Não poder participar de nada é um saco. Toda hora tem alguém dizendo que eu não posso fazer alguma coisa. Tô me sentindo super excluída.
Felizmente a partida acabou e o time dos meninos ganhou. A Kate deu um ataque de loucura por ter perdido e a filha dela tá tentando acalma-la.
Será que a minha filha vai ser assim também?
Bom, com quase 5 meses ela já é bem evoluída.
— Tia Eva. — a Lôlô segurou a minha mão. — Vamo brintar de tonde tonde?
Tonde tonde?
— Se eu descobrir que brincadeira é essa...
— Esconde esconde. — Jordan explicou dando um beijo no rosto dela. Ela se derrete toda com ele.
Talvez ele seja um bom pai.
Já sei onde vou me esconder. No banheiro, pra fazer xixi.
— Vamo tombém tio Dordan? — ela chamou.
Não Lorena, por favor, não!
Jordan olhou pra mim como se esperasse minha aprovação. Eu não fiz cara de nada.
— O Tio vai cuidar de umas coisas. Depois a gente brinca viu?
Ela balançou a cabeça assentindo e voltou a segurar minha mão.
Que bom que ele entende as coisas rápido. Ela também.
— Só vai ser duas vezes viu? Eu tô sedentária. — entrei na casa com ela.
— O te é sendaia tia?
Com quem eu tô falando?
— Nada. — ri.
Ela ficou contando de 1 até 5 umas 10 vezes e eu fui fazer meu xixi no banheiro.
Depois que lavei as mãos alguém bateu na porta e eu abri.
— Te achi!!! — Lôlô gritou pulando contente.
Eu acabei esquecendo por um instante a brincadeira.
— Você é boa. Agora sua vez de se esconder. — saí do banheiro e ela saio correndo.
— tonte tia.
— Um... Dois... Três... — me bati em alguém que segurou logo minha barriga.
Olhei pra frente e era o William. Ele sorriu.
— Eai gatinha.
— Oi. — sorri um pouco desnorteada. As coisas entre a gente foram se acabando... Tudo culpa minha.
— Sua barriga tá crescendo né?
— É. Também acho que tá enorme.
Ele ficou sorrindo.
— Você tá bem?
— Tô. Tô bem, tô me acostumando com isso ainda.
Ele sorriu reto.
— Foi tudo muito rápido né?
— Sim. — concordei.
— Tia achi eu!
Eita p***a.
— Você me dá licença, eu tô brincando de esconde esconde com uma mocinha ali.
Ele assentiu sorrindo.
— Você vai ser uma ótima mãe.
Fiquei contente por ouvir isso e saí a procura da Lôlô.
Ela não deve tá num lugar difícil.
— Tá quente?
— tá tente! — ela respondeu. Tadinha. Achei ela facinho dentro do guarda-roupas da Emma.
— Achei!!! — falei animada e ela começou a rir.
— Votê é muito boa tia.
— Sou sim. A melhor. — levei ela pra sala, mas logo saiu correndo.
Sentei no sofá e tentei mexer no meu celular. Mas não tem rede. Não tem rede!
— O que houve com a rede daqui? — perguntei pra qualquer pessoa que ouvisse.
Emma respondeu. — Foi uma tempestade que teve, derrubou a antena.
— Que droga. — resmunguei.
Elliot saiu dos quintos, agarrou cintura da Emma e cochichou alguma coisa no ouvido dela.
Esse me irmão não vale um real. Horas atrás tava bêbado porque terminou com a Sierra, agora já tá assim.
— Não é da sua conta, Elliot. — Emma falou com deboche pra ele.
Ele soltou ela.
— Achei que e gente ía relembrar os velhos tempos!
— Você é muito i****a. Vai ver foi por isso que a Sierra terminou com você. — ela saiu da sala e o Elliot ficou sério.
Ainda tem essa história.
— Elliot... — tentei tocar no assunto. Ainda não falei com ele sobre isso.
— Não Eva. Por favor, não toca nisso. Eu tô bem. — ele pediu e eu respeitei.
— O que você perguntou a Emma? — fiquei curiosa.
— Me contaram que ela e William estão flertando.
Oi?
— William flerta com todo mundo. Quando ele fala comigo também flerta.
— Sim, mas nada impede deles ficarem.
— E o que me impede de ficar com ele?
— Não sei. Jordan? — chutou.
— Me poupe Elliot. — ignorei essa opção. Eu não deixo de ficar com ninguém por causa dele.
— Aliás, eu vi o Bran conversando com você.
— Vocês entendem tudo como um pretexto pra ficar. Credo! Ele só tava conversando comigo. Sendo gentil. — abracei uma almofada deitando no sofá e joguei meus pés encima do Elliot.
— Humm... — me encarou pretensioso.
— Eu não vou falar dessas coisas com você. Você é meu irmão. Nem insista.
— E você queria falar sobre minha vida amorosa?! — ergueu as sobrancelhas.
— É diferente.
— Ata. — ele levantou. — Isso aqui tá muito chato. Tá na hora das cachaças rolarem.
⭐⭐⭐⭐
A cachaça rolou pra ele, Kate, Oliver, Emma, William e Bran.
Foi a noite toda bebendo.
Eu botei a Lôlô pra dormir e o Jordan passou a noite toda pendurado num telefone.
Eu fui dormir cedo. Não posso beber, então é chato ficar no meio deles com um copo de água. O único efeito colateral pra mim é o xixi.
Deitei e dormi logo em seguida. A música não atrapalhou meu sono.
Mas acordei pela meia noite pra fazer xixi. Eu já tinha a bexiga meio frouxa, mas agora, credo. Nem quero pensar em quando chegar os 7 , 8 e 9 meses. Vou andar de fraldas.
Fiz meu xixi e o sono incrivelmente foi embora. A música tinha parado e eu o Elliot e a Kate dormindo nos sofás. Cada um em um.
Nenhum sinal da Emma e William, nem do Bran e do Oliver. Mas imagino que já estejam dormindo.
No caminho de volta pro quarto encontrei a última pessoa que queria ver. Eu não queria ver.
Jordan.
— Sem sono? — ele perguntou se encostando na parede.
— Sim. — me enrolei mais no meu casaco.
Fizemos um breve silêncio.
— Olha... Eu acho que o que você falou no ultrassom já bastou pra ficarmos quites. Não precisa ficar mais me ignorando. A gente vai ter um filho juntos. Uma filha na verdade.
Merda.
— É. Espero que tenha doído em você como doeu em mim. — cruzei meus braços.
Ele assentiu.
— Quando você descobriu que era uma garota?
Já que ele é o pai...
— Na verdade a médica disse que poderia ser uma menina por conta da posição e tal. Eu não tirei outra ultrassom. Ainda não sei direito, mas eu tenho certeza que é uma menina. Minha intuição.
Ele riu.
— Que foi?
— Você continua doida.
Não vou sorrir. Não vou sorrir.
— E se eu não gostasse de "Vitória"?
— Eu ía ficar muito feliz. — dei de ombros e ele balançou a cabeça em negação.
— Você não pode fazer tudo sozinha. E se for um menino? Qual nome você tomou liberdade de escolher?
— Não escolhi porque vai ser uma menina.
— Você não tem certeza disso. — ele riu.
— Você quer apostar? — ergui minha sobrancelha ele sorriu.
— Deixa eu ver. — tocou minha barriga.
— Não vou levantar minha roupa aqui no corredor. E a barriga tá feia. Cheia de estrias... — fiquei sem jeito.
Ele abriu a porta do quarto dele e acenou pra eu entrar.