Isabel Oliveira Todo mundo na loja ficou em silêncio. Eu observei Vitório sair, marchando com aquela postura de autoridade que me fazia querer odiá-lo e implorar para que ele voltasse ao mesmo tempo. Só depois de alguns segundos é que a realidade me deu um tapa, eu estava quase nua, no meio da loja, e todo mundo tinha assistido ao espetáculo. Dona Hermínia estava estática, o consolo de borracha um negócio branco, sem cor definida e com uma cabeça feia de doer erguido na mão como se fosse um troféu. A outra cliente nem percebia que o sugador continuava vibrando na mão dela, fazendo um barulho irritante no meio daquele silêncio de velório. Engoli em seco. O desejo era uma coisa pungente, uma loucura que me dava vontade de correr para dentro daquele trocador e me esconder de mim mesma, me

