Suellen Narrando
Eu ainda estava parada na calçada do salão, com as palavras do Roger ecoando na minha mente.
“ ... Você é uma menina de ouro Suellen e assim como eu estou precisando desse abraço, a sua tia também.– eu concordei com a cabeça.— Sobre o seu encontro, eu só quero que você seja feliz com alguém que possa te oferecer tudo aquilo que você merece.– uma lágrima começou a rolar pelo meu rosto, ele passou o polegar no local.— Mas nesse momento eu não posso ser essa pessoa...”
Como ele pode dizer isso, quando tudo que eu quero é ser feliz ao lado dele.
Ele não pode fazer isso comigo, não pode me decidir o que é melhor pra mim, se claramente ele é o que eu quero.
— Suellen...– eu ouvi a Pink me chamando.— Vamos querida, já está atrasada.– eu andei até ela.— Vocês deram sorte que o salão está vazio, já pensou se uma dessas monas fofoqueiras visse a ceninha romântica de vocês dois ?– ela falou assim que eu entramos no salão.
— Não foi... uma ceninha romântica.– ela olhou pra mim como se não acreditasse no que havia escutado.— Eu só estava sendo solidária, depois de tudo que ele passou, ele estava precisando de um abraço, só isso...
— Sei, daqui parecia vocês eram um casal.– eu engoli a seco.— Um casal muito bonito por sinal, olha menina eu sou macaca velha nessa vida, eu sei bem decifrar quando tem algo rolando entre duas pessoas.– eu me joguei no sofá do salão.
— Aí Pink, eu estou ferrada.– ela começou a rir.— Eu não sei o que faço, por favor Pink não conte isso pra ninguém.– ela se sentou ao meu lado.
— Minha boca é túmulo querida, tudo que você me falar aqui, vai ficar aqui meu anjo.– eu comecei a contar tudo já tinha acontecido entre nós.— Meu Deus menina, eu estou bege, você com essa carinha de anjo, fez tudo isso?– eu cobri o rosto com a mão envergonhada.
— A Pink, eu não sei o que eu faço.– ela começou a rir.
— Olha, se me permiti.– eu confirmei com a cabeça.— Eu imagino que você tenha idealizado viver um conto de fadas, mas não é bem assim que as coisas acontecem aqui na favela.– eu olhei pra ela atentamente.— Mas vamos pensar um pouquinho, o Roger é subordinado do seu pai, você é mais nova do que ele e não podemos esquecer que até pouco tempo ele era marido da sua tia.– eu me ajeitei desconfortável no sofá.— Ele está certo em se afastar de você Suellen, você é muito nova e precisa curtir a vida como se deve, se for pra vocês ficaram juntos, o destino vai se encaminhar disso.
Eu fiquei pensando em tudo que ela falou, ela estava certa em muitos pontos.
Teoricamente, viver um romance com o Roger seria lindo, mas na prática, seria um verdadeiro pesadelo.
Pra começar com o meu pai, ele nunca aceitaria isso, principalmente por que ele ver o Roger como o cunhado perfeito.
E agora tinha o Guto, eu conheci ele através da Hanna, mas nunca rolou nada entre a gente.
Ele me convidou pra sair hoje, ir ao shopping, ao cinema ou algo assim.
Confesso que não eu não estava nem um pouco afim de sair com ele, mas a Hanna insistiu tanto, que eu acabei aceitando.
Terminei de fazer a minha unha, passei na loja da tia Thaís pra pegar uma roupa.
Quando cheguei lá, tinha uma mulher loira conversando com a tia Thaís.
Ela estava com uma menininha linda do lado dela.
— Como ela está Patrícia?– ouvi a tia Thaís perguntando pra mulher.
— Ela está bem, a melhor coisa que eu fiz foi vir atrás do pai dela.– a tia Thaís deu um sorriso amarelo.
— Foi bom mesmo, ela merece o melhor tratamento possível, não princesa.– ela brincou com a menina que riu.
— Tia, quando o papai vai levar o meu irmãozinho pra brincar comigo de novo?– a Thaís ainda não tinha me visto.
— Vou falar pra ele levar o Juninho lá.– eu comecei reparar bem a menininha, ela tinha alguns traços do meu pai.
— Tia Thaís.– eu apareci no campo de visão dela.
— Suellen, o que tu tá fazendo aqui menina?– ela olhou pra mulher e depois pra mim.
— Eu já vou indo Thaís, aaaahh...– ela negou com a cabeça.— Deixa pra ela.– ela pegou a menina no colo e saiu da loja.
— Tia Thaís...– segui ela até a parte de trás da loja.
— Leila, faz o favor de trocar aquela roupa da vitrine e depois pode ir embora.– ela me ignorou quando eu chamei ela novamente.
— Tia Thaís para de ficar me ignorando.– ela soltou um ar cansado.
— O que você quer Suellen?– ela se soltou na poltrona.
— Aquela menininha é filha do meu pai?– ela entortou a boca.
— Eu não deveria falar sobre isso com você, mas...– ela fez uma longa pausa.— Sim, aquela menina é filha do seu sim.– eu fiquei sem ter o que falar.— Seu pai quando estava preso teve um caso com essa mulher, era trabalhava como psicóloga lá dentro, tem um tempinho que ela voltou por a menina tem uma doença autoimune e precisava fazer tratamento.– eu ainda estava em choque sem saber o que falar, eu tinha uma irmãzinha e que estava doente.
— A minha mãe sabe disso ?– ela negou com a cabeça.
— E nem pode saber, ela precisa ter uma gravidez tranquila. – eu estranhei a tia Thaís falar assim tão tranquila e a sempre foi surtada.
