
PRÓLOGO
O morro estava em chamas.
O som dos tiros rasgava a noite como trovões secos, ecoando entre becos apertados e paredes marcadas pela guerra. O cheiro de pólvora se misturava ao de sangue, fumaça e desespero.
Arthur Bravo observava tudo do alto.
Imóvel.
Frio.
Rei.
Aquela era a sua coroa — construída com medo, respeito e silêncio. Cada viela, cada casa, cada olhar abaixado… tudo carregava o peso do seu nome.
E mesmo assim… não era o poder que fazia seu coração bater.
Era ela.
Estela.
Por um breve momento, no meio de um mundo que só conhecia violência, Arthur tinha encontrado algo que parecia impossível: paz.
Mas paz… não sobrevive ali.
O primeiro disparo quebrou mais do que o silêncio.
Quebrou o destino.
O ataque veio rápido. Brutal. Calculado.
Traição.
Homens surgiam de todos os lados. Gritos. Correria. Corpos caindo. O caos tomando cada pedaço do morro que ele jurou proteger.
Arthur lutou.
Como um animal.
Como um homem que tinha tudo a perder.
Mas não foi o suficiente.
Nunca é.
Quando ele a encontrou… já era tarde.
Estela estava no chão.
Os olhos ainda abertos, mas sem vida. O sangue quente escorrendo, levando embora tudo o que ainda existia de humano dentro dele.
O mundo não parou.
Mas Arthur… sim.
Naquele instante, algo se quebrou de forma irreversível.
E então vieram as sirenes.
Luzes vermelhas e azuis invadiram o inferno. Mãos o agarraram. Algemas fecharam em seus pulsos.
Ele não reagiu.
Não lutou.
Não disse uma palavra.
Porque o homem que faria isso… morreu ali.
Enquanto era arrastado, seus olhos permaneceram fixos nela.
Sua rainha.
Seu fim.
Sua ruína.
Dois anos depois, o sistema ainda acreditava que Arthur Bravo estava preso.
Mas monstros não ficam enjaulados para sempre.
E quando ele voltasse…
Não haveria mais rei.
Não haveria mais homem.
Só guerra.

