Entrei no elevador bem na hora que a Emma também entrou. Eu não segurei o sorrisinho e ela revirou os olhos.
— Pegando o elevador, Emma? Pensei que você era igual entregador de água, entrava pelos fundos...
— O prédio é do meu pai, eu entro por onde eu quiser. — esnobou.
— Uhuuuu, toda bravinha. — a provoquei. — Jordan me contou que você o chamou pra dormir com ele naquela noite. Medinho de fantasma ou tava afim de dormir de conchinha? A Jenna é ciumenta viu?!
Ela deu uma lufada de ar cruzando os braços e eu ri.
— Sabia que você é um chato, Elliot? Nossa, sua maturidade saiu no xixi.
— Na verdade, foi num vomito, mas não vamos entrar em detalhes. Jordan também me contou do feriado na casa de campo.
— Foi? Nossa, que droga! — ela revirou os olhos.
— Que foi? Não era pra eu saber?
— Não. Sua presença não é bem vinda na minha casa.
— Eu não ligo. O Jordan me chamou.
— Mas eu não chamei, então se eu não quiser você não entra.
— Só pra você saber, eu não sou vampiro pra só entrar quando for convidado. — ergui minhas sobrancelhas.
Ela olhou pra mim.
— i****a. Já não tá na hora de você sair não? — apontou pra porta do elevador abrindo e eu andei pra saída e segurei a porta.
— Esse feriado vai ser bom. Quem sabe a gente não repete o que acontecuu no outro? — a provoquei piscando o olho e deixei a porta fechar.
Eu não consigo evitar. Irritar a Emma é irresistível.
?
No outro dia...
— Pelo amor de Deus Sierra, você não é assim, nunca foi! — eu andava de um lado pro outro inconformado com a Sierra no telefone.
— Mas as coisas mudaram Elliot, eu tive a chance de realizar meu sonho. Não posso abandonar isso.
— Então você quer sacrificar nosso namoro pra fingir ser uma pessoa que não é?
— Será que você não entende Elliot? Eu tentei te mostrar de várias formas, não atendi seus telefonemas, não respondi suas mensagens... Acabou Elliot. Não dá mais pra gente ficar juntos. Eu nem sei quando vou aí e não existe namoro a distância do jeito que a gente tá.
Não tô entendendo. Isso é uma loucura.
— Como assim? Jordan e Jenna namoram a distância.
— Eu não sou a Jenna e você não é o Jordan. Elliot... Eu não acredito nessa coisa de namoro a distância. Sinceramente, a cada dia que se passa eu sinto menos a sua falta. Não queria te magoar mas estou sendo sincera.
Uma lágrimas desceu no meu rosto e fiquei aliviado por não ter ninguém aqui agora.
É muito tempo com ela. Como tudo pode acabar assim?
— Elliot? — sua voz era de choro e piorou o que estou sentindo.
Enguli tudo e respirei fundo.
— Entendi Sierra. Eu já entendi, agora tenho que desligar. — fiz o que falei e fechei os olhos engolindo seco.
EMMA HOLLAND
Kate, Lôlô, Eva e eu já estamos na casa de campo, arrumando tudo na geladeira.
— Aqui é maravilhoso. — Kate apareceu na cozinha deslumbrada. — Emma, a Lôlô achou um pintinho no quintal. — contou mais séria.
— Deve ser de alguma fazenda vizinha. Depois a gente devolve. — sugeri.
— Eu quero ver!— Eva pediu animada, emocionada, nem sei descrever. — Meu instinto maternal me leva a todo ser recém-nascido.
— Então, ele morreu. — Kate contou sem nenhuma enrolação.
— Oquê?— fiquei surpresa.
— Lôlô o matou dando banho nele... — explicou constrangida.
— Tadinho. — Eva começou a chorar. — Nem pôde virar frango, não teve chances de namorar, nem comer muito milho, ou virar uma galinha e botar ovo...
— Que deprimente, Eva. — fiquei paralisada com a reflexão dela.
— São os hormônios. — Kate passou um guardanapo pra ela secar os olhos.
— Podemos fazer o enterro dele? — Eva se recuperou.
