Brithney
A noite estava começando a esquentar.Precisava de um banho assim que acabei de dançar.
Eu estava super leve.Dançar acalmava meus nervos e eu me sentia outra.
Minha mãe dizia que a dança era uma forma de relaxar.Pois botamos para fora toda a tensão e estresse do dia a dia.Ela estava certa.
Coloquei meu biquíni rosa de florzinha e me enrolei numa tanga.Prendi meu cabelo com uma presilha e saí.
Encontrar o Nathan parado enfrente a minha porta me deixou intrigada.Parecia nervoso,se enrolava com as palavras,tive impressão que deu uma olhada para os meus peitos...Tálvez me enganei...Deus me perdoa pelos pensamentos maus.
A água estava uma delícia.Aquela piscina enorme era só minha.Eu nadava, mergulhava,saia e pulava de novo.Eu me divertia.
Uma piscina maravilhosa dessa e eu nunca vi o Nathan aproveitar.
Pensei comigo mesmo.
—Lorey,boa noite.
Vi Henry parado me olhando.Acabou meu relaxamento.
—Boa noite,Henry.—falei saindo da água e pegando a toalha para me secar.Pude sentir seus olhares me engolindo.—O Nathan não está.
—Eu sei.Só vim deixar o fechamento do dia para ele.
—Ah tá.—dei de ombros.—ok.
Me enrolei no roupão que a Mary havia deixado para mim.-—Isso não fica no escritório?Está na direção errada.O escritório fica lá dentro.
—Sim,eu sei.Eu estava indo embora quando ouvi um barulho de alguém pulando na piscina,aí vi você.
Eu enrolei meus cabelos encharcados na toalha,e o fitei.
Estava me sentindo incomodada com seu olhar.
—Srta.Lorey.—Mary chegou.—O jantar está servido.—saiu novamente.
Henry parecia hipnotizado.Eu dei um passo a frente e mordi meus lábios.
—Por que me olha assim,Henry?
Ele soltou um sorrisinho.
—Porque nunca vi tanta beleza.—eu o rodeei alisando suas costas até os ombros.
—O que você quer de mim,Henry?
—Por que me despreza tanto,Lorey?
—Eu desprezo você?—fiz um biquinho cínico.—Acha mesmo isso?
Eu pude ver sua ereção por cima da calça.
—Acho!
—Na verdade,eu tenho medo.
Eu me aproximei mais.—Você mexe comigo,toda vez que você me olha,eu estremeço,você me deixa sem graça.
Me aproximei mais,até está bem perto dos seus lábios.—Mas agora não posso mais segurar.Fechei os olhos.
—Estou louca para sentir seus beijos.Me beija, Henry,por favor,me beija.
A Malévola dentro de mim gargalhava.
—Diz que está pegando fogo por mim, Henry.
—Há muito tempo,estou pegando fogo por você,Brithney.—quando senti que ele estava quase me beijando,eu o empurrei na piscina:
—Então é melhor apagar esse fogo.
Eu gargalhava vendo aquela cena.Henry parecia um p***o molhado.Ele me olhava furioso.Minha barriga doía de tanto rir.
—Não acredito que você achou mesmo que eu estava falando a verdade!É um bobão mesmo.
Eu havia acabado de jantar quando cheguei na sala e vi Henry sentado no sofá enrolado no roupão.Mary havia levado suas roupas encharcadas para a secadora,o que levaria uns vinte minutos para secar.
Ele me lançou um olhar que,confesso que me deu pena.Não disse nada.Apenas olhava.
Eu me aproximei e sentei de frente para ele.
—Foi uma brincadeira.—tentei quebrar o gelo entre nós.Ele não dizia nada.—Me desculpa,ok?Não vai acontecer de novo.—podia jurar que ouvi um grilo cantando.—Não vai dizer nada?
—Eu tinha uma outra visão de você.
Disse por fim.
—Olha, ele fala!
—Você é cruél.Sabe do que sinto por você e mesmo assim pisa nos meus sentimentos como se estivesse esmagando um inseto.Não se faz isso com ninguém.
—Credo,deixa de drama vai.Sabe que eu não sinto...nada,por você.—ele desviou seu olhar.—Me desculpa,Henry.—respirei fundo.