— Você está tão tranquila tia, eu nem estou te reconhecendo.– ela sorriu negando.
— Tem coisa que não vale a pena se estressar, seu pai era um canalha.– ela deu de ombros e ficou calada por um tempo.— Eu vou te dar um conselho, não se envolva com nenhum bandido, eles são todos iguais Suellen.– eu engoli a seco.
— Mas o Roger é totalmente diferente, ele nunca traiu a tia Alice...
— Nunca traiu ela?– ela levantou uma das sobrancelhas.— Isso porque a gente não sabe né?!– ela fez um coque no cabelo.— Mas vamos esquecer isso e por favor não conta nada pra sua mãe até os seus irmãos nascerem.– eu só concordei com a cabeça.— Já sabe o que vai vestir hoje a noite?– eu realmente não estava afim de sair hoje à noite, mas escolhi uma calça jeans de boca de sino, um cropped de manga longa estava ótimo.
Peguei tudo que eu precisava e fomos pra casa, antes mesmo da gente passar pela porta já dava pra ouvir a voz do pai alterado.
— Só me escuta Suzana...
— Eu não tenho que escutar nada, toda vez essa merda.– minha mãe falou cansada.
— O que está acontecendo gente?– a tia Thaís falou assim que entramos.
— O Alex quer que a gente mais uma vez quer tirar a gente da favela por um tempo.– meu pai passou a mão no rosto.
— Não é por um tempo Suzana, é só essa noite caralho.– meu pai já estava ficando sem paciência.— Hoje vai ter uma operação aqui na favela e eu não quero vocês aqui.– ele passou a mão no rosto.
— Não foi isso que você me disse, eu tô achando essa história de operação uma baita mentira.– minha mãe falou com voz de choro.— Você está querendo fazer comigo o mesmo que fez com a Thaís, querendo me deixar de escanteio grávida...
— Para de falar besteira Suzana, olha tu tá chata pra caralho.– meu pai se levantou irritado.— O Picasso vai levar vocês pra uma casa lá na Nova Holanda.– ele parou na minha frente.— Seu encontro terá que ser por lá mesmo.– ele deu um beijo na minha testa.— Estejam prontas em meia hora.– ele deu um beijo na tia Thaís e saiu.
— Que raiva, eu não acredito que estou passando por isso de novo.– eu e a Thaís nos olhamos, ela negou com a cabeça.
— Eu só acho que você está exagerando Suzana, não é o fim do mundo e sem contar que isso é pra nossa segurança.– eu concordei com a tia Thaís.
— Verdade mãe, o papai só quer nos deixar seguros.– ela negou com a cabeça.
— Vocês mesmo pra acreditar nisso, eu sei que o Alex está escondendo alguma coisa e eu vou descobrir.– eu olhei pra tia Thaís que se manteve calada.
— Eu acho que você tá caçando pelo em ovo...
— Cala a p***a da boca Thaís, você deveria tá surtando junto ou melhor era pra você está assim.– ela riu negando.— Mas acho que você se conformou em ser só a segunda opção.– eu vi os olhos da minha tia Thaís pegarem fogo.
— Eu vou ajeitar as coisas do Juninho.– ela virou as costas sem falar nada com a minha mãe, mas antes mesmo dela subir as escadas e se virou e olhou para minha mãe, mas não falou nada.
— Eu acho que a senhora pegou pesado mãe.– minha mãe se levantou p**a.
— Que peguei pesado, a Thaís nunca teve a mesma responsabilidade que eu tive.– ela passou a mão na barriga.— A Thaís só está com o seu pai por puro capricho e dinheiro.– eu não estava acreditando no que ela estava falando.– eu respirei fundo.
— A senhora só pode está brincando mãe, eu vou subir pra ajeitar as minhas coisas e sugiro que a senhora faça o mesmo.– antes de subir ainda ouvi ela resmungando.
Minha mãe estava bem estranha depois dessa gravidez, ela mudou muito e todo mundo tem notado isso.
Uma hora depois a gente estava a caminho da nova Holanda, minha mãe ainda fez uma graça antes da gente entrar no carro.
A tia Thaís já estava sem paciência com ela.
Quando chegamos na Nova Holanda, o Picasso nos levou pra casa do meu pai.
E pra minha surpresa, o Roger estava lá nos esperando.
— Estão entregues.– o Picasso falou assim que descermos do carro.— Eu tenho que voltar pra lá, o Talibã vai precisar de mim.– ele fez um sinal para o Roger.
— Fala pra ele que a encomenda está segura.– ele respondeu em código.
Mas eu tenho certeza de que eles estavam falando sobre a tal da Patrícia, o Picasso foi embora logo depois.
Minha mãe e a tia Thaís já tinham entrado, meu olhar cruzou com o do Roger, eu tomei coragem pra me aproximar dele, mas antes que eu fizesse isso, o Guto parou com a moto do nosso lado.
— Suellen, seja bem vinda a minha humilde comunidade.– ele falou com um sorriso no rosto.— Vamos, já que o nosso shopping babou, vou te levar pra melhor lanchonete da NH.– eu olhei pro Roger que não tirava os olhos da gente.— E aí Roger.– ele saiu da moto pra fazer um toque com o Roger.— Eu tenho permissão para levar a princesa para passear, o paizão deixou.– o Roger forçou um sorriso.
— De boa, só não pode sair da favela.– o Guto concordou.— Eu vou indo, qualquer coisa me liga Suellen.– o Roger montou na moto e acelerou a moto sem nem mesmo olhar pra trás.
— Então vamos princesa…
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Nesse livro teremos metas, conto com vocês nessa nova jornada ☺️
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