Diogo Vitório Eu tinha uma ideia fixa na cabeça, uma dessas teorias de homem que nunca soube lidar com a própria fragilidade. Achava que tudo mudava no instante em que o corpo deixava de ser intocado. Imaginava que o fato de alguém ter traçado minha filha tiraria o cheiro de infância dela, que ela se transformaria em outra pessoa, em uma estranha. Mas, olhando para aquela garota cheirando uma flor de tom alaranjado no jardim de casa, eu já não sabia de nada. Achei que o teto ia desabar, que ela ia virar uma dessas sombras que eu vejo nas ruas, mas quando ela me notou, parou o que estava fazendo e riu. Foi um riso limpo, o mesmo riso da menina que corria para o meu colo na saída da escola. Mesmo com o cabelo roxo desafiando minha farda mental, ela continuava sendo Alexia Bittencourt Vitór

