Talibã Narrando
Minha cabeça estava a mil desde da hora que o Picasso chegou aqui confirmando que hoje realmente teria uma operação.
Como sempre disse, nada passa batido por mim.
Eu desconfiei desde do início que ele era um x9, então eu fui mais esperto.
Resolvi trazer ele para o meu lado, um ex policial que foi expulso da corporação por má conduta, tudo que ele queria era dinheiro.
Eu tive que pesquisar bastante sobre a vida e quando eu soube que ele não tinha família, apenas os pais e dois irmãos que moram no interior de Minas.
Ele ficou assustado quando eu joguei na cara que já sabia de toda verdade, pelas regras da favela ele deveria morrer.
Mas ele era um bom atirador, rápido no gatilho e sem contar que sabia fazer umas estratégias boladas.
Falei pra ele que tinha duas opções e que ele deveria escolher, entre morrer ou trabalhar ao meu favor.
Ele não precisou nem pensar muito pra me dar uma resposta, é claro que ele escolheu ficar do meu lado.
O Picasso tem trabalhado como agente duplo, para polícia fala ele exatamente aquilo que eu quero que eles saibam, mas pra mim ele conta tudo que fica sabendo sobre os planos deles.
Todas as invasões que teve aqui na favela que eles não me encontraram, foi porque eu já sabia antes.
Como hoje, tirar a minha família daqui era uma das principais prioridades, ainda tive que arrumar um lugar para deixar a Patrícia com a Gabi.
Pra isso eu pedi ajuda ao Roger, ele levou elas pra Nova Holanda também, eles vão ficar seguros.
Meu plano é simples, não vamos deixar eles chegar nem metade da favela.
Eu tenho a vantagem de saber de conhecer cada canto dessa favela e ainda sei exatamente que ele quer a minha cabeça e a do Escobar também, coloquei homens armados em cada ponto estratégico.
Tenho os melhores atiradores e as melhores armas, como eu disse a vantagem é minha.
— Tudo certo patrão, sua família está segura.– o Picasso falou ao passar pela porta.
— A Suzana deu trabalho?– ele confirmou com a cabeça.— Essa gravidez tá deixando ela louca.– eu ri negando, a Suzana estava desconfiada de que eu estava mentindo pra ela, ela não está errada sobre isso, mas eu ainda encontrei um jeito de falar sobre a Patrícia e a Gabi.
— Patrão, o senhor vai mesmo seguir o seu plano ?– eu confirmei com a cabeça, o Escobar entrou no escritório.
— Tudo certo Talibã, vai queimar ele vivo mesmo ?– eu armei um plano para sumir de vez com o Leonardo, mas ele já achou alguém pra ficar nos passando informações.
O que mais nesse Rio de Janeiro são policiais corruptos, e são esses que usamos para ter informações valiosas.
— É pra queimar tudo e deixar apenas o braço que tá com a tatuagem.– eu acendi um cigarro de maconha.
— O Roger mandou avisar que a encomenda foi entregue.– eu soltei a fumaça pelo nariz.
— Posso que encomenda é essa ?– eu olhei pra cara do Escobar que aguardava pela minha resposta.
— Isso assunto meu Escobar.– eu entortou a boca não satisfeito com a minha resposta.— Já tirou a sua mãe e a sua irmã da favela?– ele afirmou com a cabeça.— Ótimo, não quero você nessa missão...
— Como assim Talibã, vai me deixar de fora das coisas agora ?– ele cruzou os braços na minha frente.
— Questão de segurança, se ele me pegar quem fica no meu lugar é você Escobar.– por mais que eu confie no meu plano, eu tenho que te ter um plano b, pra caso de imprevistos.
— Isso não vai acontecer, patrão, te dei todas as estratégias deles.– o Picasso falou e o Escobar concordou com a cabeça.
— Mesmo assim precisamos ter um plano b, tu...– apontei pro escobar.— Vai ficar numa casa, um pouco antes de você voltar eu mandei instalar câmeras por todas as entradas da favela, tem um equipamento nessa que você vai monitorar tudo de lá.– mesmo contrariado ele acabou aceitando.
— Quem vai levar o corpo até eles?– eu tinha deixado o Escobar sem saber de nada, não nem por maldade.
