Laura narrando. Mordo uma maçã que a enfermeira me deu e suspiro com tédio. Meu chefe perguntou educadamente se eu podia fazer plantão hoje, e eu disse que sim. Afinal de contas, vou ganhar um extra. Fico imensamente aliviada por não aparecer nenhuma criança em estado grave, mas confesso que é um tédio: — Laurinha, toma — uma auxiliar de enfermagem me dá um pote, e eu pego sem entender — Sobrou pudim do almoço, peguei alguns para a gente. — Alguém tem um sete de copas? — o enfermeiro pergunta, e apenas assisto à equipe jogando, já que não sei nada. Na verdade, metade da equipe está jogando, enquanto metade fica com os internados e a outra parte no pronto atendimento. Mas hoje, uma noite rara no ano, quase ninguém veio ao hospital, apenas um bêbado que está no soro e outros casos leve

