Ser um Alfa era muito bom, tendo em vista essa sociedade de hoje em dia.
Mas perto do meu pai, essa é a maior merda que existe.
Meu pai só conseguiu ter um filho, eu. E eu nunca fui do tipo que gosta de escritórios e toda aquela chatice jurídica.
Meu pai tentou, tentou com afinco, ter outros filhos, mas a minha mãe já não conseguia mais, ela conseguiu uma gravidez tardia e depois disso seu útero já estava fraco demais para que nossa família tivesse mais descendentes.
Eu acabei me tornando o que sou por culpa dele. Minha mãe às vezes era carinhosa, mas esse às vezes era muito pouco.
Eu me tornei alguém frio, que preza a independência, principalmente a independência do amor.
Não quero filhos!
Jamais terei filhos!
E jurei a mim mesmo por anos que nunca encontraria meu companheiro.
Aos dezenove anos eu fiz minhas primeiras tatuagens, cobrindo parte da pele dos meus braços.
Aos vinte elas já estavam no meu ombro e começando a subir ao pescoço.
Meu pai quase enlouqueceu com aquilo. E não importava para ele que eu já tivesse vinte, levei uma surra igual.
Eu não poderia ser o seu empresário de sucesso se andasse como um marginal pelas ruas.
Mas quando ele entenderia que eu não queria ser o seu empresário?! Eu não queria ser herdeiro de p***a nenhuma.
Quase no fim daquele ano a minha mãe faleceu.
Acho que nunca senti uma dor tão forte como aquela. Como se eu tivesse aberto o meu peito, tirado o meu coração e pisado nele diversas vezes.
Meu pai ainda se manteve frio, olhou como se não fosse nada, chamou os paramédicos e no dia seguinte nem as roupas da minha estavam em casa mais. Ele conseguiu fazer a limpa em uma noite.
Mas claro. Um homem de negócios não pode andar solitário por aí, dois meses depois ele estava se casando com uma beta que ele queria que eu chamasse de mamãe. Humpf.
Minha vida virou um inferno.
Se às vezes era ruim...
Nunca era muito, muito pior!
Eu comecei a trabalhar nas empresas do meu pai naquele ano, eu ganhava um bom salário. Um ótimo salário. O suficiente para comprar ações na bolsa de valores.
Deixei parte do meu dinheiro investido e outra eu guardei em um banco.
Aos vinte e um eu resolvi que trocaria de cidade e não teria que me preocupar com mais nada.
Falei com um amigo que conheci na escola, e já não via há anos, e pedi que ele me mostrasse alguns apartamentos.
Ele disse que tinha um que já estava até mobilhado, era só eu encontrá-lo antes em um local.
Naquele mesmo dia fiz minhas malas. De madrugada coloquei tudo dentro do meu carro e parti sem dizer adeus, sem me importar com mais nada.
Meu primeiro pensamento foi "eu to livre, eu vou ser livre finalmente, meu companheiro jamais me achará num lugar tão longe, eu posso viver...".
Mas na manhã seguinte, depois de ter dirigido horas e horas sem pausa, eu estava faminto e perdido.
Parei em uma loja de conveniência para pedir informação e comer alguma coisa.
O garoto ia pegar comida e um mapa para me explicar como chegar ao lugar em que meu amigo me entregaria as chaves.
Mas quando ele parou na minha frente e eu senti seu cheiro, aquilo foi... Esquisito, esquisito pra c*****o. Ele ficou me olhando e parecia que olhos dele brilhavam e aquela coisa toda. Eu só sentia uma vontade insana de f***r ele, nada mais. Acho que isso não era amor não. Mas pelo jeito que ele me olhava talvez ele sentisse a mesma coisa, né?!
Me levantei e o beijei, o prato que ele segurava foi ao chão, mas não nos importamos, seu lábios tinham um gosto tão bom, sua pele era macia e cheirosa.
Foi nesse momento que eu me dei conta de que ele era a droga do meu companheiro. Aquele que eu fugi em busca de liberdade.
Agarrei aquelas coxas gostosas e o coloquei sentado no balcão onde ele trabalhava, sentindo que o seu desejo era o mesmo meu.
Eu não conseguiria ficar longe daquilo nunca mais. Essa era merda de ter um companheiro.
Eu falei com os pais dele e naquela noite ele foi comigo até meu novo apartamento.
Onde eu tive prazer de lhe mostrar a cama e como fazer uma cama ter muitas outras finalidades além da entediante que era dormir.
Eu já tinha feito sexo antes, eu já havia tido muitos cios.
Mas nada como aquilo. Não era um cio e meu corpo parecia brasa ardente. Seus gemidos me deixavam louco e eu precisava ficar dentro dele por horas, nunca era suficiente. O desejo que me consumia era insano eu admito. Mas era o meu jeito de amar.
Pelo menos eu tinha um jeito de amar.
Às vezes eu posso ser grosso e gritar, posso dizer que não é pra agir de tal maneira, mas esse é o meu jeito de mostrar carinho e proteção.
Afinal eu nunca soube o que é isso, então... Podemos considerar um milagre que eu ainda consiga ter alguma forma de amor dentro de mim.
Algo que fica escondido atrás da máscara fria que eu uso há anos e duvido muito que algum dia eu deixe de usar.