—Confesso que não tenho sido agradável.
—Jura?—houve um breve silêncio.
—Ok.Vamos...tentar uma amizade...o que acha?—ele me fitou com aquele par de olhos azuis.—Amigos?
Estendi minha mão.
—É um começo.—disse apertando minha mão.—Me desculpa por flertar com você.Não pude conter uma risada.
—Você foi um chato mesmo.
Conversamos como se a gente fosse amigos um tempão.
Até que ele era bem legal.
Marcamos de sair para curtir a noite,uma pizzaria, boate...
Não demorou muito e Mary vinha trazendo sua roupa seca.
Amei conversar com Henry,se eu soubesse que ele era tão show,teria me aproximado a mais tempo.
***
Vai dormir,Brithney.
O sono não colaborava.Minha garganta estava seca,precisava beber água.Há muito tempo não me sentia assim,desde a morte da minha mãe.Algo me incomodava e eu não sabia o que era...
A casa estava silenciosa.Os empregados já haviam ido embora,parecia que Nathan também não havia chegado.
Desci as escadas e logo estava na cozinha.
Estava quase me retirando quando ouvi risadas e sussurros vindo da piscina.
Me aproximei da porta que ia para fora e vi Nathan e a loira aguada da noiva dele.
Mas o que estão fazendo?
Me aproximei mais e fiquei atrás da pilastra.Não notaram minha presença.
Nathan beijava seu pescoço enquanto dava suas estocadas,ele segurava firme seus braços com uma das mãos.
Ela gemia em cada investida.Nathan era musculoso,bem em forma.Nunca havia reparado tanta perfeição.
Ele mordia os lóbulos das suas orelhas,enrolava seus cabelos em sua mão mostrando quem mandava.
Putz.
Minha calcinha já estava encharcada.
E ele entrava e saía de dentro dela fazendo-a delirar,e me deixando cada vez mais molhada.Meu sexo latejava.
Naquele momento,eu o desejava intensamente...
Nathan
Eu já estava tomando meu café quando Brithney chegou.Nossos olhares se encontraram e pude perceber um pouco de ternura.Ela usava o uniforme da escola e minha imaginação foi fértil...Antes de sentar à mesa,ela ficou por alguns minutos parada na porta,não entendia,parecia um pouco sem graça.
Será que sabe que eu a vi dançar?
Ela mordeu o canto da boca.
Cacete.
Desviei meu olhar imediatamente:
—Bom dia,Nathan.—sentou por fim,jogando seus cabelos negros para trás.
—Bom dia,Lorey.—permanecemos em silêncio.A imagem da Brithney dançando,sensualizando,me veio a mente outra vez.Viajei no balanço sexy do seu quadril que nem me dei conta de que eu a olhava paralisado:
—Está tudo bem,Nathan?—perguntou me encarando.Até o jeito de olhar para mim me dava t***o,despertava meu p*u,me fervia o sangue,cozinhava meu cérebro...
O que há comigo?
—Bom dia!—antes que eu pudesse dizer alguma coisa,Melissa chegou e me surpreendeu com um beijo.Me senti aliviado.Mas um minuto só com a Brithney e eu a atacaria ali mesmo,em cima da mesa.
—Bom dia,Melissa.—respondi voltando da hipnose.
—Olá,criança.—cumprimentou olhando para Brithney.Se ela soubesse que por trás daquela criança se escondia uma mulher...e que mulher...Estava me deixando louco.
—Oi,queridinha.—Brithney respondeu sem encará-la.
—Amor,pode me levar para casa antes de ir para a fábrica?
—Estava pensando em deixar o Nicolas a sua disposição com a Range.Vou levar a Lorey para escola na Ferrari.
—Ué.O Nicolas pode levar a menina e você me leva para casa.—Brithney a fuzilou com os olhos.
—É Brithney.—Melissa a encarou.As duas ficaram se olhando por uns instantes,pude ver faíscas saindo entre os olhares.—Meu nome é Brithney.
—Certo.—digo antes que a Melissa abrisse a boca.—Nicolas vai te levar,Lorey.
Ela apenas me olhara e concordou com a cabeça.
