18 - Eva Grayson

1057 Palavras
Entrei no quarto e não vi o William dormindo. Nem ninguém. A iluminação estava por conta das luzes dos postes que entrava pelas cortinas abertas. — Você concertou a antena? — perguntei. — Tava fazendo ligação... — Sim. Mas depois quebrei de novo, então... — ele fechou a porta. Merda. E eu com a esperança de amanhã ligar pra minha mãe... — Emma vai adorar saber disso. — sentei na cama e ele veio pra perto de mim e se ajoelhou na minha frente. — Posso? — se referiu a minha blusa. Assenti e ele a levantou com cuidado. Eu esperava olhos brilhando e um sorriso bobo dele, mas o que recebi foi uma cara de decepção. — Porque você fica usando roupas que deixa com um barrigão? Hoje cedo eu pensei que você tava grávida de gêmeos, porque a barriga tava muito grande pra 4 meses. — me criticou franzindo o cenho. Quê?! — Mas tá grande. Eu nunca tive nenhum pouquinho de barriga, e agora tá enorme. — olhei pra minha barriga. — Tá uma bolinha pequena. Não tá grande, Eva. — ele me contrariou. — Você é exagerada. — levantou um canto da boca num quase sorriso. Rindo de mim é claro. — Afs, vai ficar zoando mesmo? — revirei meus olhos e abaixei minha blusa tentando levantar mas ele não deixou. — Não. Não vou. — segurou meus quadris e pressionou pra que eu permanecesse sentada, levantou minha blusa de novo e ficou tocando delicadamente minha barriga. — Isso vai sair né? — tocou nas estrias. — Vai sim. Tô passando óleo. — fiquei encarando o teto enquanto me apoio na cama com os braços estendidos. — Ainda bem né? Já pensou nunca mais sair? Como vai usar biquíni? — Jordan! — fiquei desapontada de novo. Eu tentanto não ficar preocupada com isso e ele vem me falar essas coisas! Ele riu. — Desculpa. Mas não tá feio. — levantou e sentou ao meu lado, ainda tocando a minha barriga. — Claro que tá feio. Mas eu não pude evitar. Essa gravidez tá me deixando toda feia. Já tô começando a andar igual a uma pata e quando vou dormir tem que ser de lado porque eu fico com medo de machucar o bebê. Ele ficou me encarando calado. — Que doido né? A gente vai ter um filho. — Né. — sorri reto e desmanchei logo em seguida. — Eu não quero que a gente fiquei m*l, Eva. Eu quero acompanhar cada centímetro que nosso bebê cresce. Quero saber de tudo que você tá sentindo com ele aí dentro. Quando ele quer ser fofo... — Não queira saber o que eu tô sentindo. Você não vai gostar. Ele respirou fundo porque sabe do que eu tô falando. — Desculpa por tudo. Sério, Eva. Eu nunca tive a intenção de te magoar. — Mas magoou e foi terrível. — olhei diretamente pra ele. — Eu sei que essa conversa não deveria ser sobre isso, mas não tenho como evitar. Eu falei que gostava de você, eu disse tudo aquilo e você me chamou de Jenna, Jordan! Cê me magoou pra caramba. Eu tenho cara de capa do Batman por acaso?! — Eu posso explicar. — ele tava de cabeça baixa, depois se afastou e sentou virado de frente pra mim na cama. — Naquele dia eu tava muito tenso Eva, eu não devia ter te procurado, me arrependo muito, não era pra gente ter ficado. A Jenna tinha me mandado uma foto bem sensual e sinceramente, eu não pensava em outra coisa além de sexo. E eu tentei descarregar essa vontade de outra forma, mas a gente tava na mesma casa e eu sabia que você ficaria comigo se eu pedisse do jeito certo, e agora falando em voz alta eu fui mesmo um grande filho da p**a com você. — ele baixo a cabeça. Só uma versão diferente do quanto babaca ele foi. É isso que dá falar dos nossos sentimentos com os outros, as pessoas se aproveitam disso pra nos manipular. — Fala alguma coisa, por favor. — ele pediu. — Você já disse tudo. — Eva, eu não vou repetir isso nunca mais. — ele segurou minha mão e olhou nos meus olhos. — Eu me importo com você e sei o quanto isso te feriu. Mas eu não quero que você me odeie. Por favor. Me perdoa e eu prometo que nunca mais vou te procurar naquelas circunstâncias. — Promessa é coisa séria. — Dou a minha palavra. E até engulo você e o Bran... Eu e Bran? Ele anda reparando nisso é? — Amigos de novo? Tomara que eu não me arrependa disso. — Amigos. Ele deu um leve sorriso e eu puxei minha mão do seu aperto delicadamente. — Agora, sobre a cláusula "engulo você e o Bran", até que ponto você pretende chegar com ele enquanto estiver grávida? — Que pergunta é essa, Jordan? — Responde. — Isso não é da sua conta. — levantei da cama e dei uma volta olhando a bagunça do quarto. — Na verdade é sim, apartir do momento que mexe com a casinha do nosso bebê. E eu não quero que estranhos fiquem batendo na porta da casinha dele, incomodando o sono do nosso bebê. Eu tentei segurar a risada, juro, mas não consegui. Me virei pra ele de braços cruzados. — Quer dizer que eu não posso ficar com ninguém mais porque tô grávida? E Bran não é estranho. — Você e Bran já? — ele arregalou os olhos. — Não. — Então é. Agora essa. — Então eu posso arrumar minhas coisas com o William. — dei a opção. Ouvimos o barulho de uma coisa caindo fora da casa, e olhamos pela janela. O William tá agarrando a Emma na porta da casinha da adega. Do jeito quente que ele me pegava. Deu até uns arrepios. — É... Acho que vai ser difícil você voltar com esse aí. — Jordan deu uns tapinhas nas minhas costas e eu me afastei com um sorriso reto. — Então desconsidero a questão do "estranho", o bebê tá minha casinha, daqui uns dias ele não vai mais morar lá e eu boto quem eu quiser no correndor. — saí do quarto dele e fui pro meu. Depois dessa conversa fiquei com sono.
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