O Refúgio de Vidro

1259 Palavras

Diogo Vitório Tenho dezoito anos de estrada na Polícia Civil, um faro que raramente me engana e uma paciência de pescador. Mas, por mais que meu instinto gritasse, eu ainda era um escravo das provas. Sem resultados, eu era apenas um homem com um distintivo e uma suspeita amarga. Passei os olhos pelo apartamento da Isabel e o diagnóstico foi imediato: aquilo não era um furto. Ladrão entra para subtrair, não para vandalizar com requintes de crueldade. As camas estavam rasgadas, furadas de ponta a ponta; o fogão, embora novo, tinha os acendedores moídos; a geladeira fora deixada com a porta arrancada e a lataria riscada como se fosse por garras. Mesas partidas, chuveiros arrancados, roupas feitas em tiras e até as panelas amassadas dentro do vaso sanitário. Ninguém perde esse tempo se o o

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