— Não Eva, chega de loucura. — cortei a ideia e voltei a arrumar tudo.
Algum tempo depois...
— Mamãe! mamãe! — a Lôlô apareceu na cozinha correndo.
— Que foi meu bem?
— Olha o te eu achi. — abriu a mão com um passarinho morto.
— Creindeuspai. Tô com medo dessa menina. — confessei assustada.
Nesse instante alguém chegou com um carro buzinando.
— Vou ver quem é. — Kate falou sumindo com o passarinho. Voltou sem ele no mesmo instante.
— Cadê o pássaro?— Eva perguntou sentada na cadeira da mesa com suas uvas.
— Não importa, os Salvatore chegaram.
— Quem são os Salvatore? — perguntei sem entender a piada.
— Jordan e Elliot.
— Ah, pronto. Lá vem o Elliot pra me atazanar. — resmunguei revirando os olhos. Eu tento, mas não consigo fingir que gosto dele.
Jordan apareceu na cozinha deixando a Eva branca como um papel. Depois diz que não tem sentimentos.
— Eai meninas? Tem algum quarto pro Elliot? — ele parecia preocupado.
— O que aconteceu com ele? — Eva perguntou indo pra sala quando o Oliver entrou arrastando o Elliot.
— Deprê. Sierra terminou com ele e ele ainda não tá acreditando, bebeu o caminho todo.
Mas será!
Fui até a sala pra presenciar a cena.
— É, ele tá bêbado. — confirmei ao vê-lo praticamente desmaiado.
Kate tava toda sem jeito pelo Oliver e sumiu.
Oliver subiu sem que eu falasse onde era o quarto. Eva fez a frente guiando ele.
Logo depois chegou o William e o Bran.
Nunca vi o William mais gostoso. Que charme da p***a! Ainda bem que sou solteira.
Até ajeitei meus cabelos.
— Perdemos alguma coisa? — ele veio até mim e beijou minha mão com seu sorriso safado.
— Só a serial Keller mirim e o Elliot bêbado depois de um pé na b***a. — respondi sorrindo.
— Eu disse pra gente não parar no posto. — Bran veio me cumprimentar com um beijo no rosto. — Perdemos toda a diversão.
— Eu precisava beber alguma coisa! — William se explicou.
Esses sim são os tal dos Salvatore.
Duas beldades. E eu já peguei um. Mas aqui pra nós, esse outro tá me deixando com vontade.
— Cadê a Jenna, Jordan? — William perguntou sentando no sofá.
— Europa, ora! — ele bagunçou os cabelos e sentou na poltrona.
— Então tá sozinho de novo? Vai engravidar a Eva de novo?
Uiiiii. Agora as coisas esquentaram.
Jordan fechou a cara e levantou da poltrona no mesmo instante.
— Me poupe, William. Pior seria se o bebê fosse filho de um i****a como você.
Caralho. c*****o!
— O que tá pegando aqui? — Eva apareceu com sua bola de pilates pregada na cintura.
William levantou mas não chegou nela antes Bran.
— Eva! Que barriga linda! — Bran tocou a barriga dela e depois deu um rápido abraço.
— É. Minha princesa tá crescendo bem rápido. — ela ficou orgulhosa.
— Princesa? É uma menina? — William perguntou cumprimentando ela.
— Sim. Vitória.
— Que nome lindo! Quem escolheu? — Bran perguntou.
— Eu, é claro. — ela afirmou se garantindo. Foi um trabalho e eu ajudei.
— Se puxar a mãe... — Bran tirou algumas almofadas do sofá pra Eva sentar. — Vai ser linda.
— Que isso. Tô ficando sem jeito já.
Eu também. Bran tá muito carinhoso com a Eva... Hummm.
Nem perguntei sobre o pinguço.
— Então, vou voltar pra cozinha. Já vi que vou ser a Ana Maria Braga da vez. — dei meia volta.
— E eu vou ajudar. Conversa de paternidade não é comigo. — William veio logo depois de mim.
?
Parei na pia pra lavar as mãos.
— Eai Emma... — ele encostou atrás de mim e falou perto do meu ouvido. — Precisando de ajuda?