo novo nem estaríamos aqui agora – Cris tentou
_Você nos diria onde está a informação? - Bárbara voltou a falar com o agente
_Eu até mesmo traria tudo, eu mesmo, para vocês - Felipe respondeu rapidamente
_Bárbara - Cristina resmungou, impaciente
_E o que teríamos que fazer em troca? - Babi continuou
_Quero ficar com vocês - Felipe falou sem pensar
_O que? - Megan foi a primeira a exclamar, surpresa
_Isso mesmo, eu quero ficar com vocês por alguns dias
_Cansei! - Cristina fez menção de atirar, mas foi impedida por Bárbara se aproximando do agente
_E porque isso? - Bárbara questionou, agora nervosa
_Eu também estou fugindo – Felipe tentou afastar toda a incerteza de sua voz, enquanto inventava desculpas rápido - tem um mandado de busca para mim porque acham que eu estava vendendo informações confidenciais
_Claro que sim – Cristina ironizou – está na cara que isso é invenção
_Eu também não estou gostando disso – Megan murmurou, o tempo todo olhando nervosa para o agente
Felipe observou em silêncio enquanto as duas tentavam convencer a loira pensativa que não dava nenhuma resposta
_Já chega! Eu mesma resolvo isso – Cristina decidiu se dirigindo até o agente, pronta para atirar, Felipe recuou assustado
_Não! - o grito da loira fez a morena parar, olhando para ela por cima do ombro
_Bárbara - ela começou
_Eu preciso ver essas informações - a loira falou e Megan a olhou receosa
_Babi, eu não acho que- - a ruiva tentou, mas Bárbara a interrompeu
_Eu uso meu passe!
As duas pararam por um momento, a encarando, enquanto Felipe estava no chão confuso, tendo caída enquanto recuava
_Você tem certeza? - Cristina perguntou e sua voz já não continha raiva, mas sim quase uma decepção
_Babi, se for uma armadilha – Megan tentou novamente
_Se for uma armadilha, eu me encarrego de mata-lo da pior maneira que eu encontrar, não importa o que aconteça - Felipe congelou com sua voz forte – mas estou usando meu passe, já disse
_Tudo bem – Cristina bufou, depois de uma pausa para processar e abaixou a a**a, Megan suspirou em desistência - mas você cuida dele
As duas entraram no carro, enquanto a loira bufou, se aproximando do homem no chão
_O celular – ela estendeu a mão em exigência - me dá seu celular, agora! - Felipe entregou relutante - ótimo, é melhor estar precavida – ela explicou formatando o aparelho e quebrando no chão
_Por que você-?! - ele não conseguiu completar em indignação - Se já ia quebrar, para que formatar? - reclamou
_Já disse, precaução. Agora, me passa a a**a – ela mandou e guardou consigo – vamos, entre logo
Felipe foi empurrado para dentro do carro bruscamente. Dentro de alguns minutos, o carro preto parou em frente à uma pousada
_Sério? - Felipe riu – pousada Novo Amanhecer?
_Cala a boca - Bárbara o empurrou de leve, enquanto as outras seguiam mais na frente
_Ei! - ele reclamou – achei que você devesse cuidar de mim? - ele provocou
_Sim, claro, porque eu tenho tanta vocação para babá - ela revirou os olhos – vamos fazer assim, você não tenta nada e eu não te mato, o que acha?
_Ótimo - ele resmungou, tendo perdido o humor
Distante dali, em frente ao DCE, Samuel e Lucas ainda esperavam Felipe
_Cadê ele? Já devia ter chegado – reclamou o mais alto
_Qual a última vez que soube dele? – Samuel perguntou
_Ele me enviou uma mensagem perto das duas da tarde, mas só dizia que ainda não tinha achado nada – Lucas respondeu, impaciente
_Que estranho – Samuel comentou, olhando o celular – o Vitor disse que a moto do Felipe está parada em uma rua deserta
_O Vitor? - Lucas ficou confuso
_Sim, mandei uma mensagem para ele há alguns minutos atrás
_Qual a rua? Vamos até lá - Lucas chamou, enquanto entravam em seu carro
_Já é dentro do perímetro que ele estava verificando, talvez tenha achado algo – Samuel sugeriu
_Sim, ou algo o achou – Lucas comentou, quando chegaram na rua para encontrar a moto abandonada e marcas de tiro em uma árvore
_Então elas o pegaram, pelo menos ele não está morto – Samuel tentou
_Como você pode ter tanta certeza?
_Aqui é uma rua deserta, nenhum movimento, nenhuma testemunha, ninguém ouviria os tiros, é o local perfeito se quisessem mata-lo – Samuel explicou – o mais provável é que o levaram refém
_Refém? Achei que elas não eram sequestradoras
_E não são - Samuel suspirou – essa história está tão estranha, talvez nem tenham sido elas
_Improvável - Lucas o cortou – vamos, precisamos voltar para o DCE, avisar o Vitor e entender tudo isso