O Escobar precisava colocar a cabeça no lugar, então eu deixei de lado em relação algumas coisas.
Nesses últimos dias o Picasso tem sido meu braço direito.
— Vai ser uns pivetes, eles não vão fazer com eles, porque eles são menor de idade.– o Picasso respondeu.
— Ele tá por dentro de muitas coisas.– o Escobar falou com ar debochado.
— Sim, ele se mostrou de confiança e nunca passou pelas minhas ordens.– ele engoliu a seco.
— Se incomoda se for fazer uma ligação?– o Escobar olhou pra ele meio desconfiado.
— Claro que pode, vai lá.– eu dei de ombros.
— Se o seu plano não dê certo, tu já sabe o motivo.– eu revirei os olhos.
— Eu confio mais nele, do que em você Escobar.– ele ia falar alguma coisa, mais eu não deixei.— Vai fazer a sua parte e deixa que eu cuido da minha favela.– ele saiu puto daqui.
Eu confio no Escobar, mas ele age por impulso. Já eu gosto de fazer as coisas planejadas.
Mesmo com a cabeça a mil, eu consegui manter o meu plano até o fim.
Já passa das seis horas da manhã, os moradores da Penha já até sabiam o protocolo da favela.
Eu tinha dado toque de recolher, então ninguém saia de casa.
O tiroteio estava comendo solto, como eu havia planejado, eles estão encurralados num beco perto da entrada.
— Tudo pronto patrão, o moleque implorou pela vida.– o Escobar falou rindo através do radinho.
— Ótimo, esse moleque já me deu muita dor de cabeça.– eu tinha mandado queimar o Jeffinho vivo, que se f**a a consideração que eu tinha com o pai dele.— Liga na frequência do cuzão do major.– o Picasso fez o que eu mandei.— Eai major, vai arriscar perder mais polícias ou vão arregar ?– a voz do Talibã saiu do radinho.
— Eu vou te pegar seu traficante de merda, eu vou acabar com o teu reinado.– eu comecei a rir.
— Vou esperar cuzão, até agora eu tô na frente.– eu ri ainda mais.— Se liga, vou mandar um presentinho pra tu, espero que goste tu de x9 ao ponto.– não demorou muito para os menor jogarem o corpo do Jeffinho perto do beco onde eles estavam.— Tu achou mesmo que eu não fosse descobrir que do teu cavaleiro infiltrado.– deixei cair a frequência do rádio.
— Eles estão recuando Talibã, agora é a hora da gente partir pra cima deles.– o Escobar falou todo empolgado no rádio.
— Não, ninguém atira neles.– o Escobar começou a reclamar do outro lado.
— O que vamos fazer agora, patrão?– eu olhei pro Picasso.
— Vamos esperar um tempo e depois vamos pra Nova Holanda, quero ficar com a minha família.– ele ficou calado por um tempo, eu já estava descendo as escadas da laje quando ele me chamou.
— Patrão?!– eu olhei pra trás.— Desculpa te perguntar isso, mas a Patrícia é sua amante?– eu arquei uma das sobrancelhas, tinha alguns soldados ainda lá na laje.
— Desce todo mundo, eu quero falar sozinho com o Picasso.– depois que todos desceu, tirei minha arma da cintura, me sentei na cadeira colocando a arma na minha, acendi um cigarro de maconha.— Qual seu interesse nisso ?– ele girou o boné pra trás, parecia um pouco nervoso.
— Nenhum, mas o patrão pediu pra cuidar dela e menina.– ele deu de ombros, eu ri negando.
Eu sabia exatamente qual era o interesse dele, a Patrícia é gata pra c*****o isso ninguém pode negar.
— Ela era a minha terapeuta na prisão, enquanto eu estive preso, ela foi a minha amante.– eu terminei de fumar.— Foi ela que me ajudou a fugir daquele lugar.– ele continuou calado.— Eu não tenho nada com ela, aquela menininha é minha filha e está doente.– eu me levantei.— Depois que eu fugiu da prisão, eu prometi pra mim mesmo que nunca mais iria trair as minhas mulheres.– eu ri negando.— Então se tu tem interesse nela, vai em frente.– ele abriu a boca pra falar alguma coisa.— Só te dou um aviso, ela não é com as mulheres da favela...
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