POV Ratão O zumbido do ar-condicionado preenchia a suíte com aquele som constante que só os ricos conhecem — quase um sussurro, mas que grita luxo. A luz do entardecer entrava preguiçosa pelas cortinas de linho branco egípcio, tingindo tudo num tom dourado quase sacro. Era a hora mágica, como os artistas dizem. Mas eu não sou artista. Eu sou arquiteto de destino. Tava estirado na espreguiçadeira de couro legítimo, robe de seda azul marinho entreaberto, peito à mostra, charuto cubano na mão esquerda e o celular de última geração na direita. No criado-mudo, repousava meu copo de cristal lapidado, com uísque escocês envelhecido em barril de carvalho japonês. E gelo? Água mineral importada dos Alpes. Aqui não tem água de filtro. Aqui é o topo da cadeia alimentar. Meu reino. Meu trono. E e

