Saí do quarto da Zaya com o peso de uma derrota que o distintivo no meu peito não conseguia esconder. Passei pelo corredor como um espectro, ignorando cada par de olhos que me seguia, a fúria contida de Marcos, o deboche perigoso de Grego e o pranto descontrolado daquele tal de Mário. Sim, eu falhei. A lei foi lenta, burocrática, impotente, enquanto o crime organizado o mesmo que eu juro combater, foi lá e resolveu o serviço. Recolhi Silverio e os outros, deixando apenas dois homens de plantão na porta por pura formalidade. Segui até o estacionamento, sentindo o ar da noite pesado nos pulmões. Ser da lei estava se tornando um fardo, uma armadura que não protegia ninguém, só me engessava. Os olhos daquela mulher, a Zaya, iam me assombrar por um tempo; o sofrimento ali era cru, vivido

