Finalmente consegui ganhar do meu pai no baralho.
— Toma distraído! — dei minha jogada final.
— Muito bem. Depois de 10 partidas, se eu não deixasse ganhar uma era muita falta de cavalheirismo.
— Você não me deixou ganhar. Todos os méritos pra mim que sou muito inteligente. — arrumei meus cabelos num coque.
Enquanto eu embaralhava de novo ele ficou me encarando pensativo.
— O que é papai?
Eu conheço bem ele. Tá imaginando alguma coisa.
— Como vai a sua relação com o pai do bebê?
Sabia.
— Normal. Ele aparece nas consultas...
— E vocês ainda estão juntos?
— Nunca estivemos juntos. — comecei a distribuir as cartas.
— E como fizeram o bebê? À distância? — ele ergueu a sobrancelha.
Eu sorri reto.
— Ele tem namorada pai. Não quer nada comigo.
Ele balançou a cabeça em negação.
— Não queria isso pra você.
— Também não, mas fazer o que? Eu fui um tanto burra nos últimos meses. — admiti.
— Eliot é um péssimo irmão mais velho, mas a culpa é minha.
Olhei pra ele surpresa.
— Não é sua culpa pai. Você não fez nada.
— Eu te expulsei de casa.
Isso aí é verdade. Senão eu não teria ido pra casa do Eliot.
— Uma hora ou outra eu ía fazer uma merda. Não tem como ser perfeita o tempo todo. — tentei sorrir. — Vamos voltar ao jogo. Vou ter dar uma surra de virada.
Nosso assunto acabou aí. Ficamos jogando e rindo e esquecemos de tudo. Eu sei que isso é só uma fase.
Sinceramente, não tô mais me importando com o Jordan, Jenna ou qualquer coisa que tenha acontecido. A bebê tá tomando conta da minha cabeça.
Vitória vai ser o nome dela. Minha princesinha.
Ela não me deixa dormir, não me deixa ficar quieta. Toda hora se mexe. É incrível. Ela se mexe quando ouve a voz do meu pai, da minha mãe, até do Eliot pelo telefone.
Minha barriga tá bem grande e meus p****s também. Tenho estrias vermelhas bem no quadril e minha mãe se dedica a passar óleo de amêndoas todos os dias pra que elas sumam. Meus quadris estão mais largos e já perdi várias roupas. Agora ando como uma pata. É horrível, mas eu faço muito exercício pra compensar. Exercícios seguros é claro.
No dia seguinte, Emma apareceu na minha casa. Toda social.
— Eaí barrigudinha. — me abraçou e deslizou a mão pela minha barriga. — Tá grande!
— Acho que tá crescendo por segundo. — fechei a porta e seguimos pra sala. — Como você tá? Que história foi aquela do Elliot e os fantasmas? — sentei no sofá.
— Elliot é um i****a, mas o Jordan dormiu lá comigo uma noite, já me conformei com as mentiras dele.
— Jordan dormiu lá? — fiquei surpresa.
Ela ficou sem jeito.
— Eu sei que ele foi m*l com você, mas a gente ainda é amigo.
— Não, tranquilo. Isso é entre eu e ele, não se preocupa. — sorri. — Já esqueci tudo.
— Sério? Ótimo, porque vamos passar o feriado na minha casa de campo.
Oi?
— De novo?
— Sim. Qual o problema? A gente não tem pra onde ir. E vai todo mundo dessa vez. O William, o Bran... A louca da sua psicologa...
— Elliot?
— Sinceramente, não quero que ele vá.
— E o Jordan?
— Bom... Ele quem deu a ideia.
— Se o Jordan for o Elliot também tem que ir. — falei.
— Porque? — ela franziu o cenho.
— Elliot vai cuidar de mim. Ele é meu irmão.
— E o Jordan o pai da bebê. — deu de ombros.
— Emma você sabe como tá minha relação com o Jordan. Elliot vai garantir que ele fique longe de mim.
— Porque você não tem forças pra ficar longe? — ela ergueu a sobrancelha.
— Claro que não! Porque você tá agindo assim? — fiquei confusa. Parece que tá do lado dele!
— Não tô agindo de forma nenhuma. Só que você ainda gosta dele e pelo que vi no Jordan, ele também gosta de você, bem escondido lá no fundo.
Nem vem esperança de merda.
— Não bota coisa na minha cabeça. Acabou entre nós dois.
— Isso é o que vamos ver no feriado. — ela sorriu.
Isso vai dar em merda.