Chegasse junto

1598 Palavras

Isabel Oliveira Quinta-feira. Acordei com os olhos fixos no teto de gesso, sentindo como se despertar fosse mergulhar de volta em um nevoeiro espesso. Eu sabia que o meu nome ainda seria o prato principal nas fofocas do shopping, que cada passo meu seria vigiado e comentado, e até apontado, "olha lá a mulher do bandido" mas nunca dei importância ao que o povo fala, e olha que eu já tinha ocupado tanto lugar, a p**a, a vagabunda, a tomadeira de marido dos outros, aquela filha de Cosme sei não, aquilo vai dar pra p**a, quer ver?. As vozes ainda me cercava naquelas lembranças. O problema era que o silêncio do quarto não conseguia calar o barulho dos meus pensamentos. O toque da campainha ecoou pela casa como um aviso de mau agouro. Desconfiei que fossem meus irmãos, Mário e Zaya, ou

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR