Doze

1418 Palavras
Romana Já sai do apartamento do Dorian direto pra o cursinho, essa ideia dele de separar uma parte no guarda roupa dele para as minhas coisas foi realmente muito boa, eu tenho até uma escova de dentes ao lado da escova dele. Eu acho a coisa mais fofa do mundo. Ele me leva de carro até a esquina da escola e me dá um selinho, depois eu me retirei e fui caminhando o resto do caminho. Eu ainda não conversei com a Bia, e sinceramente nem sei como vou dizer pra ela que estou saindo com o irmão dela, por isso não vai pegar bem ele me deixar em frente a escola. E por falar em escola, hoje o cursinho está uma loucura, as inscrições para os vestibulares se iniciaram e todo mundo está falando sobre suas escolhas e quais faculdades pretendem fazer. Eu não tenho dúvida da minha escolha, é medicina, o meu maior sonho desde criança, eu só não sei se vou conseguir, pois só fiz inscrições para universidades públicas, a minha família não tem dinheiro para pagar uma faculdade, a minha mãe m*l teve como pagar o cursinho. Mas eu tenho me esforçado e me dedicado bastante, e tudo o que eu mais quero na vida é dar essa alegria pra ela, o que me deixa ainda mais nervoso e ansioso. — Romana, nós podemos conversar? - escuto a voz do Guto atrás de mim e já fico apreensiva. — Olha Guto, eu não quero confusão. - já fui logo explicando pra ele. — Não vai ter, eu e a Lívia terminamos de vez. - ele diz olhando fundo nos meus olhos. — Romana eu... — p***a Guto deixa ela em paz. - Bia chega de mãos dadas com o Sávio, assim também como o Kassio e a Tina, o Chico e a Taty. O pessoal vai se juntando em umas das mesas da praça de alimentação, alguns sentam nos banquinhos, outros já vão sentando ali mesmo na calçada próximo a gente. — Não sabia que você falava agora pelo a Rom. - Gito diz irritado. — Gente vamos parar por favor. - pedi sério olhando para os dois e os mesmos ficaram na deles. Quando a moça da cantina veio todo mundo fez o seu pedido de lanche e novamente outro assunto foi posto à mesa, e finalmente todo mundo lanchou em paz. Até o momento em que a Livia passa pela gente me fuzilando pelos olhos. — Se essa garota se meter de novo com a minha amiga ele vai tomar na cara. - Bia diz retomando o assunto que eu estava evitando. — Cara até parece que você é afim da Rom. - o Guto fala com deboche na frente da Sávio e o mesmo parte pra cima dele. — Como é que é seu i****a? - ele da uns empurrões no Guto mas logo nos entramos no meio pra intervir, eu fico no meio dos dois já me segurando pra não deixar as lágrimas cair, eu não queria a minha melhor amiga passando por esse constrangimento. — Já chega com essas provocações Guto, tudo tem limites! - Sávio diz nervoso. Um silêncio constrangedor se fez presente no momento até o instante em que o sinal da aula tocou, me salvando e salvando a todos ali de seja lá o que pretendiam fazer para quebrar o gelo. Todos seguiram seus destinos para as salas de aula, menos eu que peguei a minha mochila e fui correndo pra casa. Fui até o ponto de táxi que tinha na esquina e já fui logo entrando em um, mandei mensagem para o Dorian pra saber onde ele estava e se a gente poderia se ver lá no apartamento dele, estava precisando mais do que tudo de um abraço. "Onde você está?" - perguntei pra ele "Foi m*l princesa, hoje tô bastante ocupado, podemos nos ver amanhã?" Uma lágrima escorreu do meu olho assim que li o que ele tinha escrito, porém, não poderia ocupa-lo ainda mais, ele nem estava sabendo de nada do que estava acontecendo, então decidi deixar o Dorian resolver as coisas do trabalho dele e fui direto pra casa. Caí em cima da minha cama e fiquei ali quietinha até adormecer. (....) Acordei pela manhã sem nenhuma vontade de levantar da cama, hoje é sábado então eu não preciso encarar o pessoal da minha turma, menos m*l, pois eu ainda estou bastante envergonhada por causas da confusão de ontem, e quando recebi uma mensagem da Bia me chamando pra ir na casa dela. Ir à casa da Bia sempre foi quase um ritual. Não era só o almoço, era o que vinha antes dele. Assim que largamos as mochilas no quarto dela, já começamos o nosso programa favorito: dia de meninas, como se o mundo lá fora pudesse esperar. — Nada vai separar a nossa amizade Rom, o Guto é um i****a. - Bia diz e eu dou um abraço nela. — Concordo amiga. Sentamos no chão, cercadas de cremes, escovas e potes coloridos. Enquanto a hidratação agia, a gente conversava de tudo e de nada, rindo alto, reclamando da vida, inventando planos. Meu cabelo ficou pesado de creme, mas eu sabia que depois ficaria daquele jeito que pega a luz e brilha. Bia sempre dizia que cabelo bonito mudava o humor e eu acreditava. Depois vieram as unhas. Escolhi um esmalte clarinho, quase transparente, porque estava numa fase de não querer chamar atenção. A maquiagem foi leve também, só o suficiente pra parecer que eu tinha dormido bem. Era um tipo de cuidado que a gente fazia mais pela sensação do que pelo resultado. Aquela i********e tranquila, repetida tantas vezes, me fazia esquecer de tudo o que andava bagunçado dentro de mim. Foi quando a mãe da Bia chamou lá de baixo, avisando que o jantar já estava servido. — Jantar? — estranhei. — Lá na sala grande?. Bia deu de ombros, sorrindo. — Tem visita. Descemos rindo, ainda falando sobre bobagens, até que virei o rosto em direção à mesa... e congelei. Dorian estava lá. Meu coração perdeu completamente o ritmo. Ele estava sentado de um jeito rígido, diferente do que eu conhecia, e ao lado dele havia uma mulher lindíssima. Elegante, confiante, daquelas que entram num ambiente como se já pertencessem a ele. Uns trinta anos, talvez. Cabelo impecável, sorriso treinado. — Romana — Bia disse, sem notar meu choque —, essa é a noiva do Dorian. Noiva. A palavra bateu em mim como um copo caindo no chão. Senti o rosto esquentar, as mãos ficarem geladas. Olhei pra ele por um segundo rápido demais, mas foi suficiente pra ver o desconforto estampado no rosto dele. Dorian não parecia feliz. Parecia... preso. Eu lembrava que a Bia falava vagamente sobre uma noiva; eu confesso que esqueci completamente da existência dela. Sentei-me à mesa como se tudo estivesse normal. Porque era isso que se esperava de mim. A mulher — Clara, eu ouvi alguém dizer — não soltava o braço dele. Chamava-o de "amor" a cada frase, falava empolgada sobre datas, lugares, vestidos. Casamento. Futuro. Planos. Dorian m*l falava. Quando falava, era curto, educado demais. Evitava olhar pra mim, e isso doía mais do que se tivesse encarado. Empurrei a comida no prato, mastiguei sem sentir gosto. Cada risada dela parecia alta demais. Cada "amor" parecia um lembrete c***l de algo que eu claramente não fazia parte. Em determinado momento, pedi licença para ir ao banheiro. Assim que fechei a porta, apoiei as mãos na pia e respirei fundo. Uma, duas, três vezes. Meu reflexo parecia distante. A Romana do espelho não parecia saber onde tinha se metido. Abri a porta para sair — e dei de cara com Dorian. Ele entrou rápido e fechou atrás de si. — Romana, eu preciso explicar— Antes que ele terminasse, empurrei o peito dele com força suficiente pra fazê-lo dar um passo para trás. — Não — eu disse, a voz tremendo, mas firme. — Não agora. Ele me olhava como se quisesse dizer mil coisas ao mesmo tempo. — A gente conversa depois — continuei. — Hoje à noite eu vou ao seu apartamento. Só pra cumprir o combinado. Nada além disso. Ele abriu a boca, mas não disse nada. Eu passei por ele, o coração disparado, sabendo que aquele brilho todo que eu tinha colocado no cabelo não conseguia esconder o peso que eu carregava por dentro. E, pela primeira vez, ir embora parecia mais difícil do que ficar.
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