***
—Não entendo por que você tem que ser responsável pela menina...ela é muito abusada.—Melissa reclamava enquanto seguíamos pela ponte de San Francisco.—Viu como falou comigo?É Brithney.Meu nome é Brithney...menininha irritante!
—Eu já expliquei,Melissa.
—Sim claro.Foi uma promessa que fez a falecida da ex esposa.Mas ela está morta,Nathan.Não tem porquê cumprir a promessa.
Nossa.Essa história de novo.Toda vez a mesma coisa.
—Já conversamos sobre isso!
exclamei num suspiro.
—Você não pode ficar cuidando dessa garota.E quando a gente casar?Ela não é responsabilidade sua,Nathan.Se fosse parente,tudo bem.Mas,irmã da ex esposa?É demais né.Por que não a manda para um orfanato?
—Eu não vou fazer isso,Melissa.—meu nível de paciência estava se esgotando.
—Bom,então pelo menos num colégio interno.Seria uma boa.
—Ela já está no último ano,Melissa.
Coçei a cabeça já nervoso.
—Que tal um convento?Nada melhor que ficar perto de Deus.E lá no convento...
Brithney num convento?
Num impulso,joguei a Ferrari para a direita,entrando na frente dos carros e parei na lateral numa freada brusca.Um ponto a menos na carteira por parar no meio da ponte,os carros buzinaram,uns me xingaram,outros me mostraram o dedo.Mas Melissa havia me tirado do sério.
—Chega,Melissa,chega!—ela me olhava, assustada com meu grito.—Eu não vou colocar a Lorey num orfanato,nem num colégio interno,tampouco mandar para um convento.—respirei fundo.Ela continuara me olhando pálida.
—A Bethany me pediu isso no seu leito de morte.Ela foi muito importante na minha vida,Melissa.Eu a amei muito.E eu não posso negar o pedido da mulher que foi e sempre será importante para mim.Melissa,se você não puder entender que eu não posso me desfazer dessa promessa e nem desse amor,melhor a gente parar por aqui.Te deixo em casa,e a gente não se vê mais.Acaba tudo aqui.
Ela permanecera em silêncio,meio pensativa.Eu podia entender um pouco seu lado.
Afinal,ser responsável pela irmã da Bethany era uma prova do imenso amor que senti por aquela mulher.
E isso a atormentava.
Era como se a Bethany de alguma forma estivesse viva.
E estava.Dentro de mim.Nas minhas lembranças,no meu coração...
Liguei a Ferrari e continuei o caminho.
Melissa permaneceu em silêncio o resto da viagem.
Às vezes a olhava e ela estava com os olhos inchados.
Assim que estacionei enfrente ao seu condomínio,ela saiu rebolando sem dizer uma palavra.
***
—Bom dia,sr.Adrwey.—Tess me cumprimentou assim que saí do elevador.Estava comportada.Usava uma calça social azul marinho e uma blusa branca com gola.Os s***s completamente escondidos.
—Por favor,Tess.Me dá uma boa notícia para ver se mudo o humor.
Falei entrando na minha sala.Tess entrou em seguida.
—Sim, senhor.Liguei para a Rússia as notícias são ótimas.
—E então?
—Eles concordaram,senhor.Vão dobrar a quantidade dos diamantes para a Adrwey's por 45% dos lucros.
—Sério?—abri um sorriso largo.
Foram semanas esperando uma resposta dos russos.
A idéia do Henry era boa.Dobrando a quantidade de diamantes para Adrwey's,eu pagaria o mesmo valor mais 45% dos lucros das vendas das jóias.Os diamantes estavam me rendendo muito.Eram muitas encomendas e eu precisava de uma quantidade maior.
No começo me pediram 55%,mas só exportariam um pouco mais da metade da quantidade já acertada.
Joguei a proposta de Henry e semanas depois obtive uma boa notícia.
Nesse momento o autor da boa idéia acabara de entrar e eu pedi para Tess trazer uma champanhe para comemorar.
Henry ficou sem entender tanta euforia.
—A que vamos brindar?—perguntou erguendo sua taça.
—Os russos aceitaram sua proposta!
A reação do Henry foi a melhor.
Ele ficou por uns instantes sério,sem acreditar.
—Henry Damons.Te promovo a vice presidente da Adrwey's.—digo com êxito.