Isabel Oliveira Acordei com o quarto mergulhado em uma claridade impiedosa. O sol de Penedo já tinha subido há muito tempo, iluminando cada detalhe da minha burrice. Enquanto a realidade caía sobre mim, o peso no peito era quase insuportável, eu tinha traído o Grego de novo. E com ele. Com o delegado. O mais difícil, porém, não era a culpa, mas a constatação dolorosa de que com ninguém, absolutamente ninguém, tinha sido daquele jeito. Em momento algum eu pedi por mais, eu não apanhei, nem bati, nem gritei, era tudo tão perfeito. Tudo foi tão bom, sem excesso de força, sem puxão de cabelo, sem mordidas, sem dentes. — Vitório? — Chamei, a voz saindo rouca, ainda carregada do sono e do rastro dele na minha pele. Levantei da cama num salto. Procurei no banheiro, na varanda, olhei debai

